domingo, 8 de abril de 2018

O "pecado" vindo de cima

Recentemente, foram noticiados que eu me lembre, dois casos de padres católicos que, engravidaram as suas paroquianas e, em consequência, estas deram à luz os seus bebés. Até aqui nada de novo, já que os bebés, resultaram do cruzamento, repito, cruzamento de um homem e uma mulher. Ou há amor nesta relação? Não é de agora, lembro-me que, quando era criança haver um padre, que por sinal, foi meu professor de religião e moral, que visitava regularmente, uma paroquiana que, por sinal, também era professora na mesma escola. Toda a comunidade sabia que o padre, e a professora eram amantes, e dizia-se até que tinham um filho que eu conheci, já que estudávamos na mesma escola e éramos da mesma turma. Este colega vivia com o padre a quem chamava tio.
Bom! Há quem defenda que, o celibato dos padres é uma disciplina, que vem desde a sua origem, ou seja, desde a época apostólica. Outros que se iniciou com o concílio de Trento. Outros ainda, que é uma invenção medieval do Concílio de Latrão. Para o caso, e do meu ponto de vista, pouco importa a sua origem. O que importa é que o celibato dos padres católicos, está fixado num Cânon, para além, de terem assumido o compromisso, com a igreja, que são todos os cristãos católicos, e com o seu Bispo a absterem-se de ter práticas sexuais. A questão aqui, e para mim, nem sequer é a de achar se os padres, devem, ou não, praticar o celibato, isso é assunto deles, mas deixa de ser assunto só deles, e passa a ser assunto de todos nós quando prevaricam, e violam às escondidas, ou não, os cânon que eles juram obedecer, ou seja as regras da própria igreja. Onde está o moral? Do meu ponto de vista, o pior é que a hierarquia da igreja, os bispos, pactuam com estas violações da lei da igreja. Fornicaste? tens filhos? tudo bem, qual é o problema? Nenhum. Tens é de optar, se queres continuar como padre e continuar a pregar o moral e bons costumes, mesmo que tu não os pratiques, só tens é de abandonar a mulher e o/a filho/a que geraste. Ah! Mas tens de assegurar as condições, de subsistência dessa criança. Pura hipocrisia. Onde fica a família que a igreja e os padres tanto defendem? Bom! Não são só os padres que defendem a família, eu também defendo. Senhores cardeais, senhores bispos, senhores padres deixem-se de hipocrisias. Modernizem-se. Os tempos do século XXI não são os tempos dos séculos I, nem II e por aí afora. Aceitem as novas propostas/discussões do actual papa, sobre esta e outas matérias. Deixem que o celibato dos padres, em vez de uma obrigação, seja uma opção de escolha livre, de cada um. Muito provavelmente haveria mais padres católicos. São estas hipocrisias, dos padres, e aqui incluo os bispos, que me deixam um sentimento, cada vez mais acentuado, de afastamento da igreja. É com este moral, que não deixam comungar um novo casal que se voltou a casar legalmente, só porque um dia, se casou por igreja, e esta não separa, o que Deus juntou, mas eles comungam todos os dias, fornicando com mulheres que não desposaram, nem legalmente, nem à luz da igreja, que o mesmo é dizer, do seu ponto de vista à luz de Deus. Haja paciência. Muito mais há para dizer, mas para já fico-me por aqui. Reflitam senhores Bispos.

sexta-feira, 30 de março de 2018

O "Deus" Maior e o o "deus" menor

A Imagem não é minha, mas fica, como ponto de partida e de reflexão. No tempo de Páscoa onde todos, ou quase todos, desejamos Páscoa Feliz, em nome de um Deus que, se quer justo e se sabe justo, a imagem sugere-nos que se faça uma reflexão sobre a justeza que apregoamos em nome de Deus. É esta a justiça de Deus? É isto que Ele quer para os seus filhos e para todos os irmãos? Não é de agora, mas sim de todos os tempos que, uns, em nome desse Deus, que é pai, escravizam, subjugam, exploram e fazem passar fome aqueles que ainda acreditam, ou querem acreditar nas virtudes desse Deus. Que filhos de Deus são estes que, só vêm o seu umbigo, fingindo, ou fechando os olhos para os umbigos dos outros. Ou melhor, os umbigos dos outros só servem para lhes darem maiores riquezas, sumptuosidade e, alimentarem a sua própria ganância. Deus não é isto. Isto é o poder dos homens em nome de Deus. Aprendi, que Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança. Hoje, no privilégio dos meus quase sessenta anos, tenho sérias dúvidas que assim tenha sido, ou seja. A imagem que eu faço de Deus, é a de um ser “perfeito” com todas as significações e palavras, que possamos juntar a perfeito. Ora, o homem pelo contrário, é um ser imperfeito, com defeitos, maldade, violento e tudo o mais que possamos imaginar e juntar a imperfeito. Então a minha dúvida é, como é que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança? Das duas “três”, ou Deus não é perfeito, ou o homem não foi criado por Si, à sua imagem e semelhança, ou se enganou na forma. Então, a minha conclusão, é que, se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança temos de acreditar que cada um de nós é um “deus” criado à imagem e semelhança de um Deus maior. Talvez assim, não precisássemos de tantos “encaminhadores” para Deus, porque já o somos. Acredito que o mundo terreno, porque o outro tenho sérias dúvidas que exista, seria bem mais virtuoso e justo. É neste mundo terreno que, nós vimos, assistimos e praticamos toda a maldade e injustiça. Se já levamos tanta prática de maldade, para o “outro mundo”, o que nos faz acreditar, que lá seremos diferentes, para melhor? Que hoje, amanhã e depois sejam sempre dias de, “Feliz Páscoa”.   

domingo, 18 de março de 2018

A Nostalgia


Como sói dizer-se, fui nascido e criado, na sempre bela cidade de Elvas, mais concretamente, em Santa Rita, numa casa velha, tosca e bela, como diz o poeta José Régio, como se fora feita, para eu morar nela, e morei até aos vinte 23 anos. Naquele tempo eram sete famílias que moravam naquele conjunto de casas. A mim bastava-me saltar o muro, que separava a minha casa, do recreio da escola primária de Santa Luzia. Lembro-me bem, era sempre o primeiro a chegar à escola, mesmo antes dos contínuos, era assim que se chamava aos agora auxiliares de acção educativa. Era mesmo chamado por estes de o “galo da madrugada”, talvez venha daí este meu “péssimo hábito” de detestar chegar atrasado ao quer que seja. Lembro-me da Carlota, da Teresa, do António Brissos, do Zé Manel, da Jerónima, do Chico, da Joana, do João, do Arsénio, do Henrique, do Dinis e do Zé, dos meus primos, Celeste, Júlio e Ana Maria, Lembro-me de uma casa pequena, mas sempre cheia de gente, sempre cabia mais um. Lembro-me dos paladares da comida da minha mãe, que todos apreciavam muito. Lembro-me dos natais e da fogueira, das cantigas ao Deus menino. Lembro-me dos acampamentos dos ciganos, com os quais brincávamos e brigávamos. Lembro-me do ribeiro que atravessava a quinta do Bispo e corria ao longo da estrada. Do tanque que aproveitava a água vinda da cascata da mesma quinta e onde as mães e irmãs mais velhas lavavam a roupa. Lembro-me dos “cavalos” a correrem no esgoto, tapado, que atravessa o terreno. Era assim que chamávamos às pedras que rebolavam no esgoto, quando chovia muito e este enchia. Lembro-me de apanhar rãs nas fontes e no ribeiro. Lembro-me de apanhar caracóis nos muros velhos das quintas do Bispo e do Salvador. Lembro-me de apanhar erva para dar às galinhas e aos coelhos. Lembro-me do projecto que iria ligar o bairro de Santa Luzia ao Bairro da Piedade. Lembro-me das marcas que deixaram nas paredes a assinalar por onde passaria a estrada. Lembro-me de a minha mãe dizer que aquilo nunca seria feito. Lembro-me de passear por aqueles campos com o meu “Rusty” um setter inglês, o melhor cão que já tive. Lembro-me do canavial que ladeava o ribeiro. Lembro-me da “bebedeira” que apanhei aos sete/oito anos provocada por um maço de tabaco “mata ratos”. Serviu de lição, talvez por isso não apanhei o vício de fumar, nem de me embebedar, aliás aquela foi a minha única “bebedeira”. Belos tempos, sim belos tempos. Há vinte anos que deixei de morar em Elvas, embora vá com regularidade, partia-se-me a alma cada vez que ia ver aquele conjunto de casa abandonadas. No final do ano de 2017 um amigo residente em Elvas, mas a trabalhar em Portalegre disse-me -  tem de ir ver a moradia que estão a fazer no sitio onde morou. Não resisti, e fui quase de propósito a Elvas para ver a casa. Gostei, claro que gostei de ver, que aquele espaço, voltou a ter vida. Estive ali algum tempo, só, a rever mentalmente como era aquele espaço e como é agora. Fiquei muito contente de continuar a ver o chafariz na parede da nova casa. Aos novos proprietários desejo a maior felicidade e não esqueçam esse espaço já teve muitas histórias de vida.   

sábado, 10 de março de 2018

Os pseudo doutores ou serão pseudo burros

Não precisamos recuar muito em tempo, basta recuarmos quarenta ou cinquenta anos, para constatarmos que os engenheiros e os doutores, os que o eram, eram-no de verdade. Também, basta-nos recuarmos o mesmo tempo, para constatarmos que, os que não o eram, não tinham vergonha disso. Hoje, todos são ou querem ser engenheiros/doutores, e se não têm o canudo, para o serem, eles mesmos os criam, que o mesmo é dizer os falsificam, muitas vezes com o patrocínio daqueles que, deviam zelar e respeitar este grau académico. Tudo vale porque ser doutor dá prestígio e dinheiro. Infelizmente, abundam, no nosso meio politico, imensos pseudo doutores, pseudo-engenheiros. Ao que foi imensamente noticiado, eventualmente, tivemos um primeiro ministro pseudo-engenheiro. Agora acabámos de ter outro primeiro ministro, eventualmente, pseudo doutor catedrático, e, como se isto fosse pouco, acabam, reparem, eu acabei de escrever acabam, os do PSD, por ter um secretário geral, pseudo doutorando. A minha dúvida é se todas estas personagem são pseudo-engenheiros/ doutores ou se serão na realidade pseudo burros. Os burros que me desculpem, os verdadeiros burros, os animais de quatro patas, estes não têm culpa nehuma dos pseudos. Continuando, pseudo significa entre outros, FALSO, será que estes pseudos de que vos falo são mesmo burros? Hummm!!!. Acho que não, o que eles querem mesmo é fazer-nos de burros. E nós somos pseudo, ou somos mesmo?
São estes pseudos, leia-se FALSOS cidadãos, leia-se políticos que nos querem fazer acreditar neles. Tenham ÉTICA, tenham VERGONHA nesses focinhos, repito FOCINHOS, porque o que fazem é foçar na merda que vocês cagam.
E nós? Se não somos pseudos, e também não somos burros, porque não reagimos, e mandamos para o CURRAl todos os pseudo-engenheiros/doutores? 

sexta-feira, 2 de março de 2018

Aquela maça azul

Era uma pequena aldeia, com pouco mais de trezentos habitantes,situada num pequeno vale, duma terra distante. À sua volta tinha um enorme terreno comunitário. As hortas eram o sustento da aldeia. Para além do cultivo dos terrenos, criavam-se animais, porcos, galinhas, coelhos, algumas vacas, cabras e ovelhas, que depois eram mortos para a alimentação da população. Alí não havia supermercados nem “shoping(s)”. O comércio era feito entre trocas de produtos, todos se sentiam felizes e realizados. O dinheiro? nem sabiam o que isso era.
Na aldeia também existiam muitas árvores de frutos, das quais algumas eram macieiras. De dez em dez anos aparecia uma maçã azul, numa das macieiras, sem que ninguém soubesse explicar o fenómeno do aparecimento daquela maçã. Nos anos do aparecimento da maçã azul realizava-se um festival, a que chamavam “Festival da maçã azul”. Só no festival é que podia ser colhida, mas, ninguém a podia comer. O chefe tinha-lhes dito que, se alguém a colhesse antes do festival, algo de terrível aconteceria na aldeia.
Muitos acreditavam que aquela maçã daria poderes mágicos, a quem a comesse, mas, ninguém se atrevia a colhê-la antes do festival, e muito menos a comê-la.
Chegado o dia do festival, os habitantes colheram a maçã, e, como em todos os anos meteram-na em cima de uma pequena jangada e deixaram-na ir rio abaixo. Acreditavam que, com esta pequena cerimónia, todos os males da aldeia desapareciam. A maça representava todas as doenças, e todos os males que, deste modo eram transportados para fora da aldeia.
Passados mais dez anos, um habitante jovem, teria uns seis anos, e que desconhecia que nao podia colher a maçã, ao vê-la não resistiu e colheu-a, levou-a para casa e mostrou-a aos pais. Estes, ao verem a maçã azul, nas mãos do filho, ficaram muitos aflitos, e sem saber o que fazer decidiram ir falar com o chefe da aldeia. O Chefe disse-lhe que iria pensar no que se teria de fazer, para evitar que algo de terrível acontecesse na aldeia. No dia seguinte todas as maçãs, de todas as macieiras, estavam azuis. Claro que culparam a criança pelo que estava a acontecer. Todos os habitantes, e até os pais quiseram matá-la, e fazer dela um sacrifício. O Chefe não aceitou isso. Os pais, com medo que algo de mais terrível acontecesse a todos os habitantes da aldeia, decidiram pôr termo à vida do filho oferecendo-o em sacrificio. O chefe da aldeia, ao saber disso, decidiu, apesar de ser tarde demais, contar a verdade aos habitantes. Era ele que pintava as maçãs de azul, para que a aldeia tivesse uma festa, e se divertisse. Nunca pensou, que a profecia, de que algo de terrível aconteceria na aldeia, aconteceu mesmo.
Não podia continuar como chefe da aldeia. Quando acabou de explicar isso aos habitantes, construiu uma jangada, meteu-se em cima dela, e foi rio abaixo, como iam as maçãs de dez em dez anos. O que lhe aconteceu não sabemos, mas como as maças, quando íam rio abaixo, simbolizavam os males a saírem da aldeia, deste modo também ele simbolizava o mal maior a ir embora.

Miguel Santos - 8º A - Nº 23 - 19/11/2013 - Escola Secundária de S. Lourenço                         

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Compreender


O João e o Tiago encontraram-se no caminho para a escola. Faltam dez minutos, para o início da primeira aula do dia. Após um breve cumprimento, o João pergunta ao Tiago, se já tinha feito o texto desta semana, para ser entregue à professora de português, ao que este responde que ainda não, nem sabia por que ponta lhe havia de pegar. Compreender. Compreender o quê? pensou. Há tantas coisas para compreender. Compreender as atitudes dos pais. Compeender desde logo, as atitudes e comportamentos dos professores. Compreender os comportamentos dos amigos. Ah! e compreender, naturalmente, as nossas próprias atitudes e comportamentos.
Com estes pensamentos chegaram à escola, dirigindo-se de imediato para a sala de aula, pois esta estava prestes a começar.
O dia decorreu normalmente. Não voltaram a falar do assunto. Chegado a casa e depois de ter lanchado, o João, lá teve de voltar, a pensar no tema da semana.
Compreendermo-nos a nós próprios, pareceu-lhe ser o melhor ponto de partida, para podermos compreender os outros. Há tanta coisa que gostava de compreender e sobretudo aceitar. As decisões políticas por exemplo. Como compreender o que os politicos dizem, se hoje dizem o oposto, ao que já disseram. Se têm atitudes e comportamentos contrários, ao que prometeram. Confrontados com esses dizeres, simplesmente negam, ou a culpa é de todos nós, que interpretamos mal as suas palavras. Se se torna dificil compreender como se torna fácil aceitar?.
Neste mundo de incompreensíveis e de incompreendidos, como já diz o provérbio, “quem tem um olho é rei”, e,  eu não compreendo nada.


Miguel Santos nº23 - 8º A - 29/10/2013 - Escola Secundária de S. Lourenço de Portalegre - Hoje frequenta o 12º na mesma escola 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

De trás para a frente e com rima

Sentei-me num “puff”, fechei os olhos, e tentei imaginar a viagem que iria fazer. Primeiro teria de definir de onde partiria, ocorreu-me logo, obviamente, da minha casa. O destino? onde a imaginação me levasse. O “puf” seria o meu meio de transporte, e imaginei-o como sendo o meu cavalo alado, como o unicórnio. Virei o “puf” de costas para o centro da sala, estiquei as pernas de frente para a janela, e saí disparado para uma viagem que imaginava longa. Percorri caminhos desconhecidos, flutuei sobre as nuvens, vi abismos, senti-me a cair de precipícios, mas, o meu cavalo alado estava lá, para me trazer de novo ao cimo.
Perdi-me, queria regressar, mas não sabia como. Quis fazer o caminho de trás para a frente, mas... não o tinha marcado. Como encontrá-lo?. Não tinha memória dele. Na tentativa de encontrar o caminho, dei voltas em círculos e senti-me puxado, com imensa força, para o centro da terra. Aterrei, bati com força, e acordei, estava deitado na minha cama.
Lembrei-me da viagem que tinha acabado de fazer, e percebi que, ainda me falta fazer muito caminho para a frente, afinal, apenas tenho treze anos. Percebi porque não encontrava o caminho de trás para a frente, porque ainda não o percorri, por isso, não tinha memória dele.
Uma vez, o meu pai perguntou-me se sabia, quando é que uma pessoa se acha velha. Disse-lhe que não sabia. Ele explicou-me que, quando uma pessoa já tem mais memória do tempo que viveu, e das coisas que fez ou deixou por fazer, do que aquelas que, pretende ainda vir a fazer, e a viver, então, essa pessoa está velha. Já não tem sonhos. Felizmente, hoje digo, é bom não fazer a viagem de trás para a frente, seja com rima ou sem rima.
Espero vir a fazer essa viagem de trás para a frente daqui a muitos anos.        



Miguel Santos - 8º A - Nº 23 - 2013 - Hoje é aluno do 12º na Escola Secundária de S. Lourenço de Portalegre                     

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Esquinas Planas

Subi a rua em sentido contrário ao que pretendia. Cruzei-me com várias pessoas, todas desconhecidas.
 Senti vontade de falar com alguém, mas, não encontrei uma pessoa conhecida. Claro que, isso não é motivo suficiente, sempre posso perguntar as horas, onde fica determinada rua, ou outra coisa qualquer.
A verdade é que não me senti, com o à vontade necessário, e suficiente, para iniciar uma conversa com desconhecidos. Ainda se fosse uma desconhecida, e da minha idade, tanto melhor, pensei.
Com este pensamento, continuei a andar. Cheguei ao cimo da rua. Fiquei parado por breves instantes, sem saber para que lado iria, se para a direita, se para a esquerda, ou se seguia em frente, continuando a caminhada, mas iniciando uma nova rua.
Nesta indecisão, reparei que à minha direita, a rua fazia uma esquina com uma montra enorme.
Esta, fazia um ângulo reto, cujos vidros, ocupavam a rua que acabara de subir, e uma outra que ficava à minha direita.
Resolvi então cortar à direita. Parei na esquina da montra, ou seja, precisamente na aresta,  que separa as duas faces da montra. Encostei o meu corpo à esquina da montra, de maneira a ficar com a aresta da montra precisamente a meio do meu corpo, levantei o meu braço direito, e, para minha surpresa vi refletido o meu corpo, no vidro que ficava à minha frente, funcionando este como um espelho. Em vez de um braço levantado tinha os dois.
Levantei também a perna direita, mantendo o braço levantado. Estão a ver a “cena”?, um braço e uma perna levantados, enquanto que a outra perna e o outro braço, se mantinham esticados ao longo do corpo, mas o que eu via refletido no vidro eram os dois braços e as duas pernas. Há pessoas a andar, algumas param, olham e sorriem, e eu penso, na figura ridicula que estou a fazer, mas que me diverte, e pelo olhar cúmplice que vejo no olhar das pessoas, elas de alguma forma também se divertem.
Já me esquecera da vontade que eu tinha de falar com alguêm. Continuei a brincadeira, levantar e baixar o braço e a perna ao mesmo tempo. Não imaginam como foi divertido, ver a imagem refletida no vidro da montra, como se estivesse a flutuar no espaço, sem tocar no chão. Foi divertidíssimo.
Não acreditam?. Façam a experiência, e vão ver como uma esquina plana, pode ser muito divertida.
  
Miguel Santos - nº 23 -8ºA - 22/10/2013 - Hoje frequenta o 12º na Escola Secundária de S. Lourenço de Portalegre

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Apanha que é ladrão


Certamente, todos os que pertencem à minha geração, alguma vez na sua infância, ouviram contar histórias, onde era dita e repetida vezes sem conta, a expressão, “Apanha que é ladrão”.
Esta expressão, veio-me à memória ao ouvir uma noticia, agora mesmo, na TVI e certamente também referida em outras estações televisivas e rádios. Eu repito a expressão, “apanha que é ladrão”, a questão está em saber quem é o ladrão?
Para tentarmos identificar quem é o ladrão, ou quem são os ladrões, temos de saber qual foi, ou é a notícia. A notícia é esta, A CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS, está escrita em maiúsculas, precisamente para ficar bem visível, e, talvez já como pista de quem poderá ser o provável ladrão, ou ladrões. Então não é que, a CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS, um banco com dinheiros públicos, que o mesmo é dizer dinheiro de todos nós, se prepara para gatunar uma vez mais, a partir de maio, aqueles que nada têm, que o mesmo é dizer míseras reformas. Mas afinal os bancos não servem para nós depositarmos o dinheiro que conseguimos, e poder levantá-lo quando quisermos e sem custos? O negócio dos bancos não é, emprestarem dinheiro, àqueles que a eles socorrem, e aí sim, se pagarem os juros e comissões que eles mesmo nos impõem. Sim porque nós só assinamos, numa outra expressão que eu adoro “nem tossimos nem mugimos”.
Os valores destes juros, para eles, já não chegam, porque outros gatunos, (os que receberam) com o aval de gatunos maiores, concederam empréstimos avultadíssimos, sem nenhumas garantias, e simplesmente gatunaram, os valores que são de todos nós. O que se fez e faz, a esses gatunos? Nada, alguns até foram premiados, com comendas, prémios e por aí afora.
Depois vem o mais alto magistrado da nação, é nação? tenho as minhas dúvidas, pelo menos, avaliando pelo conceito que tenho de nação, mas, como dizia, o mais alto magistrado da nação vem dizer que é justa esta gatunagem. Todos nós sabemos que, o gatuno, é aquele que na minha geração pilhava galinhas e que por esse gesto ía parar à prisão. Hoje os gatunos não pilham galinhas, pilham galinheiros inteiros e por esse gesto até são louvados, e, são tidos como bons gestores, e na opinião douta, do mais alto magistrado da nação, é uma prática justa. Haja pachorra. Eu quero ser gatuno.  

O Regresso

Quando pensamos no título ficamos a pensar de onde o autor vai regressar, ou para onde é que vai regressar. Se pensarmos na primeira opção, o autor pode regressar de um qualquer pais, das férias, do trabalho, temos inúmeras opções. Se pensarmos na segunda opção, se o autor for uma criança, vai poder regressar para a escola, ou, para outra actividade em que esteja a participar. Se o autor for um adulto, e estiver emigrado, pode regressar para a sua terra natal. Mas, tudo isto, são apenas exemplos. Agora vamos aos factos, o autor (eu) é uma criança, e vai regressar à escola.
Quando regressamos à escola, regressamos também aos amigos, aos professores, à matéria, aos trabalhos de casa, e muito mais coisas. Por mais que digamos que podiamos ter mais um mês de férias, e que não temos saudades da escola e de aturar os professores, é mentira,  porque, passado um mês de férias, o que mais queremos é voltar para a escola. O unico problema é que, assim que regressamos, ficamos logo cansados e queremos voltar a ter férias. Por mais que nos digam que temos que ir à escola para ficarmos mais espertos, e arranjarmos emprego quando formos mais velhos, nós continuaremos sempre a achar aquilo uma seca, e vamos continuar sempre a achar isso, mesmo quando formos mais velhos e vejamos que eles tinham razão. Quando estamos na escola, temos que estar com atenção porque depois vamos ter testes de avaliação, e temos que tirar boas notas. Mas, é só nos primeiros dias que estamos preocupados, (depende do aluno). Quando chega a véspera do teste é que são elas, porque temos que estudar todas as matérias que demos para trás, mas, como a vontade de estudar não é muita, vamos para o computador. Chega o dia do teste e anda-se com o livro nas mãos para estudar, o que não costuma dar muitos bons resultados. Em conclusão os pais, os professores e as pessoas mais velhas têm sempre razão, quando nos dizem que temos de estudar diariamente. Afinal, todos eles, já passaram pelo mesmo e sabem do que falam.  

Miguel Santos Nº23 - 8ºA (2013)  - Escola Secundária de S. Lourenço de Portalegre - Hoje frequenta o 12º ano