domingo, 25 de abril de 2021

O "Estado a que Chegámos"

“Meus senhores, como todos sabem há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos”

Capitão Salgueiro Maia

Hoje, uma vez mais, vamos ouvir inflamados discursos sobre o 25 de abril. Não tinha pensado/decidido escrever sobre este dia, até porque tenho a certeza, outros o farão muito melhor que eu.

Quem tem conta no facebook costuma ser “surpreendido” com a pergunta - “ Em que está a pensar Isidro António”?

Nem ligamos a essa pergunta porque é repetitiva e já não nos surpreende. Hoje decidi ligar-me. – Em que estou a pensar?

Estou a pensar no “Estado a que chegámos”. Quarenta e sete anos depois da celebração do vinte e cinco de abril, estamos precisamente no mesmo estado, o “estado a que chegámos” senão pior.

Outra pergunta que é usual fazer-se é – “Onde estava no 25 de abril de 1974”. A esta pergunta nem todos poderão responder, porque alguns do que o viveram já não estão entre nós ou porque ainda não eram nascidos ou porque de tão pequenos, desse dia não têm memória.

Eu tenho memória desse dia e dos dias (época) anteriores e dos dias posteriores até hoje ao “estado a que chegámos”.

Na manhã do 25 de abril de 1974, à semelhança dos meus colegas, professores e “contínuos” tinha-me dirigido para a escola, frequentava a Secção Liceal de Elvas do Liceu Nacional de Portalegre. Saí de casa sem saber que nessa noite, madrugada, se tinha dado o 25 de abril.

Chegados ao liceu, os contínuos mandaram-nos regressar a casa, sem paragens no caminho e ficarmos lá até ordem em contrário. Não me lembro se nos deram alguma explicação do que estava ou tinha acontecido. Mas logo nos apercebemos que algo de muito importante tinha acontecido. Cada um cumpriu à risca a ordem, nessa altura não se discutiam “ordens”, obedecia-se.

Já depois de estar em casa tive a noção do que estava a acontecer, até porque vivia numa cidade militar e viam-se as movimentações das colunas militares. Penso que ainda nesse dia, ou no dia seguinte, contrariando a “ordem” da minha mãe, tive a ousadia de me dirigir às imediações do Regimento de Lanceiros 1, penso que era assim que se chamava o quartel na altura. Esse dia ainda hoje está vivo na minha memória e a adrenalina que senti ao experienciar esses dias. O 25 de abril não foi um dia, foram vários dias.

O que há de semelhante ou diferente ao “estado a que chegámos” antes do 25 de abril de 1974 e o “estado a que chegámos” hoje.

Provavelmente, contrariarei muitas das opiniões, que hoje são tidas como “politicamente” corretas/aceites.   

Diz-se que o “estado a que chegámos”, estávamos antes do 25 de abril, era o de um país subdesenvolvido, pobre, onde se trabalhava de “sol a sol”, iletrado, sem liberdade. Quase sempre se associa o conceito de liberdade à falta de liberdade politica e de expressão. Como se a LIBERDADE fosse apenas isto.

Diz-se que os pobres, os filhos dos trabalhadores, não tinham condições para estudar. Sou filho de um pai trabalhador rural e de uma mãe doméstica que tratava de quatro filhos. Não me lembro de algum dia ter passado fome ou de não ter “nada” para comer. Não comia carne nem peixe todos os dias. Mas comia, nem que fosse uma vez por semana, uma refeição de carne e outra de peixe. Frequentámos eu e os meus irmão mais velhos a escola pública. Frequentei o Liceu de Elvas. Escola pública das “elites”. E não, nunca me senti discriminado.

Sou a excepção à regra? Não! Havia outros.

O “estado a que chegámos” hoje.

Há fome? Há, muita!

Trabalha-se de “sol a sol”? trabalha-se! Mais do que isso, trabalha-se de noite.

Há desemprego? Há! Mais do que isso, há muitos que não querem fazer “nenhum”

Há exploração? Há e muita!

Há quem viva à conta dos outros? Há e muitos!

Há quem não consiga pagar as contas? Há e muitos!

O que fizeram para melhorar as condições de vida dos portugueses? Pouco, ou muito pouco. O que fizeram foi com a “herda” do estado a que chegámos antes do 25 de abril. As reservas de ouro, que delapidaram e roubaram. Fizeram-no com os rios de dinheiro vindo da Comunidade europeia, CEE. Fizeram auto-estradas pagas pela CEE e que ainda hoje continuamos a pagar porque as deram aos amigos para nos continuarem a explorar. Onde está a melhoria de vida para os pobres de então e para os pobres de hoje? Os pobres de então recebem pensões de miséria. Os pobres de hoje recebem subsídios e esmolas do Banco Alimentar contra a Fome e de quem colabora com estas instituições. São os pobres que alimentam o sistema, não são alimentados por ele.

Chegámos à liberdade.

Há liberdade? A pergunta do milhão!!

Quer responder por mim?

Só para ajudar um pouco na resposta. Ainda ontem vi na página de um amigo do facebook dizer que só deveríamos emitir a nossa opinião desde que dominemos os assuntos… pergunto se isso é liberdade ou castração dessa liberdade? “Ainda por cima” esse amigo é jornalista. Onde está então a liberdade de expressão?

Existe liberdade política?

Chegámos ao estado em que uma pessoa, Ana Gomes, pede a ilegalização de quinhentas mil (500.000) pessoas.

Chegámos ao estado em que os "donos disto tudo" se permitem apropriar do 25 de abril. A coberto de desculpas, do "estado em que se vive", apenas quem eles autorizam, podem celebrar o 25 de abril. 

Este é o “estado a que chegámos”.

Outro estado precisa-se.

Outro 25 de abril precisa-se.

Outro Salgueiro Maia precisa-se

Não quero fazer analogias. Mas, será que o André Ventura é o Salgueiro Maia de hoje? Sem armas físicas, mas com a melhor arma de todas, a PALAVRA, e por isso tantos temem o novo 25 de abril?.

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Esquerda...Direita...Centro

 

Não sou político ou talvez seja e não o saiba. Os ditos políticos dividiram o estado no qual vivemos, a democracia, em direita e esquerda, alguns dizem situar-se no centro, seja lá o que isso for, talvez seja, porque, como diz o adágio popular, é no centro que está a virtude ou porque no centro, sempre ficam mais perto da direita ou da esquerda e assim podem correr de um lado para o outro sem se cansarem muito, deste modo tentam agradar a todos. A Gregos e Troianos.

Nunca se vai conseguir agradar a todos, nem à dita maioria, porque esta é tão volátil quanto o centro.

Os tais políticos e/ou os ideólogos políticos, não se satisfazendo com estas posições, esquerda, direita, ah! esta ideia fez-me recuar no tempo, lembrando-me os meus tempos de militar, esquerda, direita, esquerda direita … como é que nenhum militar se lembrou de esquerda, direita, centro… esquerda…direita…centro, ao que ia, há uns tempos para cá, os esquerdas não satisfeitos com o lugar que ocupavam resolveram criar os extremas esquerdas, polarizaram a esquerda.

Por não haver, penso eu, um partido verdadeiramente à direita, já que os existentes se dizem situados ao centro, há dois anos nasceu um partido que se diz situado à direita, assume-se direita e não centro, ou seja, vem ocupar um espaço deixado sem dono.

Quando se ocupa um espaço, mesmo que não tenha ou se desconheça o dono e se comece a melhorar e a construir e se veja trabalho, os vizinhos exclamam:

- OPSSS! O que é isto?

- Quem são estes?

- O que vêm para aqui fazer?

Às suas próprias perguntas respondem:

- São invasores!

- São ocupas!

No meio destes, há sempre um mais entendido e que exclama:

- Não! são da extrema direita!   

- Temos de acabar com esses gajos!

- Temos de ilegalizá-los!

 e vai daí faz-se uma denúncia ao ministério público e aos tribunais para acabar com a “dita raça”.

Não se avalia se há melhorias no dito terreno. Isso não importa.

Não se avalia se essas melhorias trazem benefícios para os terrenos vizinhos. Isso não importa.

Para os vizinhos é uma provocação, uma invasão daquilo que julgam ser detentores e um perigo iminente de invasão do seu próprio terreno.

Não entendem, nem querem entender, menos ainda, permitir que os intrusos tenham feito o que eles nunca fizeram, a eliminação de parasitas, a desmatação e a construção de uma vida melhor para todos.

Não sou político, e para ser sincero, acredito muito pouco neles, mas quero acreditar nas pessoas. Se nós quisermos podemos fazer diferente para melhor.

Cada um chamar-lhe-á o que quiser. Direita ou extrema direita.

Se estamos numa democracia e se:

há esquerda,

há direita,

há Centro,

há extrema esquerda,

porque não pode haver estrema direita?

Compete a cada um de nós escolher.

Tem de se por fim a este estado de coisas, prática de crimes vários por parte dos políticos e dos agentes de estado sejam eles juízes, professores, militares, forças de segurança, etc.

Quando finalmente há uma voz que se levanta, a de um partido político e do seu líder, tenta-se eliminá-los, seja de que maneira for, recorrendo à ilegalização ou a programas de televisão.

Gostei de ver os programas de televisão, SIC, sobre os “túneis” do dito partido de extrema direita, claro que há sempre a perspectiva e o “terreno ocupado” de quem os faz.

Gostava muito de ver também, os túneis dos ditos partidos de esquerda, de estrema esquerda, do centro e da suposta direita. Só assim estaria em condições de avaliar e comparar.

Sugiro aos jornalistas da SIC e à própria SIC que faça esses programas.

Posso não concordar e de certeza que não concordo, com todas as posições defendidas pelo dito partido de estrema direita, mas concordo e defendo que este estado de coisas tem de ter um fim imediato.

Por um Portugal novo e melhor, onde todos sintamos novamente orgulho da nossa história e de sermos portugueses.

A escolha é nossa. A escolha é minha. A escolha é tua.

Escolhemos a continuação deste estado de coisas que já conhecemos, ou escolhemos a mudança na esperança que seja para melhor.  


domingo, 11 de abril de 2021

Antes que o galo cante

 

No rescaldo do incêndio provocado pela justiça, em todo o país, mais concretamente pelo Sr Juiz de Instrução Ivo Rosa, na sexta-feira, dia 09/04/2021 delicio-me a escarafunchar as cinzas.

Passados estes dias, já todos tivemos oportunidade de proferir as mais pecaminosas palavras, dirigidas aos guionistas e protagonistas desta acção incendiária.

Neste incêndio que já dura à volta sete anos, com mais ou menos labaredas, mas nunca tão altas quanto as de sexta-feira, conclui-se que não há incendiários, não há mãos criminosas, são todos uns santinhos e nós os pacóvios somos os anjinhos.

Muito já foi dito e escrito e todos vão mais ou menos, no mesmo sentido. Não sou nem gosto de ser papagaio, se bem que, adore estes animais, quer pela beleza quer pela capacidade de imitação.

A razão obriga-me a concordar com todos os que não se vêem nas palavras do incendiário. A emoção e as cinzas orienta-me noutro sentido.

Numa época, em que os princípios e valores são deitados com desprezo para a sarjeta, um homem, juiz, demarca-se, não temendo pegar fogo a tudo e a todos, para salvar os seus amigos. Haja coragem!

Nas cinzas, numa página não ardida, ainda se conseguia ler: - Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te afirmo que antes que o galo cante, tu me negarás três vezes!

Recebeu como resposta:

- Ainda que venhas a ser motivo de escândalo para todos, eu jamais te abandonarei!

Todos conhecemos esta história e o seu desfecho. No decorrer deste incêndio alguns alimentavam a vã ilusão da negação antes que o galo cantasse. Não aconteceu assim o “apóstolo” continuou a enaltecer a “santidade” dos que carregavam a cruz e estariam prestes a serem crucificados. Neste incêndio, foi o apóstolo que deu a salvação às santidades.

Todos sabemos que a salvação é um caminho e que o caminho se faz caminhando e este ainda não terminou. No final do caminho veremos quem são os salvos e os crucificados. Não tenho dúvidas, por mais crente que seja que os anjinhos, mesmo antes de terem chegado ao fim do caminho, já estão crucificados.

OUTRO DEUS PRECISA-SE!

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Mais do mesmo

Estou a ficar Fã das transmissões “online” das reuniões públicas do executivo de Portalegre.

“Infelizmente”, os debates dos assuntos trazidos à reunião de hoje, 07/04/2021 não corresponderam às minhas expectativas, esperava mais “sangue”. Sangue na guelra naturalmente. Estavam todos muito xoxos.

Esta falta de sangue é devida, com certeza, à falta de oxigénio da água salobra em que os membros do executivo camarário se movem.

Mais do mesmo, praticamente o único assunto trazido a debate antes da ordem do dia, foi uma vez mais, o tal suplemento remuneratório de penosidade e insalubridade. Desde janeiro que o executivo anda a discutir a atribuição deste suplemento. Na última reunião, foram postas a votações duas propostas, uma apresentada pela Sra presidente, Adelaide Teixeira e outra apresentada pelo Sr vereador da CDU, Luís Pargana. Foi aprovada a proposta apresentada pela Sra presidente. Pelo que me foi dado ouvir e de certa forma ver por alguns documentos apresentados, haviam dúvidas e continuam a haver quanto à legalidade do pagamento de retroactivos com efeitos a 01/01/2021 deste suplemento. Na minha modesta opinião, e é a opinião de um simples munícipe, se havia dúvida quanto à legalidade da proposta apresentada pela CDU, esta nem devia ter sido posta a votação. Mas o Sr vereador parece não querer perder e volta à carga.

Ninguém gosta de perder mesmo que o jogo seja a feijões e aqui os feijões como é perceptível perceber são os votos que se avizinham. Todos os feijões contam nem que apareçam “feijões de duas caras”.   

Todos os Sr vereadores, presidente de câmara incluída, dizem que aceitam e concordam com o pagamento de retroactivos desde 01/01/2021 desde que seja legal. Apresentam propostas contrárias a esta intenção de vontade ou legalidade, eternizam a dúvida mas mantêm a discussão. Fico perplexo, não são todos feijões de duas caras?

Uma vez mais, tenho de tirar o meu chapéu, que não uso, ao Sr vereador Correia da Luz, foi o único que me pareceu feijão branco, modo de dizer, feijão de uma cara.

Deixou claro que as suas tomadas de posição, são individuais, são suas, e que o responsabilizam a ele e não a um partido.

Deixou claro que a Sra presidente de câmara devia tomar uma posição definitiva quanto a esta matéria e não eternizar a discussão.

Espero que na próxima reunião, seja trazido pela última vez este assunto, com certezas de qual o procedimento e decisão que sejam aceitáveis legalmente.

Outro assunto, mais do mesmo, é o pagamento/isenção das esplanadas.

O Sr vereador Luís Pargana tem trazido a debate o facto de haver operadores hoteleiros a pagar as esplanadas em espaços destinados a estacionamento concessionados a uma empresa privada. Este assunto vem-se arrastando em reuniões de câmara. A Sra presidente, sempre diz, que já pediu aos serviços esclarecimento sobre o assunto.

Mas que porra! Digo eu que sou alentejano. Não é já tempo dos dorminhocos dos alentejanos, que trabalham nos serviços da câmara já terem acordado. Dormirem um pouco a sesta até dizem que faz bem, mas que raio, o calor ainda não chegou. ACOOORDEM! e respondam à Sr presidente. Claro, porque a culpa é dos funcionários que não há meio de acordarem e darem a resposta que a Sra presidente há muito tempo já pediu.

Será que a Sra presidente também ainda não acordou da sesta e ainda não reparou que não tinha a resposta solicitada. Mas que chefe(a) é este(a) que dorme mais que os funcionários.

Para terminar por hoje, parece que “andem” esta é propositada, todos a dormir a sesta há pelo menos quatro anos.

ACOOORDEM! Srs vereadores, já se faz tarde. Portalegre tem muitos mais problemas importantes que urge que se resolvam.

 

quarta-feira, 31 de março de 2021

Portalegre a ver passar os comboios

 

Duas ou três ideias, ressaltam da reunião do executivo da Câmara Municipal de Portalegre, realizada hoje dia trinta e um de março de 2021. O executivo da câmara, não quer ficar a ver passar o comboio quer mesmo o comboio.

Na minha modesta opinião, o executivo camarário bem como todos os portalegrenses, naturais ou residentes, desenganem-se, não nos iludamos, não vamos ficar com o comboio, como nem sequer o vamos ver passar, já que a nova linha em construção Sines/Elvas, melhor dizendo, Sines/Badajoz/Espanha, passa a muitos quilómetros de distância. Resta-nos sempre uma alternativa para o avistar.

Sugiro ao executivo camarário, já que parece, ainda ninguém se ter lembrado, construir um parque de estacionamento, com todas as condições de estacionamento, para balões de ar quente.

Sempre que se sentirem saudades de ver o comboio passar, era só subir a um balão e talvez, em dias límpidos, conseguiríamos distingui-lo no horizonte. Para além, naturalmente, da fonte de rendimento para a cidade, sempre se podia constituir uma alternativa de transporte ao próprio comboio. Pensem nisso!

Já que estamos a falar de estacionamento, ressalta também a ideia do parque de camionagem para os transportes TIR. É uma ideia recorrente, já por diversas vezes discutida em reuniões de câmara, só não compreendo como é que o executivo camarário ainda não o concretizou dada a necessidade imperiosa, limitando-se às discussões intermináveis.

Vem agora o Sr vice-presidente – João Cardoso, dizer que está a ser equacionada, a possibilidade de utilização do parque da feira nos dias em que não há mercado, por este recinto, já ter praticamente as condições necessárias. E nos dias em que houver feira e mercado mensal, o que fazem aos camionistas? para onde os mandam? Já pensaram nisso?

Não compreendo que se queira tanto uma linha de comboio electrificada, quando não há passageiros nem mercadorias, que a rentabilizem. Por outro lado, há mercadoria transportada diariamente em grande quantidade por estrada. Portalegre é um ponto de passagem, infelizmente, já que pouca dessa mercadoria cá fica ou de cá sai. Como ponto de passagem, de estacionamento e de descanso, os camionistas já elegeram a cidade como referência. Dignifiquem-se estes profissionais, por a terem elegido, dando-lhes espaço e condições. Decidam-se e rápido, antes que a “Sebasteanista” Fermelinda Carvalho, os leve para Arronches, mesmo antes de acabar o mandato naquela localidade, ou o construa de imediato em Portalegre logo que tome posse.

A outra ideia é a dos “subsídios de risco e salubridade aos trabalhadores camarários nestas funções. Defende o Sr vereador da CDU – Luís Pargana, que este subsídio deve ser pago, com retroactivos desde um de janeiro de 2021. Ficou patente nesta reunião, que no mínimo ficaram dúvidas, da legalidade do pagamento com retroactivos. O Sr vereador da CDU – Luís Pargana, “reivindica” o pagamento, invocando ou defendendo o facto de uma câmara municipal do distrito de Portalegre, por coincidência da CDU, só por coincidência, concretamente a de Avis e freguesias deste “satélite” o terem feito.

Ao ouvir o Sr. Vereador, imaginei-o a circular numa estrada, ou auto-estrada, cujo limite de velocidade é de noventa ou cento e vinte quilómetros à hora. De repente, o Sr vereador vê passar um “infractor”, a cento e oitenta quilómetro à hora.

Diz ele:

- Opa! Se este circula a esta velocidade é porque pode, eu é que estou enganado.

 E zás! Prego a fundo, ultrapassando-o a duzentos quilómetros por hora.

Teve “azar” um pouco mais à frente é apanhado pelo “radar” e mandado parar. Na discussão com os “agente de autoridade” ainda invocou:

- Mas o outro também vinha a cento e oitenta quilómetros por hora. O “agente de autoridade”, como sempre, nem respondeu, passando o auto de contra-ordenação.

Não Sr vereador, não Srs. Vereadores. Não Sra presidente, não é porque os outros fazem que nós devemos fazer também.

Até podemos achar injusto que nos seja proibido circular a 90 ou 120 km por hora, em excelentes estradas, mas é a lei e enquanto cidadãos e ainda mais, enquanto gestores do erário público, impõe-se-nos esse cumprimento.

Este assunto já tinha sido debatido no mínimo na última reunião de câmara, por esta altura, já não deviam subsistir dúvidas, quanto à sua legalidade. E assim se perde tempo a discutir o mesmo.

Boa Páscoa a Todos.

Só como referência, gostei de ouvir o Sr vereador Correia da Luz, pareceu-me o mais realista. Deve ser devido à sua vasta experiência e de querer vir a “nortear” os destinos do município do Crato.


terça-feira, 30 de março de 2021

Será que?

 

Antes de mais, aproveito para dar os parabéns atrasados, ao Sr Rui Nabeiro pelas suas noventa primaveras, desejando que outras se lhe sigam.

Assistimos ontem, eu assisti, à reportagem/entrevista efectuada pela TVI. Não sei em que dias e ano a reportagem/entrevista foi efectuada, mas se foi para assinalar o nonagésimo aniversário do Comendador Rui Nabeiro, imagino que não tenha sido há muito tempo, avaliando até por algumas imagens.

Assistimos à saída à rua, e em praticamente toda a reportagem/entrevista o Sr Comendador estava sem máscara, para não ser mal interpretado, refiro-me naturalmente à máscara facial que protege a boca e o nariz e que obrigatoriamente devemos utilizar.

O próprio entrevistador mostrou-se em muitas ocasiões sem máscara estando muito perto e de frente para o Sr Rui.

Alguns dirão que o Sr Comendador deve estar mais que testado, bem como o entrevistador, pelo que não corriam nenhum risco de serem contagiados ou contagiar. Pois, talvez, não digo que não.

Mas, será que? para nos darem o exemplo e nos “convencerem”, eu direi motivarem  que o melhor método de se evitar o contágio é o de todos e em todas as circunstância, ainda mais quando não fazem parte do nosso circulo restrito usarmos a máscara.

Numa outra entrevista nas instalações da “Delta Cafés”, umas horas antes, também para assinalar a comemoração do aniversário e o lançamento do livro romanceado da vida do Sr Rui, assistimos, eu assisti, que nenhum dos presentes na “mesa de conferência” tinham colocada a máscara de protecção facial.

Estamos a falar de um Sr. de provecta idade, o que significa neste caso, com muita experiência e sabedoria, para além da muita idade, logo uma idade de elevado risco de contágio.

Pelos que nos tem sido mostrado ao longo dos seus anos e nos demonstrou nas entrevistas, o Sr Rui ainda tem sonhos, que no seu caso não são sonhos, mas sim desejos e certezas de concretização daquilo que pensa fazer.

Perante esta situação será que? O Sr Rui quis mandar uma mensagem claríssima aos governantes e a todos nós que vivemos com a imposição de regras idiotas que servem apenas para destruir a economia, encerrarem empresas e despedirem milhares de pessoas.

Naturalmente que não nego o vírus e as suas consequências, como certamente não negará o Sr Rui, a minha dúvida ou pergunta é a de: - será que? não há outras formas de nos protegermos para além das impostas? A Suécia não confinou, não obrigou ao uso da máscara, nem encerrou a economia e os resultados no combate ao vírus são bem melhores que os nossos.

O Sr Rui é uma pessoa respeitadíssima e querida no país inteiro, quer como pessoa, quer como industrial e um exemplo a seguir, é assim que todos dizem e eu corroboro.

Será que? O Sr Rui nos quer dar uma lição do que não seguir? E não fazer? Fica a dúvida. 

O meu modo de me referir ao Sr Rui é porque na entrevista dada na “Delta Cafés” é dito que prefere ser chamado assim.


domingo, 28 de março de 2021

Dá que pensar, não dá?

 

No dia vinte e cinco de março do ano de Cristo de dois mil e vinte e um, o parlamento português aprovou a lei de “inseminação pós-morte”.

Talvez porque a minha intelectualidade e percepção da realidade sejam muito limitadas, não consigo racionalizar as “aberrações legislativas” discutidas e aprovadas pelos intelectuais e vanguardistas, que assentam os seus anafados “bumbuns” nos cadeirões do parlamento.

A partir de hoje, todo o homem morto há pelo menos três anos, pode vir a ser chamado de pai por uma qualquer criança nascida três anos e nove meses depois da sua morte. Dá que pensar, não dá?

Isto, porque uma mulher alegadamente louca, conseguiu juntar à sua, a loucura de uma grande quantidade de cabeças ocas, que supostamente deviam estar repletas de “massa cinzenta” e fez aprovar esta legislação.

A minha irracionalidade, logo loucura também, leva-me a questionar onde estão os direitos destas crianças?

Até aqui, havia as que nasciam em berços de ouro e as que nasciam em berços de palha. Agora, para além destes juntamos os berços das ilusões, e de egoísmos.

Há relativamente pouco tempo o parlamento também aprovou na generalidade uma outra “semelhante” – a lei sobre a eutanásia – morte medicamente assistida, com a diferença que uma aprova a morte e a outra aprova a vida.

O Sr Presidente da República teve dúvidas sobre esta lei, lei da eutanásia, e mando-a para o tribunal constitucional, este considerou que alguns artigos eram inconstitucionais, tendo sido devolvida ao parlamento para “correcção”.

Ao que julgo saber, o Sr Presidente da República não teve dúvidas quanto à eventual inconstitucionalidade desta lei, - inseminação pós-morte, a fim de ser incluída na lei de Procriação Medicamente Assistida (PMA).  Estamos a falar do mesmo, ou não? Numa de uma “procriação” não natural numa mulher saudável, noutra, da morte de pessoas não saudáveis, em sofrimento, com nenhumas esperanças de melhoras, antes pelo contrário e sem esperanças de vida digna. Dá que pensar, não dá?

A minha irracionalidade, consegue compreender que casais vivos, desejem ter filhos, e que sejam medicamente assistidos, se não o conseguirem naturalmente.

Estes processos, medicamente assistidos, são dolorosos e caros em termos financeiros e somos todos nós que pagamos com os nossos impostos. Não é justo nem devia ser socialmente aceite, que tenhamos que pagar os devaneios de pessoas saudáveis que poderão ter filhos de forma natural. 

A minha irracionalidade, não consegue compreender que, enquanto cidadão racional e consciente disso, não possa optar por querer morrer, por incapacidade física para o fazer, negando-me a possibilidade de socorrer-me de outros que o queiram fazer. Mas permite-me que eu procrie já estando morto. Dá que pensar, não dá?

Com esta lei querem fazer que a minha irracionalidade, racionalize que é natural que uma criança nasça passados três anos e nove meses após a minha morte só porque eu ou uma mulher assim o quisemos.

Suspeito e oxalá me engane, que por este mundo fora já haja muitas crianças nascidas de pais mortos há muito mais de três anos. Não sei se toda a legislação mundial obriga à destruição do sémen congelado, após a morte dos dadores e ainda que assim seja será que as clinicas o destroem?

A lei devia, isso sim, obrigar a que quer os óvulos e sémen fossem imediatamente destruídos logo que os dadores morressem. Não estamos em vias de extinção.

Que a Sra que promoveu esta lei e todos a que a acompanharam na sua alegada loucura, queiram ter filhos de um homem morto é um problema médico que deve ser tratado. Que outros secundem esta alegada loucura é problema da sociedade é um problema de todos nós.

Não senhores, não senhoras, nem tudo nos é permitido, ou não devia ser. Não secundo nem partilho esta loucura social.

E tu, partilhas desta loucura?

Se não concordas faz ouvir a tua voz, vamo-nos juntar e levar à assembleia da república o número de assinaturas necessário para que a mesma não seja aprovada na especialidade.


quinta-feira, 25 de março de 2021

Aceita que dói menos

Foto "furtada" de Portalegre à bruta
 Porque o tempo sobra, neste confinamento que não há meio de acabar, dou por mim sentado, à espera que o tempo se faça tempo e o confinamento se faça vida.

Nos entretanto, perco-me a navegar nas ondas do meu pensamento, cavalgando a crista ou submergindo-me nas suas brumas.

Hoje, estas ondas trazem-me à memória, uma expressão que ouvi há relativamente pouco tempo, proferida por um concorrente na altura do “Big Brother 2020”. Dizia ele: - Aceita que dói menos. Já deve ser velha como o tempo, mas nunca a tinha ouvido ou pelo menos prestado atenção.

“Aceita que dói menos” traz consigo a força do oceano indomável, que nos catapulta para a crista da onda e a tranquilidade e frescura da brisa que nos acaricia o corpo e o pensamento.

Porque rejeitamos aceitar, quando possuímos a chave que nos tranquiliza, acaricia os pensares e nos pode fazer feliz.

A luta da rejeição desgasta-nos, retira-nos a energia que tão necessária é.

Aceita que dói menos vem ainda a propósito do que nos foi dado assistir “on line” na última sessão pública da câmara municipal de Portalegre.

De entre os vários temas debatidos, vem o sempre repetitivamente “pau da bandeira” peço desculpa à Sra presidente “A rotunda de Portugal” ou “Rotunda da bandeira de Portugal”.

Já aqui manifestei a minha não concordância com a demolição do então monumento dos “dadores de sangue”.

Concordando ou não, a decisão foi tomada por quem tem competência para tal e a demolição foi efectuada. Em consequência foi requalificada a rotunda, outrora chamada de “Rotunda dos dadores de sangue”, hoje, designada popularmente, ou pelos críticos como eu de “Rotunda do pau da bandeira”, e o nome quer se queira ou não, quer se aceite ou não, já pegou… as “elites” nomeadamente a Sra presidente e eventualmente alguns dos seus vereadores/seguidores querem obrigar-nos a pensar pela sua cabeça e fazer-nos aceitar que de futuro a dita rotunda é chamada de “Rotunda de Portugal”.

Sra presidente Adelaide Teixeira, com toda a consideração e estima, lhe digo, eu já aceitei a demolição, também não tinha como não aceitar, já aceitei a nova requalificação, até aceito que está a ficar bonita, já aceitei o nome de “rotunda do pau da bandeira”. A Sra presidente, não tem como não aceitar, que eu e outros como eu, se refiram àquela rotunda como “A rotunda do pau da bandeira”. Aceite que dói menos, passará a ser conhecida com este nome e o seu, enquanto presidente de câmara, aceite ou não, estará sempre a ela ligado.

Para sua tranquilidade e concentração, empenhe-se no que é essencial, para a resolução dos verdadeiros problemas dos portalegrenses.

Ainda sobre este tema e quanto ao valor gasto com a totalidade da reformulação da rotunda não posso deixar de referir o meu sentimento de tristeza, de dor até, ao assistir à troca de argumentos entre dois Sr(s) vereadores sendo um deles vice-presidente da câmara Municipal de Portalegre. Foi deprimente, e custa-me dizê-lo, ouvir a argumentação do Sr vice-presidente, João Cardoso, esperava mais, muito mais deste senhor.

Com apoios destes, até compreendo o “desnorte”, por vezes manifestado, pela Sra presidente.

Sr. Vice-presidente e Sra presidente, aceitem que dói menos, que o custo (gastos) com a empreitada de remodelação da rotunda do pau da bandeira, foi o defendido, por defeito, como o Sr vereador da CDU esclareceu.

Tenho esperança que este assunto, seja aceite por todos por doer menos e que não venhamos a ouvir o mesmo que já nos cansa.         

quarta-feira, 24 de março de 2021

Aqui D'El Rei

A Câmara Municipal de Portalegre, tem-nos brindado e bem, assistir e participar, “on line”, os que estiverem interessados, nas duas últimas sessões públicas.

Pelo que me foi dado observar, pelo cantinho do olho, assistiram em média cerca de centena e meia de “curiosos”. Uma “multidão” comparando com os “curiosos” presentes, nas sessões presenciais. À Câmara Municipal de Portalegre, à Senhora presidente e aos Sr. Vereadores, sugiro que continuem com estas sessões, especialmente nesta fase de quase “campanha eleitoral” é uma forma simples, segura e barata de estarem mais perto de nós, cumprindo o distanciamento. Se, por outro motivo não for, agradeço à “pandemia” esta oportunidade de me ir inteirando do que se passa a nível governativo camarário e perceber que os Senhores vereadores ou alguns pouco mais sabem do que aquilo que é a voz corrente popular ou como o Sr vereador Artur Correia disse os “boatos” que correm, referindo-se à candidatura de aumento do canil/gatil de Portalegre que tenha ficado para trás, ao que parece nem a própria presidente sabe se houve alguma candidatura que não tenha andado….para além daquela que referiu. Aguardemos o desenrolar, prevejo que vão vir novos episódios.

Assistimos nestas últimas duas sessões à monopolização de praticamente todo o “tempo de antena” por parte de um Sr vereador, concretamente da CDU, o Sr vereador Luís Pargana. “Bate muito no ceguinho”, mas este, vá-se lá saber porquê, se por falta de conhecimento musical, falta de voz, ou de ouvido, não consegue cantar mais alto, e continua a fazer “ouvidos de mercador” aos seus “hinos de encantamento”.  

A determinado momento da sessão, à força de tanto bater no “ceguinho/a” este/a parece ter finalmente despertado e aí “cantou mais alto”. Tendo dito, mais ou menos, na minha interpretação:

“A rotunda dos dadores já foi

um monumento problemático,

retirava a visão aos automobilistas lunáticos.

O pau da bandeira?

Só pode ser brincadeira!

Tenha juízo e eleve o moral!

Hoje ela é, a rotunda de Portugal”.

Ah,Ah,Ah…

Nestas “batidelas” foi sugerido também que a câmara comprasse o palácio D. Nuno de Sousa, dado o valor arquitectónico das janelas manuelinas e do emblemático café alentejano. Não vou por em causa este valor, considerando até que terá um valor superior ao valor pedido pelo imóvel, pena eu ser um pé rapado, e não ter dinheiro para investir. Penso que não é necessário ser a câmara a comprá-lo para salvaguardar este valor arquitectónico. Qualquer investidor quererá salvaguardar esta “riqueza”. O problema poderá ser como o rentabilizar, já que cada vez mais é uma “cidade fantasma”. Ainda que assim não fosse caberá sempre à câmara salvaguardar esse património na aprovação das eventuais alterações a proceder na requalificação. A minha surpresa é, porque só agora o Sr vereador sugeriu esta compra, quando há já muito tempo ele está posto à venda. E depois a câmara vai comprar para fazer nele o quê? O Sr vereador que fez a “proposta de aquisição” devia também ter dito o que pensa fazer nele, já deve ter “uma ideia de investimento” sob pena de vir a ser mais um gasto sem aproveitamento. Mas quero acreditar que o Sr vereador Luís Pargana me/nos irá elucidar sobre o investimento na próxima sessão. Lembro-me que há uns tempos atrás, um ano ou mais, também houve um burburinho sobre um outro imóvel emblemático da cidade, concretamente o cine-teatro junto à igreja de S. Lourenço, o qual continua à venda.

Será que isto é demagogia?

 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Racista e Xenófobo! Eu?

 

Em que ficamos há raça ou não há raça? Confuso?

Os novos “modeladores” de pensamento

Nasci pobre e continuo pobre.

Nasci branco e de famílias brancas e continuo branco.

Frequentei escolas públicas de brancos, porque as frequentei em Portugal, onde a maioria da população era branca.

Casei com uma mulher branca e de famílias brancas e tive três filhos brancos. Um deles, já casou com uma mulher branca e de famílias brancas, embora não portuguesas. Ainda não tenho netos brancos, mas espero e desejo vir a tê-los.

Quando frequentei a escola pública de brancos, foi-me ensinado e assim aprendi, que os nativos de áfrica eram pretos e tinham o cabelo encaracolado, assim sem mais. Que os nativos da américa do sul, Brasil, por ter sido uma colónia portuguesa eram os índios e eram vermelhos. Os nativos da ásia eram amarelos. Os nativos da europa eram brancos. 

Não vou discutir se os brancos são mesmo brancos ou se são rosa. Se os pretos são mesmo pretos ou se são castanhos. Se os índios são mesmo vermelhos ou… a mim nunca me pareceram vermelhos, talvez porque nunca tenha visto um verdadeiro índio ao vivo e a cores. Se os asiáticos são mesmo amarelos ou…

O que sei é que assim nos era ensinado, hoje não sei como se ensina, e não havia discussão, talvez porque a palavra do professor era lei, talvez porque não havia pretos, não havia vermelhos, não havia amarelos nas salas de aula.

Quer queiramos ou não, a cor da pele é uma característica física que nos distingue, entra pelos olhos adentro de qualquer um de nós.

Porque é que eu sou racista e xenófobo só porque sendo branco digo ele(a) é preta, vermelha ou amarela. Não consigo entender.

Porque é que eu sou racista e xenófobo só porque sendo inteligente digo ele(a) é burra. Não consigo entender.

Porque é que sou racista e xenófobo só porque sendo bonito digo ele(a) é feia. Não consigo entender.

Porque é que sou racista e xenófobo só porque sendo magro digo ele(a) é gorda. Não consigo entender.

E podia continuar a lista seria interminável.

Ah! Pois claro! Porque o eu ser inteligente, ser bonito, ser magro é uma característica minha e eu sou livre de me caracterizar como bem entender. Já não sou livre para caracterizar os outros, isso já é ser racista e xenófobo. Pois claro.

Para lembrar ou fazer aprender os burros de hoje que se acham sabedores, os verdadeiros racistas e xenófobos e os actuais moldadores de consciências e fazedores de alteração da história fiquem sabendo, que o ser humano é o único ser vivo na terra que classifica tudo. Para os distinguir, no que são distintos e para os igualar no que são iguais. É racista e xenófobo por natureza e inteligência. Eu e tu, branco, preto, vermelho, ou amarelo somos racistas e xenófobos.

Assim, criou aquilo a que chamou classificações taxonómicas da vida.

Claro que não vou entrar numa “aula” de ciências porque para além de extensa, esse não é o objectivo e porque não tenho gabarito para tal. Apenas lembrar os que se esqueceram ou nunca chegaram a aprender.

Reino: a mais ampla das classificações taxonómicas tradicionais. Separa os seres vivos em categorias mais gerais e inclusivas – Amimalia, Platae, Bacteria.

Filo: Agrupamento amplo que divide os membros de um reino em categorias de acordo com certas semelhanças estruturais e genéticas mais gerais. – Chordata, Magnoliophyta, Proteobacteria.

Classe: Agrupamento médio que divide os membros de um filo em categorias mais específicas de acordo com plano corporal, ancestralidade comum etc. – Mammalia, Magnoliopsida, Gamma, Proteobacteria.

Ordem: Agrupamento que divide os membros de uma classe em subgrupos, cujos integrantes apresentam características específicas e definitivas e têm ancestrais em comum. O nome geral de um grupo de animais vem da sua ordem. Por exemplo: os membros da ordem dos Primatas são conhecidos como “macacos” – Primates, Rosales, Enterobacteriales.

Família: Agrupamento relativamente específico que divide os membros de uma ordem em conjuntos lógicos de organismos relacionados uns aos outros. Na nomenclatura em latim, os nomes das famílias costumam terminar em “ae” – Hominidae, Rosaceae, Enterobacteriaceae.

Género: Agrupamento específico que divide os membros de uma família em subgrupos compactos de organismos bem parecidos. Quase todos os membros de um género são descendentes directos de um único ancestral comum. O nome deles compõe a primeira parte do nome científico de um organismo e sempre é escrito em itálico e com a inicial maiúscula. – Homo, Rubus, Escherichia.

Espécie: A classificação mais específica de todas. Refere-se a um grupo delimitado e exacto de organismos, que são idênticos em termos de morfologia. Somente membros de uma mesma espécie são capazes de procriarem. O nome deles compõe a segunda parte do nome científico de um organismo e sempre é escrito em itálico e com inicial minúscula – sapiens, rosifolius, coli

Perante esta extensa exposição, o ser humano é um animal como todos sabemos, logo pertence ao reino Amimalia. Ao filo Chordata. À classe Mammalia (mamífero). À ordem Primates (Primatas). À família Hominidae. Ao género Homo. À espécie sapiens.

Diz-nos a ciência que os indivíduos da mesma espécie têm aparência semelhante e podem cruzar e procriar somente com indivíduos da mesma espécie. A ciência diz-nos mais, diz-nos que mesmo pertencendo à mesma espécie, dois animais podem ter aparências distintas e dão como exemplo: o Chihuahua e o golden retriever são bem diferentes um do outro, mas ainda pertencentes à mesma espécie.

As espécies ainda podem ser divididas em sub-espécies ou raças e por isso os Chihuahua e os golden retriever são de raças diferentes. O sapiens que tudo classifica, não teve a coragem de se “raçar” a si próprio, mal a meu ver, mas quem sou eu para fazer tal afirmação. É por demais evidente que o sapiens também tem raça, goste-se ou não. Queira aceitar-se ou não. Porque o sapiens não teve essa coragem logo cientificamente a raça não existe, vou centrar-me apenas na espécie. Diz-nos a ciência que mesmo pertencendo à mesma espécie dois animais podem ter aparências distintas.

É disto mesmo que se trata, dois animais pertencendo à mesma espécie “sapienspodem ter e têm aparências diferentes. Uns são brancos com olhos azuis e cabelos loiros. Outros são brancos com olhos castanhos, pretos ou o que seja. Outros são pretos com olhos azuis e cabelo em carapinha. Outos são pretos com olhos castanhos e cabelo em carapinha, Outros são vermelhos com cabelo preto luzidio. Outros são amarelos com os olhos em bico.

Só porque eu faço salientar uma destas aparências quando me refiro a um individuo desta espécie e refiro preto estou a ser racista e xenófobo. Um preto referir-se a mim como branco já não é racista nem xenófobo, está a lutar pelos seus direitos. Se eu disser que um Islandês é branco de olhos azuis já não sou nem racista nem xenófobo. 

Com tudo isto, há uma dúvida que me assalta o pensamento. Se a classificação taxonómicas do sapiens (seres humanos) termina na espécie não a levando até à sub-espécie ou raça porque é que eu sou racista se me fico na espécie.

(vou voltar a este assunto na próxima publicação)