Já estou naquela idade, digamos que, na de sopas e descanso.
Mas, a teimosia de pensar que ainda sou novo, e que ainda tenho muito para dar,
levam-me a querer fazer ainda, muito mais por mim e pelos outros. Estou a dizer
que continuo a trabalhar, não renumerado, talvez porque, acredito convictamente
que o trabalho dá saúde, ou pelo vício ou gosto de trabalhar, ou porque nunca
soube o que foi o desemprego. Tiveste sorte. Dirão alguns. Contraponho, tive e
ainda tenho querer e crer, porque sei que ainda quero, como sempre quis,
trabalhar, e porque creio que, isso me faz bem. Podia se quisesse, não
trabalhar, felizmente, tenho uma situação financeira estável e o necessário
para ter vida familiar confortável, sem sobressaltos. Sorte? Não tive, nem
sorte nem azar. Tive e tenho uma vida onde aproveitei as oportunidades, onde aprendi com os erros, com as adversidades e com os sucessos, pensando em mim e nos outros. Tive e tenho uma vida de trabalho, podia estar
ociosamente no sofá, numa mesa de café, numa esquina de rua, mas não, logo que
o “patrão”, que me pagava pelo trabalho que desenvolvia, e que sois todos vós, me
mandou para casa para descansar, porque entendeu que, já tinha dado o meu
contributo para a sociedade, eu que sou teimoso e tenho vontade própria, disse
não. Quero e vou continuar a fazer aquilo que sempre fiz, trabalhar, nem que
seja de graça. Sim, graça, porque estou agradecido ter encontrado um trabalho
que me dá imenso gozo realizar. Um trabalho que me envolve literalmente vinte e
quatro hora por dia, não me dá descanso, nem a dormir, acordo e sonho alto com
preocupações derivadas deste meu trabalho. Ainda assim, gosto e continuo. A
recompensa vem, quando, uma “multidão” de gente nos agradece e reconhece, o
trabalho que desenvolvemos. Para mim é mais importante o reconhecimento, do que
o agradecimento. Tem acontecido isso, durante esta semana, o reconhecimento de
um trabalho válido e bem organizado. Naturalmente que há os “senãos”, há os que
estão sempre do lado do contra, os que não contribuem em nada, mas acham sempre
que fazem muito, os que desejam e profetizam que as coisas, os trabalhos,
corram mal, os mal dizentes, os hipócritas, os egoístas e por aí afora. A esses
respondo com a força do querer e crer no trabalho. Chateiam-me todos estes, os
ociosos que querem tudo mas não fazem nada, nem para eles mesmos, esperam que
os outros façam por eles e para eles, porque eles têm direitos, têm direito aos
subsídios, abonos e por aí, que somos nós que pagamos, têm direito a tomar
refeições, mas que não querem confeccionar, culpa minha e tua que gostas de
trabalhar, que os viciaste nestes direitos. Culpa minha e tua, que trabalhas, e
não exigimos o cumprimento dos deveres. Chateiam-me os críticos que nada fazem, nem apresentam soluções de melhorias. Chateiam-me os "tristes" que só se lamentam. Chateiam-me os negativistas, os que só vêm tudo escuro, a esses aconselho que acendam uma luz, talvez consigam ver alguma coisa. Chateiam-me os que não são agradecidos à vida. Dizem que não há trabalho, que não têm vida. Claro
que não há trabalho, nem há vida, porque não querem. Culpa minha e tua que achamos que
os direitos são só deles, nós só temos deveres, obrigações, obrigação de lhes darmos ociosamente boa vida, enquanto nós trabalhamos para eles. Quando é que
nós damos o murro na mesa e dizemos, basta, eu também tenho direitos, venham fazer aquilo que eu faço,
trabalhem nem que seja de graça e certamente encontrarão um trabalho que os
satisfaça e pelo qual serão recompensados.
Decidi criar este blog "Nem tanto à terra nem tanto ao mar" para iniciar o que me vai no pensamento. Não, não é engano, quero mesmo que se chame assim. Já sei que não se diz assim, mas eu digo como quero, ou não posso? Não? Mas afinal de quem é o blog? É meu, fui eu que o criei, ou foste tu? Esclarecidos? Sim? Ok! então vai chamar-se mesmo "Nem tanto à terra nem tanto ao mar" sim porque eu gosto de ser do contra, ou talvez não, a ver vamos.
sábado, 5 de maio de 2018
domingo, 22 de abril de 2018
Ética "versus" Moral
No decorrer desta
semana, fomos invadidos por notícias, sobre os recebimentos em duplicado, por
parte dos deputados das ilhas, dos pagamentos das viagens que nem sequer foram
efectuadas. O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, puxou
dos “galões” e veio em defesa dos seus “subordinados”, dizendo que, não houve
nem nesta, nem noutras legislaturas, violações à lei e tão pouco aos princípios
éticos. Não me dei ao trabalho de ir pesquisar a lei, admito a possibilidade de,
poder não haver violação à lei, até porque, quem as faz, são eles mesmos, os
deputados, logo “puxam as brasas às suas
sardinhas”.
Para tentarmos perceber,
se houve ou não, violação aos princípios éticos, temos de saber e perceber o
que são – a palavra ética é proveniente
do grego, “ethos”, que significa literalmente “morada”, “habitat”, “refúgio”, ou seja, o lugar onde as
pessoas habitam. No entanto, para os filósofos, este termo refere-se a “condutas”,
“modo de ser”, “carácter”, “índole”, “natureza”.
Neste sentido, pode-se considerar a ética, como um tipo de postura e que
se refere a um modo de ser, à natureza da acção humana. Trata-se de uma maneira
de lidar com as situações da vida e, do modo como estabelecemos relações com
outra pessoa. Quais são as nossas responsabilidades pessoais, numa relação com
o outro? Como lidamos com as outras pessoas em sociedade? Uma conduta ética pode ser um tipo de comportamento mediado por
princípios e valores morais.
A palavra “ética”, também pode ser definida, como um conjunto de
conhecimentos, extraídos da investigação do comportamento humano, na tentativa
de explicar as regras morais, de forma racional e fundamentada. Neste sentido, trata-se de uma reflexão
sobre a moral.
Desta maneira, pode-se afirmar que a ética, é a parte da filosofia que estuda a moral, pois reflecte e
questiona sobre as regras morais.
Então o que é moral?
A palavra “moral” é
originária do termo latino “Moralis”, que significa “relativo aos costumes”,
isto é, aquilo que se consolidou, como sendo verdadeiro do ponto de vista da acção.
A moral pode ser definida
como o conjunto de regras aplicadas no quotidiano
e que são utilizadas constantemente por cada cidadão. Tais regras, orientam
cada indivíduo que vive na sociedade, norteando
os seus julgamentos sobre o que é certo ou errado, moral ou imoral, e as suas acções.
Desta maneira, a moral é fruto do padrão cultural vigente e,
engloba as regras tidas como necessárias, para o bom convívio entre os membros
que fazem parte de determinada sociedade.
A moral é formada pelos
valores previamente estabelecidos pela própria sociedade e, os comportamentos
socialmente aceites e passíveis de serem
questionados pela ética.
Pode-se afirmar que, ao
falarmos de moral, os julgamentos de certo ou errado dependerão do lugar onde se está.
Por fim, pode-se
considerar que a ética engloba
determinados tipos de comportamentos, sejam eles considerados correctos ou incorrectos; já a
moral estabelece as regras que permitem determinar se o comportamento é
correto ou não.
Se considerarmos o sentido prático, a finalidade da ética e
da moral é bastante semelhante, pois ambas, são responsáveis por construir as
bases que guiarão a conduta do homem, determinando o seu carácter e a sua forma
de se comportar, em determinada sociedade.
Podemos então
estabelecer como diferença entre ética e moral: a moral refere-se ao conjunto
de normas e princípios que se
baseiam na cultura e nos costumes de determinado grupo social, já a ética é o estudo e reflexão sobre a moral,
que nos diz como viver em sociedade.
Dito de uma maneira
mais fácil a moral aplica-se a um grupo, enquanto a ética pode ser questionada
por um indivíduo.
Um quadro simples
elucida-nos melhor
Ética
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Moral |
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Definição
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A ética é o estudo e a reflexão sobre a moral, das regras de
conduta aplicadas a alguma organização ou sociedade.
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A moral refere-se às regras de conduta que são aplicados a determinado
grupo, em determinada cultura.
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De onde vem
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Individual.
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Sistema social.
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Porque seguimos
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Porque acreditamos que algo é certo ou errado.
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Porque a sociedade diz que é a coisa certa a fazer.
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Flexibilidade
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A ética é normalmente consistente, embora possa mudar caso as crenças de
um indivíduo mudem ou dependendo de determinada situação.
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A moral tende a ser consistente dentro de um determinado contexto, sendo
aplicado da mesma forma a todos. Porém, ela pode variar de acordo com cada
cultura ou grupo.
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Excepções
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Uma pessoa poderá ir contra a sua ética para se ajustar a um determinado
princípio moral, como por exemplo, o código de conduta de sua profissão.
|
Uma pessoa que segue rigorosamente os princípios morais de uma sociedade
pode não ter nenhuma ética. Da mesma forma, para manter sua integridade
ética, ele pode violar os princípios morais dentro de um determinado sistema
de regras.
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Significado
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Ética vem da palavra grega "ethos" que significa conduta, modo
de ser.
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Moral vem da palavra latina "moralis" que significa
"costume".
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Origem
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Universal.
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Cultural.
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Tempo
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Permanente.
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Temporal.
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Uso
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Teórico.
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Prático.
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Exemplo
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João teve uma atitude antiética ao furar a fila do banco.
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Em Portugal é imoral ter mais de uma esposa, enquanto em alguns países
como a Nigéria é moralmente aceito.
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Ética = conduta,
caracter, modo de ser
Moral = relativo aos
costumes
Pelo que acabei de
explicar, chego à triste conclusão que, os políticos em geral e os deputados em
particular, com o seu “capataz” à cabeça, não têm noção do que é a moral e menos
ainda do que é a ética. Bom! reflectindo melhor, se calhar até têm, senão vejamos, se moral é igual a costumes, poucos de nós temos dúvidas de quais são os seus
costumes. E se ética é igual a conduta, todos nós também sabemos quais são as
suas condutas. Em síntese, se receber em duplicado, por algo que não se fez ou
utilizou não constitui violação às normas e costumes da sociedade portuguesa e
se estes factos são a norma da nossa conduta, então todos os defensores que
dizem que não houve e não há violação aos princípios éticos têm razão. Eu, por mim acho uma flagrante violação à
moral e á ética. E você que teve a pachorra
de ler e chegar ao fim o que acha?
domingo, 15 de abril de 2018
A Retórica da Guerra
“A guerra é o lugar
onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre si, por decisão
de velhos que se conhecem, se odeiam mas não se matam”
Erich Hartmann
Após a retórica de
ameaças, avanços e recuos, por parte dos Estados Unidos, e do seu mais que tudo, Donald Trump, de
ataque às supostas instalações de fabricação e armazenamento de armas químicas
na Síria e da consequente destruição dos misseis, por parte da Rússia, e também do seu mais que tudo, Vladimir Putin, mesmo antes de estes
atingirem os seus objectivos, eis que o nundo acorda na madrugada de sexta feira 13 de abril, vá-se-lá saber porquê, sexta feita 13, com o ataque concertado, por parte de três países, Estados Unidos da América, Reino
Unido e França, a um país soberano, quer se goste ou não, quer se queira ou não
é um país soberano. Qualquer destes três países, Estados Unidos, Rússia e Síria
são governados por loucos e nenhum deles é flor que se cheire, e parece que a
loucura se está a espalhar também pelo Reino Unido e França. Estes loucos, que
se julgam os donos do mundo, são-no, porque os outros, os deixam ser. Os
outros, os que aqui considero não loucos, e que são todos os Chefes de Estados
restantes no mundo inteiro o que fazem? Batem palmas ou não se pronunciam, ou
deixam passar um ataque ilegal à luz dos tratados internacionais. Para que
servem as Nações Unidas? – na minha definição, “Ninho de Urdidores”. Não nos
esqueçamos que a última grande guerra começou sob a loucura de um lunático. Claro
que nós sabemos o que são as Nações Unidas e quem manda lá, a propósito sabe
que a Síria é um dos países fundadores, pois é..., mas continuemos, quando se
entra numa escalada de ameaças, ou estas se cumprem, ou se não se cumprem, quem
as pronuncia é descredibilizado. Naturalmente que o Donald Trump e seus seguidores,
tinham de fazer alguma coisa para serem levados a sério. Recentemente, sob o
mesmo argumento, utilização de agentes químicos, temos o caso o ex-espião russo
Sergei Skripal e sua filha, sem que na verdade, ainda nada se tenha provado, se
realmente foi usado um agente químico, qual, e por ordem de quem. Ainda todos
nos lembramos da invasão a outro país soberano – Iraque, sob o pretexto de este
possuir armas nucleares, o que logo após o ataque se veio a verificar e
confirmar aquilo que eles, países invasores, sabiam não existir. Aqui e uma vez
mais, quase todos os países e Portugal incluído facilitaram este ataque. O nosso
então primeiro ministro, e depois presidente da Comissão Europeia, Durão
Barroso, para além de nos ter mentido, enganou-nos, dizendo-nos que lhe tinham
sido apresentadas provas. Na altura lembro-me de estar convicto que o Iraque
não era possuidor de tais armas, como hoje estou convicto que as tropas de
Bashar al-Assad não fizeram nenhum ataque à população da Síria com armas
químicas. Não sei se as têm ou não, mas não acho provável que as tenham usado.
Do meu ponto de vista, não fazia sentido que as usassem, quando se tem o
controlo da situação em praticamente todo o país. Faz mais sentido que os
Estados Unidos, apoiantes dos “rebeldes”, ao estarem a perder parte do
território entretanto sob o seu controlo, tenham sentido a necessidade, de encetar,
ou forjado o ataque químico, dizendo que este foi mandado efectuar por Bashar
al-Assad. A ser verdade que as instalações ora destruídas, guardassem armas químicas,
como é possível que, os inteligentes que mandaram efectuar esta destruição não
avaliassem as consequências de tal destruição. Se eles queriam evitar a
utilização de tais armas ao destruir as suas instalações não iriam utilizá-las
por propagação, atingido o fim que queriam evitar? As notícias que nos chegam
pelas nossas televisões são as de que os russos apenas se limitaram a monitorizarem
o ataque. Outras noticias dizem-nos que foram neutralizados vários misseis
pelas forças de Bashar al-Assad porque é que as televisões não noticiam esta
neutralização? Ainda hoje, nas notícias da TVI, vi a reportagem do director de
uma das instalações destruídas, junto da mesma o qual dizia que, se naquelas
instalações houvesse armas químicas não poderiam estar ali, sem nenhuma protecção.
Em que ficamos então, as instalações guardavam armas químicas ou não? Ou o director
deste laboratório e os jornalistas que ali se encontravam são todos loucos e
queriam morrer ali mesmo sob o efeito de tais armas em direto e a cores?
Por último, os Estados Unidos da América e todos os países produtores de armas, têm de as utilizar, sob pena, de estas ficarem sem efeito e obsoletas, e para isso, fazem a guerra nos paízes longe dos seus. Eles não querem acabar com o terrorismo, fazem o terrorismo. Eles fazem e promovem a guerra e o terrorismo para fazerem mais armas. Porque é
que os loucos deste mundo, Estados Unidos, à cabeça não querem que outros
países tenham as mesmas armas que eles?
domingo, 8 de abril de 2018
O "pecado" vindo de cima
Recentemente,
foram noticiados que eu me lembre, dois casos de padres católicos que, engravidaram
as suas paroquianas e, em consequência, estas deram à luz os seus bebés. Até
aqui nada de novo, já que os bebés, resultaram do cruzamento, repito,
cruzamento de um homem e uma mulher. Ou há amor nesta relação? Não é de agora,
lembro-me que, quando era criança haver um padre, que por sinal, foi meu
professor de religião e moral, que
visitava regularmente, uma paroquiana que, por sinal, também era professora na
mesma escola. Toda a comunidade sabia que o padre, e a professora eram amantes,
e dizia-se até que tinham um filho que eu conheci, já que estudávamos na mesma
escola e éramos da mesma turma. Este colega vivia com o padre a quem chamava
tio.
Bom! Há quem defenda que,
o celibato dos padres é uma disciplina, que vem desde a sua origem, ou seja,
desde a época apostólica. Outros que se iniciou com o concílio de Trento. Outros
ainda, que é uma invenção medieval do Concílio de Latrão. Para o caso, e do meu
ponto de vista, pouco importa a sua origem. O que importa é que o celibato dos
padres católicos, está fixado num Cânon, para além, de terem assumido o compromisso, com a igreja, que são
todos os cristãos católicos, e com o seu Bispo a absterem-se de ter práticas
sexuais. A questão aqui, e para mim, nem sequer é a de achar se os padres,
devem, ou não, praticar o celibato, isso é assunto deles, mas deixa de ser
assunto só deles, e passa a ser assunto de todos nós quando prevaricam, e
violam às escondidas, ou não, os cânon que eles juram obedecer, ou seja as
regras da própria igreja. Onde está o moral? Do meu ponto de vista, o pior é
que a hierarquia da igreja, os bispos, pactuam com estas violações da lei da
igreja. Fornicaste? tens filhos? tudo bem, qual é o problema? Nenhum. Tens é de
optar, se queres continuar como padre e continuar a pregar o moral e bons costumes, mesmo que tu não os pratiques, só
tens é de abandonar a mulher e o/a filho/a que geraste. Ah! Mas tens de
assegurar as condições, de subsistência dessa criança. Pura hipocrisia. Onde
fica a família que a igreja e os padres tanto defendem? Bom! Não são só os
padres que defendem a família, eu também defendo. Senhores cardeais, senhores bispos,
senhores padres deixem-se de hipocrisias. Modernizem-se. Os tempos do século
XXI não são os tempos dos séculos I, nem II e por aí afora. Aceitem as novas
propostas/discussões do actual papa, sobre esta e outas matérias. Deixem que o
celibato dos padres, em vez de uma obrigação, seja uma opção de escolha livre,
de cada um. Muito provavelmente haveria mais padres católicos. São estas hipocrisias,
dos padres, e aqui incluo os bispos, que me deixam um sentimento, cada vez mais
acentuado, de afastamento da igreja. É com este moral, que não deixam comungar
um novo casal que se voltou a casar legalmente, só porque um dia, se casou por igreja,
e esta não separa, o que Deus juntou, mas eles
comungam todos os dias, fornicando com mulheres que não desposaram, nem legalmente, nem à luz da igreja, que o mesmo é
dizer, do seu ponto de vista à luz de Deus. Haja paciência. Muito mais há para
dizer, mas para já fico-me por aqui. Reflitam senhores Bispos.
sexta-feira, 30 de março de 2018
O "Deus" Maior e o o "deus" menor
A Imagem não é minha, mas fica, como ponto de
partida e de reflexão. No tempo de Páscoa onde todos, ou quase todos, desejamos
Páscoa Feliz, em nome de um Deus que, se quer justo e se sabe justo, a imagem
sugere-nos que se faça uma reflexão sobre a justeza que apregoamos em nome de Deus. É esta
a justiça de Deus? É isto que Ele quer para os seus filhos e para todos os
irmãos? Não é de agora, mas sim de todos os tempos que, uns, em nome desse Deus,
que é pai, escravizam, subjugam, exploram e fazem passar fome aqueles que ainda
acreditam, ou querem acreditar nas virtudes desse Deus. Que filhos de Deus são
estes que, só vêm o seu umbigo, fingindo, ou fechando os olhos para os umbigos
dos outros. Ou melhor, os umbigos dos outros só servem para lhes darem maiores
riquezas, sumptuosidade e, alimentarem a sua própria ganância. Deus não é isto.
Isto é o poder dos homens em nome de
Deus. Aprendi, que Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança. Hoje, no
privilégio dos meus quase sessenta anos, tenho sérias dúvidas que assim tenha
sido, ou seja. A imagem que eu faço de Deus, é a de um ser “perfeito” com todas
as significações e palavras, que possamos juntar a perfeito. Ora, o homem pelo
contrário, é um ser imperfeito, com defeitos, maldade, violento e tudo o mais
que possamos imaginar e juntar a imperfeito. Então a minha dúvida é, como é que
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança? Das duas “três”, ou Deus não é
perfeito, ou o homem não foi criado por Si, à sua imagem e semelhança, ou se
enganou na forma. Então, a minha conclusão, é que, se Deus criou o homem à sua
imagem e semelhança temos de acreditar que cada um de nós é um “deus” criado à imagem
e semelhança de um Deus maior. Talvez assim, não precisássemos de tantos “encaminhadores”
para Deus, porque já o somos. Acredito que o mundo terreno, porque o outro
tenho sérias dúvidas que exista, seria bem mais virtuoso e justo. É neste mundo
terreno que, nós vimos, assistimos e praticamos toda a maldade e injustiça. Se
já levamos tanta prática de maldade, para o “outro mundo”, o que nos faz acreditar, que lá seremos diferentes, para melhor? Que hoje, amanhã e depois sejam sempre
dias de, “Feliz Páscoa”.
domingo, 18 de março de 2018
A Nostalgia
Como sói dizer-se, fui
nascido e criado, na sempre bela cidade de Elvas, mais concretamente, em Santa Rita, numa casa velha, tosca e
bela, como diz o poeta José Régio, como se fora feita, para eu morar nela, e
morei até aos vinte 23 anos. Naquele tempo eram sete famílias que moravam
naquele conjunto de casas. A mim bastava-me saltar o muro, que separava a minha
casa, do recreio da escola primária de Santa Luzia. Lembro-me bem, era sempre o
primeiro a chegar à escola, mesmo antes dos contínuos, era assim que se chamava
aos agora auxiliares de acção educativa. Era mesmo chamado por estes de o “galo
da madrugada”, talvez venha daí este meu “péssimo hábito” de detestar chegar
atrasado ao quer que seja. Lembro-me da Carlota, da Teresa, do António Brissos,
do Zé Manel, da Jerónima, do Chico, da Joana, do João, do Arsénio, do Henrique,
do Dinis e do Zé, dos meus primos, Celeste, Júlio e Ana Maria, Lembro-me de uma
casa pequena, mas sempre cheia de gente, sempre cabia mais um. Lembro-me dos
paladares da comida da minha mãe, que todos apreciavam muito. Lembro-me dos
natais e da fogueira, das cantigas ao Deus menino. Lembro-me dos acampamentos
dos ciganos, com os quais brincávamos e brigávamos. Lembro-me do ribeiro que
atravessava a quinta do Bispo e corria ao longo da estrada. Do tanque que
aproveitava a água vinda da cascata da mesma quinta e onde as mães e irmãs mais
velhas lavavam a roupa. Lembro-me dos “cavalos” a correrem no esgoto, tapado,
que atravessa o terreno. Era assim que chamávamos às pedras que rebolavam no
esgoto, quando chovia muito e este enchia. Lembro-me de apanhar rãs nas fontes
e no ribeiro. Lembro-me de apanhar caracóis nos muros velhos das quintas do
Bispo e do Salvador. Lembro-me de apanhar erva para dar às galinhas e aos
coelhos. Lembro-me do projecto que iria ligar o bairro de Santa Luzia ao Bairro
da Piedade. Lembro-me das marcas que deixaram nas paredes a assinalar por onde
passaria a estrada. Lembro-me de a minha mãe dizer que aquilo nunca seria
feito. Lembro-me de passear por aqueles campos com o meu “Rusty” um setter
inglês, o melhor cão que já tive. Lembro-me do canavial que ladeava o ribeiro.
Lembro-me da “bebedeira” que apanhei aos sete/oito anos provocada por um maço
de tabaco “mata ratos”. Serviu de lição, talvez por isso não apanhei o vício de
fumar, nem de me embebedar, aliás aquela foi a minha única “bebedeira”. Belos
tempos, sim belos tempos. Há vinte anos que deixei de morar em Elvas, embora vá
com regularidade, partia-se-me a alma cada vez que ia ver aquele conjunto de
casa abandonadas. No final do ano de 2017 um amigo residente em Elvas, mas a
trabalhar em Portalegre disse-me - tem
de ir ver a moradia que estão a fazer no sitio onde morou. Não resisti, e fui
quase de propósito a Elvas para ver a casa. Gostei, claro que gostei de ver,
que aquele espaço, voltou a ter vida. Estive ali algum tempo, só, a rever
mentalmente como era aquele espaço e como é agora. Fiquei muito contente de
continuar a ver o chafariz na parede da nova casa. Aos novos proprietários
desejo a maior felicidade e não esqueçam esse espaço já teve muitas histórias
de vida.
sábado, 10 de março de 2018
Os pseudo doutores ou serão pseudo burros
Não precisamos recuar muito em tempo, basta recuarmos
quarenta ou cinquenta anos, para constatarmos que os engenheiros e os doutores,
os que o eram, eram-no de verdade. Também, basta-nos recuarmos o mesmo tempo,
para constatarmos que, os que não o eram, não tinham vergonha disso. Hoje,
todos são ou querem ser engenheiros/doutores, e se não têm o canudo, para o
serem, eles mesmos os criam, que o mesmo é dizer os falsificam, muitas vezes
com o patrocínio daqueles que, deviam zelar e respeitar este grau académico.
Tudo vale porque ser doutor dá prestígio e dinheiro. Infelizmente, abundam, no
nosso meio politico, imensos pseudo doutores, pseudo-engenheiros. Ao que foi
imensamente noticiado, eventualmente, tivemos um primeiro ministro pseudo-engenheiro.
Agora acabámos de ter outro primeiro ministro, eventualmente, pseudo doutor
catedrático, e, como se isto fosse pouco, acabam, reparem, eu acabei de
escrever acabam, os do PSD, por ter um secretário geral, pseudo doutorando. A
minha dúvida é se todas estas personagem são pseudo-engenheiros/ doutores ou se
serão na realidade pseudo burros. Os burros que me desculpem, os verdadeiros
burros, os animais de quatro patas, estes não têm culpa nehuma dos pseudos.
Continuando, pseudo significa entre outros, FALSO, será que estes pseudos de
que vos falo são mesmo burros? Hummm!!!. Acho que não, o que eles querem mesmo
é fazer-nos de burros. E nós somos pseudo, ou somos mesmo?
São estes pseudos, leia-se FALSOS cidadãos, leia-se políticos
que nos querem fazer acreditar neles. Tenham ÉTICA, tenham VERGONHA nesses
focinhos, repito FOCINHOS, porque o que fazem é foçar na merda que vocês cagam.
E nós? Se não somos pseudos, e também não somos burros,
porque não reagimos, e mandamos para o CURRAl todos os pseudo-engenheiros/doutores?
sexta-feira, 2 de março de 2018
Aquela maça azul
Era uma pequena aldeia, com pouco mais de trezentos
habitantes,situada num pequeno vale, duma terra distante. À sua volta tinha um
enorme terreno comunitário. As hortas eram o sustento da aldeia. Para além do
cultivo dos terrenos, criavam-se animais, porcos, galinhas, coelhos, algumas
vacas, cabras e ovelhas, que depois eram mortos para a alimentação da
população. Alí não havia supermercados nem “shoping(s)”. O comércio era feito
entre trocas de produtos, todos se sentiam felizes e realizados. O dinheiro? nem
sabiam o que isso era.
Na aldeia também existiam muitas árvores de frutos,
das quais algumas eram macieiras. De dez em dez anos aparecia uma maçã azul,
numa das macieiras, sem que ninguém soubesse explicar o fenómeno do aparecimento
daquela maçã. Nos anos do aparecimento da maçã azul realizava-se um festival, a
que chamavam “Festival da maçã azul”. Só no festival é que podia ser colhida,
mas, ninguém a podia comer. O chefe tinha-lhes dito que, se alguém a colhesse
antes do festival, algo de terrível aconteceria na aldeia.
Muitos acreditavam que aquela maçã daria poderes mágicos,
a quem a comesse, mas, ninguém se atrevia a colhê-la antes do festival, e muito
menos a comê-la.
Chegado o dia do festival, os habitantes colheram a
maçã, e, como em todos os anos meteram-na em cima de uma pequena jangada e deixaram-na
ir rio abaixo. Acreditavam que, com esta pequena cerimónia, todos os males da
aldeia desapareciam. A maça representava todas as doenças, e todos os males que,
deste modo eram transportados para fora da aldeia.
Passados mais dez anos, um habitante jovem, teria uns
seis anos, e que desconhecia que nao podia colher a maçã, ao vê-la não resistiu
e colheu-a, levou-a para casa e mostrou-a aos pais. Estes, ao verem a maçã azul,
nas mãos do filho, ficaram muitos aflitos, e sem saber o que fazer decidiram ir
falar com o chefe da aldeia. O Chefe disse-lhe que iria pensar no que se teria
de fazer, para evitar que algo de terrível acontecesse na aldeia. No dia
seguinte todas as maçãs, de todas as macieiras, estavam azuis. Claro que
culparam a criança pelo que estava a acontecer. Todos os habitantes, e até os
pais quiseram matá-la, e fazer dela um sacrifício. O Chefe não aceitou isso. Os
pais, com medo que algo de mais terrível acontecesse a todos os habitantes da
aldeia, decidiram pôr termo à vida do filho oferecendo-o em sacrificio. O chefe
da aldeia, ao saber disso, decidiu, apesar de ser tarde demais, contar a
verdade aos habitantes. Era ele que pintava as maçãs de azul, para que a aldeia
tivesse uma festa, e se divertisse. Nunca pensou, que a profecia, de que algo
de terrível aconteceria na aldeia, aconteceu mesmo.
Não podia continuar como chefe da aldeia. Quando
acabou de explicar isso aos habitantes, construiu uma jangada, meteu-se em cima
dela, e foi rio abaixo, como iam as maçãs de dez em dez anos. O que lhe
aconteceu não sabemos, mas como as maças, quando íam rio abaixo, simbolizavam
os males a saírem da aldeia, deste modo também ele simbolizava o mal maior a ir
embora.
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Compreender
O
João e o Tiago encontraram-se no caminho para a escola. Faltam dez minutos,
para o início da primeira aula do dia. Após um breve cumprimento, o João
pergunta ao Tiago, se já tinha feito o texto desta semana, para ser entregue à
professora de português, ao que este responde que ainda não, nem sabia por que
ponta lhe havia de pegar. Compreender. Compreender o quê? pensou. Há tantas
coisas para compreender. Compreender as atitudes dos pais. Compeender desde logo,
as atitudes e comportamentos dos professores. Compreender os comportamentos dos
amigos. Ah! e compreender, naturalmente, as nossas próprias atitudes e
comportamentos.
Com
estes pensamentos chegaram à escola, dirigindo-se de imediato para a sala de
aula, pois esta estava prestes a começar.
O
dia decorreu normalmente. Não voltaram a falar do assunto. Chegado a casa e
depois de ter lanchado, o João, lá teve de voltar, a pensar no tema da semana.
Compreendermo-nos
a nós próprios, pareceu-lhe ser o melhor ponto de partida, para podermos
compreender os outros. Há tanta coisa que gostava de compreender e sobretudo
aceitar. As decisões políticas por exemplo. Como compreender o que os politicos
dizem, se hoje dizem o oposto, ao que já disseram. Se têm atitudes e comportamentos
contrários, ao que prometeram. Confrontados com esses dizeres, simplesmente
negam, ou a culpa é de todos nós, que interpretamos mal as suas palavras. Se se
torna dificil compreender como se torna fácil aceitar?.
Neste
mundo de incompreensíveis e de incompreendidos, como já diz o provérbio, “quem
tem um olho é rei”, e, eu não compreendo
nada.
Miguel Santos nº23 - 8º
A - 29/10/2013 - Escola Secundária de S. Lourenço de Portalegre - Hoje frequenta o 12º na mesma escola
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
De trás para a frente e com rima
Sentei-me
num “puff”, fechei os olhos, e tentei imaginar a viagem que iria fazer.
Primeiro teria de definir de onde partiria, ocorreu-me logo, obviamente, da
minha casa. O destino? onde a imaginação me levasse. O “puf” seria o meu meio
de transporte, e imaginei-o como sendo o meu cavalo alado, como o unicórnio. Virei
o “puf” de costas para o centro da sala, estiquei as pernas de frente para a
janela, e saí disparado para uma viagem que imaginava longa. Percorri caminhos desconhecidos,
flutuei sobre as nuvens, vi abismos, senti-me a cair de precipícios, mas, o meu
cavalo alado estava lá, para me trazer de novo ao cimo.
Perdi-me,
queria regressar, mas não sabia como. Quis fazer o caminho de trás para a frente,
mas... não o tinha marcado. Como encontrá-lo?. Não tinha memória dele. Na
tentativa de encontrar o caminho, dei voltas em círculos e senti-me puxado, com
imensa força, para o centro da terra. Aterrei, bati com força, e acordei,
estava deitado na minha cama.
Lembrei-me
da viagem que tinha acabado de fazer, e percebi que, ainda me falta fazer muito
caminho para a frente, afinal, apenas tenho treze anos. Percebi porque não
encontrava o caminho de trás para a frente, porque ainda não o percorri, por
isso, não tinha memória dele.
Uma
vez, o meu pai perguntou-me se sabia, quando é que uma pessoa se acha velha.
Disse-lhe que não sabia. Ele explicou-me que, quando uma pessoa já tem mais
memória do tempo que viveu, e das coisas que fez ou deixou por fazer, do que
aquelas que, pretende ainda vir a fazer, e a viver, então, essa pessoa está
velha. Já não tem sonhos. Felizmente, hoje digo, é bom não fazer a viagem de trás para a frente, seja com rima ou
sem rima.
Espero
vir a fazer essa viagem de trás para a frente daqui a muitos anos.
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