quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

E parece que não aconteceu nada

Há três dias, (01/12/2025), Sua Exª o Presidente da república, professor Marcelo Rebelo de Sousa, deu entrada no Serviço Nacional de Saúde (SNS), no hospital público São João do Porto, para ser intervencionado a uma hérnia encarcerada. 

Dir-me-ão que nada de anormal, uma vez que, era uma “situação de urgência”.

Verdade que, seria um “caso normal”, se todos os cidadãos que se dirigem ao serviço nacional de saúde (SNS), fossem atendidos com a mesma rapidez e diligencia, com que foi recebido e socorrido, o Sr presidente da república. Infelizmente assim não é, como sabem/sabemos todos os que têm de recorrer ao SNS.

A “ANORMALIDADE” está precisamente nesta diferenciação de critérios, tendo por base, o “estatuto” do precisado.

Dir-me-ão, então deixava-se morrer o “homem”!?

Eu respondo: Faria alguma diferença? Quantos de nós morremos todos os dias às portas dos hospitais e nas ambulâncias. Quantas mulheres parem dentro das ambulâncias, por andarem de um lado para o outro?

Claro que faria diferença. Já imaginaram se ao presidente da república, a um ministro, a um deputado, lhes fossem recusadas as entradas e assistências hospitalares às portass do SNS?

Se um deles morresse, por esta falta de assistência, tenho a certeza, que o SNS seria outro.

Quando se diz que “todos” somos iguais, que não há diferenças, na assistência médica, justiça, etc. pura mentira e hipocrisia como fica demonstrado com este exemplo e muitos outros.

O pior, é que nós aceitamos que a normalidade é esta, uns passarem à frente dos outros, uns podem ser socorridos outros não, e, acreditarmos na mentira e nos deixarmos levar.

Agora, que se está em campanha eleitoral, e que os candidatos, tanto defende um melhor SNS, seria bom, perguntarem-lhes, o que pensam sobre estes “privilégios”?

O Sr presidente da república, veio no dia da alta elogiar o SNS.

Não! devia em primeiro lugar ter recusado “privilégios” e ter-se dirigido a um hospital privado. Ah! Pois, mas aí vinham as críticas desta opção. São as contingências da vida, fazer opções, e arcar com as consequências.

Por outro lado, não devia ter elogiado o SNS, devia sim tê-lo criticado, por este mesmo SNS, fazer diferenciação de utentes. Afinal perante o SNS não somos todos iguais?

A comunicação social não teria aqui uma oportunidade para levantar esta questão?

Para eles e para a maioria de todos nós, “parece que não aconteceu nada”, mas aconteceu, e muito, só que, todos achamos normal que estes casos aconteçam.  

Não, não somos todos iguais. Há diferenciação no socorro conforme o “estatuto”.

Recuso-me a reconhecer que o Sr presidente da república, tenha privilégios que não sejam reconhecidos aos demais cidadãos. 

 

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