sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

A minha ignorância


Santa ignorância a minha
 Não sou letrado, tampouco, ou será tão pouco, ou tão-pouco, literato, mas sempre gostei de escrever. A revelação da minha ignorância nem sequer se ia referir a esta ou outras palavras/expressões. Ela apenas surgiu, porque ao escrevê-la, deparei-me com estas três formas e fiquei na dúvida/ignorância de qual deveria utilizar.

A ignorância de que quero falar é bem mais simples, ou não e que supostamente deveria estar aprendida, refiro-me à pontuação e mais concretamente à (,) – vírgula.

Todos sabemos a importância que a vírgula tem num texto ou numa frase. A sua colocação modifica por completo o sentido dessa frase.

Em tempos “remotos”, aprendi ou foi sempre esta a ideia com que fiquei que a (,) é para ser utilizada para fazer uma ”paragem”. Para respirarmos. Sempre que parar utilize uma (,). Mas será mesmo assim? Talvez não, já que cada um de nós fala de maneira diferente, usa pausas diferentes e basicamente decide como falar. Apesar disso, devemos ter cuidado, pois somos julgados pelo modo de falar e sobretudo escrever.

Mas não podemos simplesmente decidir onde tem e onde não tem (,). Ela tem poder demais para ser arbitrária.

Talvez por isso, não encontramos na obra de José Saramago uma (,) assim, deixa-nos o livre arbítrio de a colocarmos onde entendermos.

Apendi, ou assim penso, que numa frase há a oração principal, não tem a ver com reza, e as orações subordinadas.

A oração principal é composta pelo sujeito, pelo predicado e pelo complemento directo. Mais tarde mercê da modernidade, estes vocábulos passaram a chamar-se de sintagma nominal, sintagma verbal e sintagmas adverbiais, corrijam-me se estiver a induzir os incautos em erro.

Uma oração principal seria do tipo – O João comeu o bolo. A(o) professora(r) diria: João classifique sintaticamente esta oração. O João que dominava esta matéria a cem por cento, sem hesitar e com a certeza de exitar, respondia:

- O João é o sujeito (sintagma nominal).  Predicado comeu (sintagma verbal).

 Depois, interiormente, fazia a pergunta aos seus botões, comeu o quê? E respondia. Comeu o bolo. Concluía então o bolo é o complemento directo.

Com ar de superioridade respondia perante o ar incrédulo dos companheiros:

- “O bolo” complemento directo.

Até aqui parece-me que está tudo bem ou será que não? Começa a minha ignorância. Onde deveria ter colocado as (,)?

Refiro-me não só à frase “ o João comeu o bolo” mas a todos os períodos atrás escritos.

Sempre aprendi que o sujeito não se separa por (,) do predicado nem do complemento directo.

A verdade é que já vi por estas “paginas” do facebook e escritas por professores(as), de português,  e estes que me desculpem, frases deste tipo (oração principal) “o João, comeu o bolo” “ o João, comeu, o bolo”.

Apendi, ou assim penso que o “e” – i substitui a virgula e que regra geral, não se coloca uma (,) antes a um “e” e depois do “e” coloca-se?, como vejo com muita frequência a (,) antes e depois de um “e” fico na ignorância. Ao que aprendi a (,) só se utiliza antes de um “e” –i,  quando a frase depois do "e" fala de uma pessoa, coisa, ou objecto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Exemplo “o Sol já ia fraco, e a tarde era amena”.

E quanto à colocação da (,) antes e depois da palavra “que” é de colocar ou não? Antes ou depois?

Já vi de todas as maneira, sem nenhuma (,) antes da palavra “que” com (,) antes e depois da palavra. O “que” é apenas um exemplo, podíamos falar também das palavras “mas”, “porém”, “contudo” etc.

A minha ignorância leva-me a questionar se coloquei todas as (,) no lugar certo. Se coloquei demais ou de menos.

A ignorância leva-me a pensar e talvez decidir que daqui para diante passarei a escrever todos os meus textos sem (,) à semelhança do galardoado com o prémio Nobel - José Saramago. Se ele pode porque não poderei eu? Assim tudo ficará mais simples.

 

Santa ignorância a minha

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Onde está a voz de S. Exa o Presidente da República

 

Será também ele, um taliban? 

Em 2001, há uma “eternidade”, o mundo assistia à destruição, por parte dos talibans, das estátuas budistas pré-islâmicas, algumas com mais de dois mil anos.

O decreto do “mullah” Omar, líder dos talibans, explicava que a sua decisão era uma “ordem do islão”, porque as estátuas podem tornar-se objecto de culto e a lei islâmica não permite a adoração de imagens. O líder taliban esclareceu depois que se não forem objecto de culto, então as estátuas não passam de pedras e podem ser destruídas. “Nada me importa a não ser o “islão”, frisou o “mullah” Omar.

O director geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, pediu "encarecidamente" aos taliban que não destruam os monumentos pré-islâmicos e que façam tudo para proteger este "património cultural único". "Os autores deste acto irremediável assumem uma terrível responsabilidade perante o povo afegão e perante a História", avisou Marsuura.

Narro este pequeno lapso de tempo, da história mundial recente, porque infelizmente, os “taliban” não existem apenas no Afeganistão ou nos países árabes. Estão entre nós, cruzamos com eles diariamente e têm nomes. Eu chamo-lhes escumalha. Esta escumalha apenas quer que “adoremos” o seu próprio “culto”.

Nestes dias, temos ouvido umas vozes, desta escumalha, que avogam a destruição dos símbolos da nossa história, sejam eles os brasões das ex províncias ultramarinas e pasme-se o Padrão dos descobrimentos. As pessoas sábias, na sua impotência de compreensão, provocam estes talibans a destruírem também, o mosteiro dos jerónimos, a praça do império, o mosteiro da batalha e sei lá, digo eu, destruam todos os monumentos nacionais, que alguns pela sua dimensão histórica são mundiais. Eu porque sou alentejano de Elvas e só conheço o meu “quadrado”, provoco que se proceda à destruição das muralhas de Elvas, do aqueduto da amoreira, do forte da Graça, dos fortins, das igrejas. Em Portalegre, cidade onde resido, arrasem-se os conventos, os solares, as fábricas. Ah! Pois, já se começou a arrasar, as fábricas, o jardim da Corredoura e o monumento de homenagem aos dadores de sangue já foram o que se vai seguir?… Para que é que queremos tudo isso em pé se só nos lembra uma história de desgraça, de escravidão e de guerras. Pensam estes talibans do nosso Portugal que, ao destruírem-se os monumentos, porque são pedras, destrói-se a memória. A memória e a história vivem na nossa mente e a menos que se destruam todas as mentes a memória e a história permanecerão.

À parte isto, estes taliban portugueses, até podem ser presidentes de câmara, vereadores, ex-governantes, deputados na assembleia da república que não passam de criminosos, repito criminosos e políticos de merda, repito, políticos de merda. Se eu ou tu simples cidadãos, destruirmos um banco de jardim público, somos considerados e bem, criminosos e seremos julgados por isso. Porque é que esta escumalha/talibans são considerados heróis ao destruírem a nossa memória histórica.

Onde está a voz do Sr presidente da república? Este Sr, habituou-nos a ouvir os seus comentários sobre tudo e nada e muitas vezes é mesmo nada. Porque é que ele ainda não levantou a sua voz e diz de uma forma clara “porque não se calam com essas bacoradas”.

Será também ele, um taliban?     


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Dona Sebastiana "A desejada"

A Lenda irá rezar assim:

Decorria o final do ano, Setembro/Outubro, de 2021. O concelho de Portalegre vinha definhando há já várias décadas, acentuando-se o seu declínio nos últimos dez anos. A vice-presidente, Adelaide Teixeira, assumia, a meados de 2011, o destino de “afundanço” do concelho e em especial o da cidade de Portalegre e dos que nela habitam, por renúncia, do até esta data timoneiro, Mata Cáceres. Ainda estão por desvendar os motivos desta renúncia, apenas se sabendo que foram “motivos pessoais”.

A nova timoneira, sentido a falta de lastro, lá foi equilibrando a embarcação, embora nunca a tenha conseguido fazer mexer.

Timoneira que se preze nunca abandona a embarcação, nem que esta afunde. Decorria o final do ano de 2013, altura em que as timoneiras(os) fazeram novas promessas que, desta vez é que iam fazer andar o navio. Os “escravos” da embarcação, acorrentados, mãos nos remos, remavam, remavam, rematavam, mas infelizmente, quanto mais remavam mais se afundavam.

A timoneira sabia da continuação da falta de lastro e sabia que não podia “assaltar” outras embarcações, bancos, por um lado, porque não se conseguia mexer, nem tinha quem a ajudasse, e por outro, enquanto não se visse livre do peso excessivo, dívidas, que tinha herdado. Não há embarcação que aguente os temporais e cada vez mais se afunda.

Como marinheira que é, tudo fez para se manter à tona, mesmo que a embarcação se despregue e arraste para o fundo do mar muitos dos seus marinheiros, haverá sempre uma tábua a que se poderá agarrar e mantê-la com o nariz de fora. E foi assim, em 2017 nova tábua surgiu, prometeu que a embarcação já se tinha desprendido do peso excessivo e que já podia adquirir lastro. Desta é que a embarcação iria navegar.

Dada a sua dimensão, a embarcação foi cobiçada por outros marinheiros, vindos até de outras naus, que já não podiam timonear. Os “escravos”, como servos que são e por acreditarem em falsas promessas, deram de novo o leme à timoneira.   

Quatro anos decorreram no afundanço do navio, mas eis que, quando só já se via a ponta do mastro, a timoneira coloca lá a bandeira. Os “escravos” regozijaram acreditando na salvação da embarcação.

Fevereiro de 2021, alguns “escravos” são acordados, através de uma moda em voga na altura, “redes sociais” que uma nova timoneira “Dona Sebastiana”, Fermelinda Carvalho, "A desejada" vinda de outra nau, a navegar na proximidade das mesmas águas, vai querer ser a nova “Comandante” desta embarcação.

Os escravos ficaram eufóricos com tal notícia. Era vê-los a babarem-se nas redes sociais da altura.

Dona Sebastiana a “desejada” está a chegar.

Porque as regras de timonear este tipo de embarcação, proíbem que os timoneiros(as) o façam por mais de quatro “timonereiros”, palavra inventada agora, para dizer mandatos seguidos, como “bons” timoneiros que são, logo inventam forma de contornar tão grande obstáculo surgido no meio do mar e vai daí dizem que a regra que os proíbe se cinge à mesma nau, não se aplicando a outras. Pérfidas mentes que assim pensam. Só revelam que o que lhes interessa é a sua própria salvação e não a da embarcação.

Setembro/Outubro de 2021 foi desencadeada a “batalha”. Apresentaram-se vários timoneiro e timoneiras para a naufragada embarcação. Foi uma batalha de “Titãs” onde apenas um sobreviveu. Do “galeão” já não há vestígios, afundou-se completamente.

As “naus” que navegavam nas mesmas águas, catorze no total, apoderaram-se dos despojos daquele que pretendeu ser um “galeão” mas que nunca foi, juntaram os lastros e deram início à construção de uma super embarcação que designaram “Juntos temos mais poder”.  

 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Passeio do Covid 19

 

Apesar do número de infectado com o covid 19, eu diria covid 21, dadas as muitas “camuflagens” que já adoptou, estar a diminuir por força deste aprisionamento a que somos sujeitos, o número de internamentos em cuidados intensivos, mantém-se ou está ligeiramente acima da média dos piores dias.

Com receio que este número venha a aumentar, e colapsar o serviço nacional de saúde, o governo contactou, a Comissão Europeia, ou eles se disponibilizaram nem sei bem, a pedir colaboração para o internamento e tratamento de infectados de covid 19 nesses países.  

O Luxemburgo a Áustria e a Alemanha prontificaram-se a ajudar Portugal na pior fase da pandemia. A Alemanha juntou a acção à palavra e enviou no dia três de fevereiro uma equipa militar de saúde constituída por médicos, enfermeiros e material diverso.

Naturalmente que, como cidadão europeu, fico muito satisfeito por ver esta empatia, ou seja, que haja “união europeia” na Comunidade Europeia.

Ao constatar este facto, ajuda europeia, atravessa-se no meu pensamento uma dúvida.

O nosso sistema de saúde é constituído pelo serviço público/Serviço Nacional de Saúde (SNS) e serviço privado de saúde. O serviço privado de saúde é uma concessão dada pelo estado/governo, que somos nós, aos investidores na doença. Investidores! ok, logo querem o maior ganho possível.

A minha dúvida reside exactamente aqui, no ganho. Porque é que o serviço privado de saúde não se disponibilizou a ajudar o serviço nacional de saúde. Dito de outra forma porque é que o estado/governo não contactou os hospitais privados antes de ter contactado e pedido ajuda ao estrangeiro? Se contactou porque não obteve essa disponibilidade? Por uma questão de ganho, dirão alguns. A minha dúvida persiste, se o estado/governo pagasse o mesmo valor do tratamento de um doente do SNS ao serviço privado este perdia ou ganhava dinheiro?

Sendo o vencimento dos médicos, dos enfermeiros e outros profissionais nestes países, superiores aos dos portugueses, é certo que se forem doentes para o estrangeiro o custo da hospitalização/tratamento terá de ser pago a esses países, para além do transporte. A dúvida persiste, todo este custo não é muito superior ao que viesse a ser pago no serviço privado? E se um doente morrer nesse país quem paga a transladação do corpo, os familiares ou o estado?

Nestes custos já nem estou a avaliar os custos “não patrimoniais”. Os custos de se sentirem abandonados ao “seu destino”.

Dentro da mesma política assistimos já ao transporte de doentes do continente para as ilhas. Já esgotámos toda a capacidade hospitalar no continente? Mas que raio, só gente idiota, se não há vaga nos cuidados intensivos do SNS requisite-se/obrigue-se o serviço privado a disponibilizar vagas, esse serviço apesar de privado é nosso, funcionam por concessão nossa.

Se podemos pagar menos porque pagamos mais? Não devemos ser convenientemente informados da política destas opções?

Sei que a minha voz não vai chegar aos locais próprios, ainda assim, não deixo de exigir essa explicação.

Há por aí alguém que me explique?

A única explicação que vejo, para além de todos estes negócios escuros à semelhança das PPP é dar lucro à TAP, se outras transportadoras aéreas não se adiantarem…

Ai país país, em que mãos foste calhar...


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Plátano sempre Plátano

(foto Rádio Portalegre)

Tenho o maior respeito, pelos mais velhos, sempre tive, foi assim que fui educado. Naturalmente que a boa educação, a consideração e o respeito não se esgotam nos mais velhos. Todos e tudo deve ser respeitado e aqui se incluem as pessoas, os animais e a natureza. E a fé de cada um.

No final do ano passado (novembro 2020) decorreu uma votação para eleger a árvore portuguesa de 2021. Foi “eleita” como árvore do ano o Plátano do Rossio. Já no ano anterior, a mesma árvore tinha ido a votos, tendo sido preterida em relação a outra.  

Este ano está a decorrer até ao dia 28 de fevereiro a votação para ser “eleita” como a árvore europeia do ano de 2021. “Tree of the Year 2021”.

Tem sido feita uma boa campanha a favor “desta causa” inclusive pelo Município de Portalegre, outra coisa não seria de esperar.

Tendo já o Plátano do Rossio, sido eleito como a árvore portuguesa de 2021, tem direito a letras maiúsculas, pela sua longevidade, estranho que a sua “eleição” ainda não tenha trazido nada de novo de benefício à vida dos portalegrenses, tão pouco à sua envolvência física, já que constitui um perigo andar naquelas “ondulações de terreno”.

Claro que tenho a esperança e o desejo de a ver eleita como “Tree of the Year 2021”.

Com esta eleição, tenho a certeza, senão não desejava tanto, que a vida dos portalegrenses vai rodar 180 graus e vai melhorar. O próprio executivo municipal aposta todos os seus trunfos, já prevendo a sua substituição.

Também não é de ficar indiferente, vamos ter nos “comandos do município” uma Senhora de cento e oitenta e três anos, felizmente continuamos com uma senhora, ao que dizem são mais sensíveis a avaliarem a natureza humana, detentora dos maiores segredos de Portalegre, imagino os desabafos que já ouviu, por isso conhecedora das necessidade e anseios dos portalegrenses.

Desta é que Portalegre vai sair do mapa dos pequeninos e entrar no mapa dos grandes, mapa mundial entenda-se.

E porque desejo muito esta eleição vota.

https://www.treeoftheyear.org/vote

  

domingo, 31 de janeiro de 2021

Quem parte e reparte...

“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é burro ou não tem arte”.

Sendo o povo sábio, porque se comporta como burro? teimoso em não ver ou não querer ver.

Os meios de comunicação social, atiram-nos diariamente pelos olhos e ouvidos adentro, as falcatruas e faltas de carácter dos que nos (des)governam.

Sou do tempo em que fui ensinado que, o crime não compensa. Isso fazia-nos acreditar, que mais tarde ou mais cedo seríamos apanhados e punidos.

Tenho de admitir que fui mal ensinado, pai, mãe, família, professores, amigos, vizinhos, ensinaram-me mal, deviam pedir-me desculpa. Infelizmente muitos de vós, a maioria, já não poderão fazê-lo, por já terem partido para um lugar, onde, ainda quero acreditar isso seja possível.

Todos vós já não poderão pedir-me desculpa, mas eu, ainda vou a tempo de pedir desculpa e perdão aos meus filhos, por também os ter enganado e tê-los feito acreditar na justeza dos homens e que o crime não compensa. Filhos, compensa sim.

Foram estabelecidos critérios para a vacinação do covid 19, poderemos não estar todos de acordo, mas sendo estes os estabelecidos, eram para ser respeitados por quem tem em primeira linha obrigação de cumprir. Pois são estes mesmos os primeiros a prevaricar e a escolher para si a vantagem, os outros que se f….

Quando pretendemos desejar algum mal a alguém e com medo de que esse mesmo mal nos caia em cima, dizemos: - “que Deus me perdoe”.

Eu não vou pedir o perdão de Deus e vou mesmo desejar, com toda a minha convicção e força mental que, todos os que furaram as regras repartindo para si o melhor ou primeiro quinhão, que o mesmo é dizer tomaram a vacina antes do que deviam sejam os primeiros a morrer, não tenho medo das palavras, morram imbecis, não fazem cá falta nenhuma, são só mais um número a aumentar aos infortunados que já partiram e esses sim, sem culpa nenhuma.

Já que não posso fazer justiça de outra forma que a força do meu pensamento e desejo se concretize.

É triste ter que reconhecer que o crime compensa de tal modo que não bastou terem levado a primeira dose por intermédio de falcatrua estejam já preparados para levarem a segunda.

Se não morreram na primeira toma que morram na segunda.

Talvez esta seja a forma de aprendermos a respeitar o outro.

O quanto eu gostava de vir a saber que, nem que fosse apenas um, dos que tomaram a vacina “indevidamente” tivesse morrido.

Passava a acreditar em Deus novamente.

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

A Minha primeira vez ( parte II)


(continuação do "blog" anterior) 

Sempre fui tímido e introvertido, mas, ao mesmo tempo, com muita vontade de me desafiar e experimentar o “desconhecido”.

Nunca me considerei um aluno cábula, porque nunca o tinha sido até então, por medo, mas sentia uma vontade “ENNOORMME” de experimentar.

Por esta altura, 1971, havia um “expert” na matéria, ou pelo menos eu assim o considerava. Não havia teste em que o meu amigo António Pinto não “cabulasse”, desculpa Pinto a confissão, mas prometi contar. Normalmente o Pinto ficava na ala à minha direita e mais ou menos ao meu lado, embora com distância. Assim que os professores distribuíam os enunciados dos testes, era vê-lo a puxar da(s) cábula(s) e pô-las em cima da mesa. Eu tremia cada vez que via aquilo. Ele impávido e sereno. Copiava o que tinha a copiar, não era o único, mas é dele que eu me lembro porque foi ele o “culpado” da minha primeira vez.

Quando terminavam os teste e já fora da sala, perguntava-lhe como é que ele tinha coragem de puxar pela cábulas e coloca-las em cima da mesa. Ele, como ainda hoje é, calmo, sereno e bem disposto, dizia-me: - Isidro, ao contrário do que os professores dizem, nós podemos copiar, eles é que não podem ver. Assim de simples.

Tantas vezes vi aquela destreza que, um dia decidi experimentar também a “ minha primeira vez”.

Também eu fiz uma cábula, não foi a primeira, mas foi a primeira que utilizei.

Uma pequena folha de bloco do tamanho da palma da minha mão, escrita a lápis, com letra muito pequenina, como deve ser uma boa cábula, para caber o máximo possível. Matéria: lei de Ohm, Lavoisier e outras que na altura se estudavam. Sabíamos que estas leis viriam no teste, propositadamente não as “encornei”, termo por nós utilizado e penso que ainda em utilização pelos estudantes de hoje. Queria ter a coragem de me inaugurar na “minha primeira vez” e sabia que esta seria a única maneira, tinha consciência que se não conseguisse era “nega” no teste.

A sala do “teste” para além da descrição feita anteriormente, tinha um enorme estrado junto do quadro onde se situava a secretária do(a) professor(a). Dessa secretária era visível toda a movimentação da sala por mais imperceptível que parecesse ser.

A professora Elvira Barroso, como sempre, percorreu a sala distribuindo os enunciados do teste. Logo que recebi o meu, estando ela de costa para mim, e na distribuição do enunciado seguinte, enchi-me de coragem, meti a mão no bolso do casaco e tirei a cábula. Ela continuou na distribuição dos restantes. Logo que terminou a distribuição, como era seu hábito, sentou-se à sua secretária a corrigir os testes da turma anterior. Normalmente os testes eram os mesmos, porque eram feitos a seguir umas turmas às outras, sem qualquer hipótese de conversarmos antes sobre o que vinha no teste.

À minha frente estava um colega que vestia capote, braços abertos a escrever, o que significava, encobrir-me de alguma forma, da visibilidade da professora.

Fiz o que sabia fazer, os problemas especialmente, tendo deixado para o fim as definições, o mesmo é dizer as “leis”.

Com a cabeça inclinada sobre o teste, olhei de soslaio, para aferir a posição da professora. Continuava sentada à secretária a corrigir testes.

A cábula que já estava na mão desde o início, coloquei-a no tampo da mesa, junto ao teste e do lado esquerdo. Copiei todas as definições. Estava tão “seguro de mim” que até me esqueci da professora, quando de repente, me apercebi que ela estava a caminhar em direcção a mim.

O medo foi tanto que o “climax” foi atingido. Não, não aconteceu o que estão a pensar, mas podia ter acontecido…

Assim que me apercebi que a professora estava a um passo de mim, coloquei a mão em cima do papel e fechei-a. O papel cantou: - rahahrahh!

Pensei, já foste apanhado, com o barulho que o papel fez. Atingi o “climax” as minhas pernas tremiam, que nem varas verdes. Os pés estavam assentes nas travessas da mesa, não chegavam ao chão, olhei para os meus joelhos e só os via subir e descer, a minha mão direita tremia visivelmente. Concentrei-me, implorando calma a mim mesmo. Deixei de escrever, fingindo que estava a ler o que acabara de escrever, finquei o bico da caneta na folha do teste, com toda a minha força a fim de parar de tremer, fiz mesmo um buraco na folha de teste. Finquei os pés na trave da mesa quase pondo-me de pé para que os joelhos parassem de subir e descer. Não conseguia parar de tremer. Como já tinha terminado o teste, decidi entregá-lo de imediato e sair da sala. Felizmente não fui “apanhado”, a professora não percebeu nada, não percebeu mesmo, porque se tivesse visto o mais leve indício de copianço, imediatamente me tinha retirado o teste, anulando-o e mandando-me sair da sala. Já tinha assistido a expulsões em outros testes.

Não se brincava com a professora Elvira Barroso nem com qualquer dos outros.

E pronto esta foi a “minha primeira vez”, estavam à espera que vos contasse o quê?
Aguardo a vossa primeira vez

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A Minha Primeira vez (parte I)

 

Depois de muito reflectir, porque não é um tema fácil, decidi contar “A minha primeira vez”.

Há uma primeira vez para tudo, inclusive para falar sobre essa primeira vez…

Porque envolve outras pessoas, ainda hesito, mas vou contar, com nomes e lugares. Espero que os “protagonistas” não me levem a mal.

Estamos no século passado, ano de 1971, cidade de Elvas, tenho treze anos, frequento o liceu de Elvas.

O liceu de Elvas funcionou, no andar superior do museu e biblioteca municipal, sito no largo do colégio, salvo o erro até 1976/77, ano em que foi extinto, passando os alunos a frequentarem a recém baptizada Escola Secundária de Elvas até então baptizada como Escola Industrial e Comercial de Elvas.

Neste tempo, as turmas eram sectárias, masculinas ou femininas, embora já houvesse uma turma mista. Pertencia à turma B que era masculina. A A era feminina e a C mista.

“A minha primeira vez” acontece em plena sala de aula, melhor dito, num teste de físico-quimica. – Anhanhh! Verdade, eu conto.

Cada turma, tinha a sua sala própria, onde eram ministradas todas as disciplinas, com excepção da disciplina de desenho e elaboração de testes.

Na sala de desenho, as mesas eram individuais, na boa verdade eram estiradores de desenho. Estas mesas como sabemos são altas, para se poder desenhar de pé, eram acompanhadas por cadeiras também altas. Apesar de estarmos antes do vinte e cinco de abril de 1974, cada um de nós já tinha a “liberdade” de escolher o local, mesa onde queria ficar. Os professores normalmente aceitavam estas escolhas havendo um ou outro que, de vez-em-quando trocava tudo.

Escolhia sempre o mesmo local, sensivelmente a meio da sala, mas mais próximo do quadro. Era sempre a ala encostada à parede do lado esquerdo, com janelas que davam para o largo do cine-teatro “S. Mateus”.

É inverno, uma sala enorme e fria, mas cheia de calor humano, seriamos aí uns trinta ou talvez um pouco mais, já não me lembro com exactidão, a designada sala de desenho.

Já imaginaram, a primeira vez dar-se num teste de físico-quimica? Trinta e tal alunos e a professora Elvira Barroso. Verdade, a minha primeira vez foi com a professora Elvira Barroso e a “culpa” foi do meu amigo António Pinto, sim foste mesmo tu, António Pinto, o culpado de tudo isto, já não te lembras? Pois eu não me esqueci.

(o resto segue no próximo “blog”)


quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A falta de tomates

 

Às 00h00 de hoje dia 15/01/2021 entramos em confinamento.

Mas o que é o confinamento?

O dicionário esclarece-nos:

Acção de prender, de cerrar ou isolar; isolamento: Confinamento de gado.

Estado ou condição do que ou de quem se encontra preso, cercado e impossibilitado de sair: bois criados em confinamento.

Processo de criação de animais que consiste em cercá-los por construções fechadas, sem acesso ao exterior.

Condição da pessoa que opta por se afastar do convívio social, permanecendo sem contacto com o mundo exterior; clausura: freiras em confinamento.

Esclarecido?

Eu não.

Não admira que esta gente que nos (des)governa nos “obrigue” a “confinar”, para eles e elas não passamos de “gado”.

Até quando estamos dispostos a aceitar este tratamento?

Faltam-nos “tomates”, como os dos bois, para dizer basta.

Mas que dizer, da falta de tomates dos (des)governantes, para assumirem que o que decretaram não é nenhum confinamento, mas sim uma c… (cloaca), onde tudo entra e sai.

Tenham tomates e assumam ao que vêm.

É um confinamento “para inglês ver”, apenas para não assumirem, a responsabilidade dos actos que cometem e com a continuação destas medidas, quando “isto for de mal a pior”, nos poderem atribuir a responsabilidade.

- Afinal a culta é tua que não confinaste.

Mas que confinamento?

Acabo por não saber se estou “obrigado” a confinar ou não. Mas, como gado, não tenho que entender, a minha função é pastar, no campo mesmo, esquecer os restaurantes e cafés, para me tornar num grande touro para ser abatido quando eles assim decidirem, não por excesso de “matadouros” mas por “excesso de pastagens” e falta de cuidados de saúde.

Já não há tomates como os de antigamente.


domingo, 10 de janeiro de 2021

“Concurso” público à ocupação de lugar a vagar


 “A minha visão” 
(já estou a ver o Miguel Sousa Tavares e a TVI a acusar-me de “copianço” ...)

É cíclico, de cinco em cinco anos, o lugar do mais alto magistrado da “nação” – Presidência da República fica “vago”. Vago, vago, nunca fica, nem pode ficar. Para isso é aberto “concurso público” só que neste caso nacional. A este concurso público só podem concorrer cidadãos nacionais, entenda-se, que sejam portugueses, maiores de trinta e cinco anos e que se julguem aptos/capazes a desempenhar tão elevado cargo.

A este concurso respondem normalmente mais ou menos uma mão cheia de pessoas, nunca ultrapassando as duas mãos cheias.

Sendo o “caderno de encargos” “escasso” e não muito detalhado nos pormenores ei-los a degladiarem-se sobre o que farão enquanto presidentes da república.

Para que se saiba o “caderno de encargos” está previsto no “concurso público” há muito publicado, ver título II, capítulo I – Estatuto e Eleição nos artigos 122º a 132º e sobretudo o capítulo II - Competência nos artigos 133º a 140º.

Fico pasmo, ao ver nos “supostos” debates televisivos dizerem “vou cumprir a constituição” mas o contrário seria de esperar? Bom, se calhar a novidade estaria aí, haver um candidato que dissesse, - eu não vou cumprir o “caderno de encargos” e vou ganhar o “concurso”. Isso sim, seria “giro de assistir.

Verdade que há um candidato que quase se atreve a dizer isso, e vai daí…está a cair em desgraça no seio dos outros concorrentes e seus adeptos, mas também e cada vez mais tem um leque bem grande e em crescimento de adeptos, porque será?

Não me quero pronunciar sobre nenhum “concorrente”, chamo-lhes concorrentes propositadamente, e não candidatos porque, para ser candidatos, tinham de simbolizar a pureza coisa que anda muito afastada destas pessoas. São concorrentes porque representam os mesmos produtos/serviços, no fundo os produtos/serviços dos partidos políticos que representam ou que os apoiam, sendo os partidos políticos por si só concorrentes.   

O que vemos nestes debates/entrevistas?

Por um lado, o ataque pessoal, literalmente, quer o ataque dos entrevistadores aos concorrentes quer o ataque entre eles. Do que nos é dado apreciar não há verdadeiramente um debate de ideias. A competência do presidente da república está consignada no “caderno de encargos” – Constituição da Republica Portuguesa. Do meu ponto de vista as ideias que trauteiam são as de “substituição do governo”, lá chegaremos, para isso, sugiro, que concorram às eleições legislativas…

Apesar de haver perto de duas mãos cheias de “quase nada”, de concorrentes, é suposto “advinhar” e eu como todos vós, mesmo os concorrentes e quem os apoiam, temos tanta certeza de quem vai chegar a primeiro lugar, que não temo, arriscar o meu dedo mindinho, a como vou acertar. Apenas houve um interregno nos abraços e beijinhos e não por vontade própria, mas porque a isso foi forçado. Felizmente está aí a vacina de combate ao “covid 19”, logo, logo estão aí os beijinhos e abraços.

Já que há pelo menos, um concorrente que vai propor a alteração ao “caderno de encargos” – Constituição da Republica Portuguesa, eu também faço a minha.

- Que os mandatos sejam de dez anos e seja único, assim evitávamos desperdício de tempo e perca de dinheiro.