sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Passeio do Covid 19

 

Apesar do número de infectado com o covid 19, eu diria covid 21, dadas as muitas “camuflagens” que já adoptou, estar a diminuir por força deste aprisionamento a que somos sujeitos, o número de internamentos em cuidados intensivos, mantém-se ou está ligeiramente acima da média dos piores dias.

Com receio que este número venha a aumentar, e colapsar o serviço nacional de saúde, o governo contactou, a Comissão Europeia, ou eles se disponibilizaram nem sei bem, a pedir colaboração para o internamento e tratamento de infectados de covid 19 nesses países.  

O Luxemburgo a Áustria e a Alemanha prontificaram-se a ajudar Portugal na pior fase da pandemia. A Alemanha juntou a acção à palavra e enviou no dia três de fevereiro uma equipa militar de saúde constituída por médicos, enfermeiros e material diverso.

Naturalmente que, como cidadão europeu, fico muito satisfeito por ver esta empatia, ou seja, que haja “união europeia” na Comunidade Europeia.

Ao constatar este facto, ajuda europeia, atravessa-se no meu pensamento uma dúvida.

O nosso sistema de saúde é constituído pelo serviço público/Serviço Nacional de Saúde (SNS) e serviço privado de saúde. O serviço privado de saúde é uma concessão dada pelo estado/governo, que somos nós, aos investidores na doença. Investidores! ok, logo querem o maior ganho possível.

A minha dúvida reside exactamente aqui, no ganho. Porque é que o serviço privado de saúde não se disponibilizou a ajudar o serviço nacional de saúde. Dito de outra forma porque é que o estado/governo não contactou os hospitais privados antes de ter contactado e pedido ajuda ao estrangeiro? Se contactou porque não obteve essa disponibilidade? Por uma questão de ganho, dirão alguns. A minha dúvida persiste, se o estado/governo pagasse o mesmo valor do tratamento de um doente do SNS ao serviço privado este perdia ou ganhava dinheiro?

Sendo o vencimento dos médicos, dos enfermeiros e outros profissionais nestes países, superiores aos dos portugueses, é certo que se forem doentes para o estrangeiro o custo da hospitalização/tratamento terá de ser pago a esses países, para além do transporte. A dúvida persiste, todo este custo não é muito superior ao que viesse a ser pago no serviço privado? E se um doente morrer nesse país quem paga a transladação do corpo, os familiares ou o estado?

Nestes custos já nem estou a avaliar os custos “não patrimoniais”. Os custos de se sentirem abandonados ao “seu destino”.

Dentro da mesma política assistimos já ao transporte de doentes do continente para as ilhas. Já esgotámos toda a capacidade hospitalar no continente? Mas que raio, só gente idiota, se não há vaga nos cuidados intensivos do SNS requisite-se/obrigue-se o serviço privado a disponibilizar vagas, esse serviço apesar de privado é nosso, funcionam por concessão nossa.

Se podemos pagar menos porque pagamos mais? Não devemos ser convenientemente informados da política destas opções?

Sei que a minha voz não vai chegar aos locais próprios, ainda assim, não deixo de exigir essa explicação.

Há por aí alguém que me explique?

A única explicação que vejo, para além de todos estes negócios escuros à semelhança das PPP é dar lucro à TAP, se outras transportadoras aéreas não se adiantarem…

Ai país país, em que mãos foste calhar...


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Plátano sempre Plátano

(foto Rádio Portalegre)

Tenho o maior respeito, pelos mais velhos, sempre tive, foi assim que fui educado. Naturalmente que a boa educação, a consideração e o respeito não se esgotam nos mais velhos. Todos e tudo deve ser respeitado e aqui se incluem as pessoas, os animais e a natureza. E a fé de cada um.

No final do ano passado (novembro 2020) decorreu uma votação para eleger a árvore portuguesa de 2021. Foi “eleita” como árvore do ano o Plátano do Rossio. Já no ano anterior, a mesma árvore tinha ido a votos, tendo sido preterida em relação a outra.  

Este ano está a decorrer até ao dia 28 de fevereiro a votação para ser “eleita” como a árvore europeia do ano de 2021. “Tree of the Year 2021”.

Tem sido feita uma boa campanha a favor “desta causa” inclusive pelo Município de Portalegre, outra coisa não seria de esperar.

Tendo já o Plátano do Rossio, sido eleito como a árvore portuguesa de 2021, tem direito a letras maiúsculas, pela sua longevidade, estranho que a sua “eleição” ainda não tenha trazido nada de novo de benefício à vida dos portalegrenses, tão pouco à sua envolvência física, já que constitui um perigo andar naquelas “ondulações de terreno”.

Claro que tenho a esperança e o desejo de a ver eleita como “Tree of the Year 2021”.

Com esta eleição, tenho a certeza, senão não desejava tanto, que a vida dos portalegrenses vai rodar 180 graus e vai melhorar. O próprio executivo municipal aposta todos os seus trunfos, já prevendo a sua substituição.

Também não é de ficar indiferente, vamos ter nos “comandos do município” uma Senhora de cento e oitenta e três anos, felizmente continuamos com uma senhora, ao que dizem são mais sensíveis a avaliarem a natureza humana, detentora dos maiores segredos de Portalegre, imagino os desabafos que já ouviu, por isso conhecedora das necessidade e anseios dos portalegrenses.

Desta é que Portalegre vai sair do mapa dos pequeninos e entrar no mapa dos grandes, mapa mundial entenda-se.

E porque desejo muito esta eleição vota.

https://www.treeoftheyear.org/vote

  

domingo, 31 de janeiro de 2021

Quem parte e reparte...

“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é burro ou não tem arte”.

Sendo o povo sábio, porque se comporta como burro? teimoso em não ver ou não querer ver.

Os meios de comunicação social, atiram-nos diariamente pelos olhos e ouvidos adentro, as falcatruas e faltas de carácter dos que nos (des)governam.

Sou do tempo em que fui ensinado que, o crime não compensa. Isso fazia-nos acreditar, que mais tarde ou mais cedo seríamos apanhados e punidos.

Tenho de admitir que fui mal ensinado, pai, mãe, família, professores, amigos, vizinhos, ensinaram-me mal, deviam pedir-me desculpa. Infelizmente muitos de vós, a maioria, já não poderão fazê-lo, por já terem partido para um lugar, onde, ainda quero acreditar isso seja possível.

Todos vós já não poderão pedir-me desculpa, mas eu, ainda vou a tempo de pedir desculpa e perdão aos meus filhos, por também os ter enganado e tê-los feito acreditar na justeza dos homens e que o crime não compensa. Filhos, compensa sim.

Foram estabelecidos critérios para a vacinação do covid 19, poderemos não estar todos de acordo, mas sendo estes os estabelecidos, eram para ser respeitados por quem tem em primeira linha obrigação de cumprir. Pois são estes mesmos os primeiros a prevaricar e a escolher para si a vantagem, os outros que se f….

Quando pretendemos desejar algum mal a alguém e com medo de que esse mesmo mal nos caia em cima, dizemos: - “que Deus me perdoe”.

Eu não vou pedir o perdão de Deus e vou mesmo desejar, com toda a minha convicção e força mental que, todos os que furaram as regras repartindo para si o melhor ou primeiro quinhão, que o mesmo é dizer tomaram a vacina antes do que deviam sejam os primeiros a morrer, não tenho medo das palavras, morram imbecis, não fazem cá falta nenhuma, são só mais um número a aumentar aos infortunados que já partiram e esses sim, sem culpa nenhuma.

Já que não posso fazer justiça de outra forma que a força do meu pensamento e desejo se concretize.

É triste ter que reconhecer que o crime compensa de tal modo que não bastou terem levado a primeira dose por intermédio de falcatrua estejam já preparados para levarem a segunda.

Se não morreram na primeira toma que morram na segunda.

Talvez esta seja a forma de aprendermos a respeitar o outro.

O quanto eu gostava de vir a saber que, nem que fosse apenas um, dos que tomaram a vacina “indevidamente” tivesse morrido.

Passava a acreditar em Deus novamente.

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

A Minha primeira vez ( parte II)


(continuação do "blog" anterior) 

Sempre fui tímido e introvertido, mas, ao mesmo tempo, com muita vontade de me desafiar e experimentar o “desconhecido”.

Nunca me considerei um aluno cábula, porque nunca o tinha sido até então, por medo, mas sentia uma vontade “ENNOORMME” de experimentar.

Por esta altura, 1971, havia um “expert” na matéria, ou pelo menos eu assim o considerava. Não havia teste em que o meu amigo António Pinto não “cabulasse”, desculpa Pinto a confissão, mas prometi contar. Normalmente o Pinto ficava na ala à minha direita e mais ou menos ao meu lado, embora com distância. Assim que os professores distribuíam os enunciados dos testes, era vê-lo a puxar da(s) cábula(s) e pô-las em cima da mesa. Eu tremia cada vez que via aquilo. Ele impávido e sereno. Copiava o que tinha a copiar, não era o único, mas é dele que eu me lembro porque foi ele o “culpado” da minha primeira vez.

Quando terminavam os teste e já fora da sala, perguntava-lhe como é que ele tinha coragem de puxar pela cábulas e coloca-las em cima da mesa. Ele, como ainda hoje é, calmo, sereno e bem disposto, dizia-me: - Isidro, ao contrário do que os professores dizem, nós podemos copiar, eles é que não podem ver. Assim de simples.

Tantas vezes vi aquela destreza que, um dia decidi experimentar também a “ minha primeira vez”.

Também eu fiz uma cábula, não foi a primeira, mas foi a primeira que utilizei.

Uma pequena folha de bloco do tamanho da palma da minha mão, escrita a lápis, com letra muito pequenina, como deve ser uma boa cábula, para caber o máximo possível. Matéria: lei de Ohm, Lavoisier e outras que na altura se estudavam. Sabíamos que estas leis viriam no teste, propositadamente não as “encornei”, termo por nós utilizado e penso que ainda em utilização pelos estudantes de hoje. Queria ter a coragem de me inaugurar na “minha primeira vez” e sabia que esta seria a única maneira, tinha consciência que se não conseguisse era “nega” no teste.

A sala do “teste” para além da descrição feita anteriormente, tinha um enorme estrado junto do quadro onde se situava a secretária do(a) professor(a). Dessa secretária era visível toda a movimentação da sala por mais imperceptível que parecesse ser.

A professora Elvira Barroso, como sempre, percorreu a sala distribuindo os enunciados do teste. Logo que recebi o meu, estando ela de costa para mim, e na distribuição do enunciado seguinte, enchi-me de coragem, meti a mão no bolso do casaco e tirei a cábula. Ela continuou na distribuição dos restantes. Logo que terminou a distribuição, como era seu hábito, sentou-se à sua secretária a corrigir os testes da turma anterior. Normalmente os testes eram os mesmos, porque eram feitos a seguir umas turmas às outras, sem qualquer hipótese de conversarmos antes sobre o que vinha no teste.

À minha frente estava um colega que vestia capote, braços abertos a escrever, o que significava, encobrir-me de alguma forma, da visibilidade da professora.

Fiz o que sabia fazer, os problemas especialmente, tendo deixado para o fim as definições, o mesmo é dizer as “leis”.

Com a cabeça inclinada sobre o teste, olhei de soslaio, para aferir a posição da professora. Continuava sentada à secretária a corrigir testes.

A cábula que já estava na mão desde o início, coloquei-a no tampo da mesa, junto ao teste e do lado esquerdo. Copiei todas as definições. Estava tão “seguro de mim” que até me esqueci da professora, quando de repente, me apercebi que ela estava a caminhar em direcção a mim.

O medo foi tanto que o “climax” foi atingido. Não, não aconteceu o que estão a pensar, mas podia ter acontecido…

Assim que me apercebi que a professora estava a um passo de mim, coloquei a mão em cima do papel e fechei-a. O papel cantou: - rahahrahh!

Pensei, já foste apanhado, com o barulho que o papel fez. Atingi o “climax” as minhas pernas tremiam, que nem varas verdes. Os pés estavam assentes nas travessas da mesa, não chegavam ao chão, olhei para os meus joelhos e só os via subir e descer, a minha mão direita tremia visivelmente. Concentrei-me, implorando calma a mim mesmo. Deixei de escrever, fingindo que estava a ler o que acabara de escrever, finquei o bico da caneta na folha do teste, com toda a minha força a fim de parar de tremer, fiz mesmo um buraco na folha de teste. Finquei os pés na trave da mesa quase pondo-me de pé para que os joelhos parassem de subir e descer. Não conseguia parar de tremer. Como já tinha terminado o teste, decidi entregá-lo de imediato e sair da sala. Felizmente não fui “apanhado”, a professora não percebeu nada, não percebeu mesmo, porque se tivesse visto o mais leve indício de copianço, imediatamente me tinha retirado o teste, anulando-o e mandando-me sair da sala. Já tinha assistido a expulsões em outros testes.

Não se brincava com a professora Elvira Barroso nem com qualquer dos outros.

E pronto esta foi a “minha primeira vez”, estavam à espera que vos contasse o quê?
Aguardo a vossa primeira vez

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A Minha Primeira vez (parte I)

 

Depois de muito reflectir, porque não é um tema fácil, decidi contar “A minha primeira vez”.

Há uma primeira vez para tudo, inclusive para falar sobre essa primeira vez…

Porque envolve outras pessoas, ainda hesito, mas vou contar, com nomes e lugares. Espero que os “protagonistas” não me levem a mal.

Estamos no século passado, ano de 1971, cidade de Elvas, tenho treze anos, frequento o liceu de Elvas.

O liceu de Elvas funcionou, no andar superior do museu e biblioteca municipal, sito no largo do colégio, salvo o erro até 1976/77, ano em que foi extinto, passando os alunos a frequentarem a recém baptizada Escola Secundária de Elvas até então baptizada como Escola Industrial e Comercial de Elvas.

Neste tempo, as turmas eram sectárias, masculinas ou femininas, embora já houvesse uma turma mista. Pertencia à turma B que era masculina. A A era feminina e a C mista.

“A minha primeira vez” acontece em plena sala de aula, melhor dito, num teste de físico-quimica. – Anhanhh! Verdade, eu conto.

Cada turma, tinha a sua sala própria, onde eram ministradas todas as disciplinas, com excepção da disciplina de desenho e elaboração de testes.

Na sala de desenho, as mesas eram individuais, na boa verdade eram estiradores de desenho. Estas mesas como sabemos são altas, para se poder desenhar de pé, eram acompanhadas por cadeiras também altas. Apesar de estarmos antes do vinte e cinco de abril de 1974, cada um de nós já tinha a “liberdade” de escolher o local, mesa onde queria ficar. Os professores normalmente aceitavam estas escolhas havendo um ou outro que, de vez-em-quando trocava tudo.

Escolhia sempre o mesmo local, sensivelmente a meio da sala, mas mais próximo do quadro. Era sempre a ala encostada à parede do lado esquerdo, com janelas que davam para o largo do cine-teatro “S. Mateus”.

É inverno, uma sala enorme e fria, mas cheia de calor humano, seriamos aí uns trinta ou talvez um pouco mais, já não me lembro com exactidão, a designada sala de desenho.

Já imaginaram, a primeira vez dar-se num teste de físico-quimica? Trinta e tal alunos e a professora Elvira Barroso. Verdade, a minha primeira vez foi com a professora Elvira Barroso e a “culpa” foi do meu amigo António Pinto, sim foste mesmo tu, António Pinto, o culpado de tudo isto, já não te lembras? Pois eu não me esqueci.

(o resto segue no próximo “blog”)


quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A falta de tomates

 

Às 00h00 de hoje dia 15/01/2021 entramos em confinamento.

Mas o que é o confinamento?

O dicionário esclarece-nos:

Acção de prender, de cerrar ou isolar; isolamento: Confinamento de gado.

Estado ou condição do que ou de quem se encontra preso, cercado e impossibilitado de sair: bois criados em confinamento.

Processo de criação de animais que consiste em cercá-los por construções fechadas, sem acesso ao exterior.

Condição da pessoa que opta por se afastar do convívio social, permanecendo sem contacto com o mundo exterior; clausura: freiras em confinamento.

Esclarecido?

Eu não.

Não admira que esta gente que nos (des)governa nos “obrigue” a “confinar”, para eles e elas não passamos de “gado”.

Até quando estamos dispostos a aceitar este tratamento?

Faltam-nos “tomates”, como os dos bois, para dizer basta.

Mas que dizer, da falta de tomates dos (des)governantes, para assumirem que o que decretaram não é nenhum confinamento, mas sim uma c… (cloaca), onde tudo entra e sai.

Tenham tomates e assumam ao que vêm.

É um confinamento “para inglês ver”, apenas para não assumirem, a responsabilidade dos actos que cometem e com a continuação destas medidas, quando “isto for de mal a pior”, nos poderem atribuir a responsabilidade.

- Afinal a culta é tua que não confinaste.

Mas que confinamento?

Acabo por não saber se estou “obrigado” a confinar ou não. Mas, como gado, não tenho que entender, a minha função é pastar, no campo mesmo, esquecer os restaurantes e cafés, para me tornar num grande touro para ser abatido quando eles assim decidirem, não por excesso de “matadouros” mas por “excesso de pastagens” e falta de cuidados de saúde.

Já não há tomates como os de antigamente.


domingo, 10 de janeiro de 2021

“Concurso” público à ocupação de lugar a vagar


 “A minha visão” 
(já estou a ver o Miguel Sousa Tavares e a TVI a acusar-me de “copianço” ...)

É cíclico, de cinco em cinco anos, o lugar do mais alto magistrado da “nação” – Presidência da República fica “vago”. Vago, vago, nunca fica, nem pode ficar. Para isso é aberto “concurso público” só que neste caso nacional. A este concurso público só podem concorrer cidadãos nacionais, entenda-se, que sejam portugueses, maiores de trinta e cinco anos e que se julguem aptos/capazes a desempenhar tão elevado cargo.

A este concurso respondem normalmente mais ou menos uma mão cheia de pessoas, nunca ultrapassando as duas mãos cheias.

Sendo o “caderno de encargos” “escasso” e não muito detalhado nos pormenores ei-los a degladiarem-se sobre o que farão enquanto presidentes da república.

Para que se saiba o “caderno de encargos” está previsto no “concurso público” há muito publicado, ver título II, capítulo I – Estatuto e Eleição nos artigos 122º a 132º e sobretudo o capítulo II - Competência nos artigos 133º a 140º.

Fico pasmo, ao ver nos “supostos” debates televisivos dizerem “vou cumprir a constituição” mas o contrário seria de esperar? Bom, se calhar a novidade estaria aí, haver um candidato que dissesse, - eu não vou cumprir o “caderno de encargos” e vou ganhar o “concurso”. Isso sim, seria “giro de assistir.

Verdade que há um candidato que quase se atreve a dizer isso, e vai daí…está a cair em desgraça no seio dos outros concorrentes e seus adeptos, mas também e cada vez mais tem um leque bem grande e em crescimento de adeptos, porque será?

Não me quero pronunciar sobre nenhum “concorrente”, chamo-lhes concorrentes propositadamente, e não candidatos porque, para ser candidatos, tinham de simbolizar a pureza coisa que anda muito afastada destas pessoas. São concorrentes porque representam os mesmos produtos/serviços, no fundo os produtos/serviços dos partidos políticos que representam ou que os apoiam, sendo os partidos políticos por si só concorrentes.   

O que vemos nestes debates/entrevistas?

Por um lado, o ataque pessoal, literalmente, quer o ataque dos entrevistadores aos concorrentes quer o ataque entre eles. Do que nos é dado apreciar não há verdadeiramente um debate de ideias. A competência do presidente da república está consignada no “caderno de encargos” – Constituição da Republica Portuguesa. Do meu ponto de vista as ideias que trauteiam são as de “substituição do governo”, lá chegaremos, para isso, sugiro, que concorram às eleições legislativas…

Apesar de haver perto de duas mãos cheias de “quase nada”, de concorrentes, é suposto “advinhar” e eu como todos vós, mesmo os concorrentes e quem os apoiam, temos tanta certeza de quem vai chegar a primeiro lugar, que não temo, arriscar o meu dedo mindinho, a como vou acertar. Apenas houve um interregno nos abraços e beijinhos e não por vontade própria, mas porque a isso foi forçado. Felizmente está aí a vacina de combate ao “covid 19”, logo, logo estão aí os beijinhos e abraços.

Já que há pelo menos, um concorrente que vai propor a alteração ao “caderno de encargos” – Constituição da Republica Portuguesa, eu também faço a minha.

- Que os mandatos sejam de dez anos e seja único, assim evitávamos desperdício de tempo e perca de dinheiro.       

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

2021

 

Todos se queixam que o ano de 2020 foi péssimo, um ano para esquecer. Sinceramente, retirando está "coisa" que nos tem incomodado com mais incidência desde março, e que fez que alguns não vejam nascer 2021, pessoalmente, incomodou-me pouco e não o considero o meu "pior ano". Felizmente acabo-o de perfeita saúde, bem como os familiares mais próximos. Não me restringiu nos meus movimentos, trouxe-me o meu filho e nora de Bruxelas, tive todos os filhos em casa no Natal e todos continuamos bem. Talvez porque estou agradecido à vida está me retribua/compense. Continuo a acreditar e a desejar como sempre faço, que 2021 seja melhor, mas como sempre digo, que no mínimo seja igual a 2020. Infelizmente, tenho consciência que nem todos partilham deste meu desejo. Mas como digo, pessoalmente, e aqui estarei a ser egoísta, não o considero o meu pior ano. Da minha parte obrigado 2020. Vem 2021! Aguardo-te com muita esperança e tranquiliza as nossas almas. Para todos, sem excepção, que 2021 se concretize nos vossos/nossos desejos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Vozes de Burros não chegam ao Céu



 

Sou adaptativo aos locais, às situações e às pessoas. Não fico “agarrado”. Penso que não sou saudosista. Ontem, numa deslocação rápida à minha cidade de Elvas e porque estava próximo, deu-me vontade de calcorrear os espaços que são “tão meus”. A estrada de Santa Rita, as ruas do jardim municipal. Habituei-me a conhecê-lo. Nasci e morei numa das casas que já não existem, onde hoje está uma magnífica moradia, por baixo do lagar de Santa Rita. O conjunto de casas era designado por Santa Rita. O espaço adjacente às casas pega com a quinta do Salvador e com o lagar de Santa Rita. Em frente, ficava a quinta do Bispo, hoje não existente, apenas se mantém a residência do poeta António Sardinha. Não pude evitar ver o ribeiro, hoje não existente, que ladeava e atravessava a estrada de Santa Rita. Vi o tanque rasteiro, de água cristalina, que escorria da cascata da quinta do bispo, onde a minha mãe e irmãs, junto com as outras vizinhas lavavam a roupa, há muitos anos já entaipado, ao mesmo tempo que entaiparam o ribeiro. Vi a roupa a corar ao sol. Vi os acampamentos de ciganos, sempre havia ciganos nas margens do ribeiro. Ah! Não me venham com essa da nova moda da xenofobia e do racismo. Cresci junto com ciganos, com tendeiros, brinquei e briguei com eles e elas, vivíamos juntos. Fomos amigos. Vi-os chegar e partir, raramente estavam mais que uma semana seguida, talvez para darem lugar uns aos outros. Deslocavam-se em carroças puxadas por mulas e machos e deixavam sempre impecavelmente limpo todo o espaço que utilizavam. Eram bons vizinhos. Se para nós eles eram e são ciganos, para eles nós somos "gaios" acho que era este o termo que nos designava, já não me lembro com exactidão. Se alguém souber que o diga não me sinto ofendido por isso.

Vi as manadas, de gado bravo, a subirem a estrada de Santa Rita, com os guias/avisadores à frente e à distância, a avisarem os residentes que a manada estava a chegar, que nos metessemos em casa. Eu espreitava do portão, uma e outra vez, as vacas ou os toiros chegavam-se lá, e apesar do portão estar fechado " oh pernas pra que te quero". Era um espectáculo sempre que uma manada de vacas ou um rebanho de ovelhas enchia aquela estrada, a avenida António Sardinha e as estradas por onde circulavam na deslocação de uma herdade para outra. 

Hoje, ao ver estas imagens sinto alguma nostalgia. Velhice deve ser. Vi os as fontes a jorrar água todo o ano e onde tantas e tantas vezes, fui encher os cântaros de barros e os baldes de zinco. Lembro-me dos baldes de zinco porque mesmo vazios pesavam pra c…

Não me lembro de baldes de plástico. Essa água servia para tudo, para beber, para fazer comida, para os animais, para regar as flores e a pequena horta que fazia. Adorava cavar a terra, semear as alfaces, as couves, as nabiças, os coentros a salsa, os espinafres…para tomar banho, uma vez por semana d’inverno, num enorme alguidar de zinco, ainda hoje o guardo...de verão tomava-se mais vezes, podia-se tomar banho de água fresca e se ela era fresca…. Sim, não havia água canalizada. Vi a minha infância, a adolescência e o jovem adulto. Era feliz e não sabia. Baah! Eu não sou saudosista, mas que bateu saudade, bateu!.   

Mas ia-lhes falar do jardim municipal.

Era um espaço meu também. Atravessava-o para ir para a escola primária. Escola de Santa Luzia, isto quando subia a estrada de Santa Rita. Amiúdes vezes, percorria o muro que separava a quinta do Salvador da minha casa que pegava pela parte de trás com o recreio da escola. Pode-se dizer que vivia na escola. Quase sempre era o primeiro a chegar ao edifício masculino, porque só havia dois, o masculino e o feminino e a cantina. Chegava antes dos contínuos, sim, era assim que eram chamados e por ser o primeiro e levar muito tempo à espera chamavam-me o “galo da madrugada”. Talvez por isso, ainda hoje, detesto chegar atrasado, detesto que esperem por mim e não suporto esperar pelos outros. Não tenho memória de alguma vez ter chegado atrasado onde quer que fosse.

Já me perdi de novo.

Voltemos ao jardim.

Ao bater com os olhos na parede com o gradeamento e os pesados portões, veio-me à memória, consequência de acumular anos, que há muitos e muitos anos, também aqui na cidade de Elvas houve umas “inteligências” que quiseram derrubar toda a “muralha” que circunda o jardim, defendendo que o espaço devia ser de acesso livre. Felizmente houve uns burros, também os há, que se opuseram e ganharam os burros à inteligência. Não pude deixar, de fazer a comparação, com a cidade na qual vivo actualmente, Portalegre. Os burros aqui não são ouvidos. Bom, se calhar têm razão, “vozes de burro não chegam ao céu”. Deve ser por isso que se vive no inferno.

Não fiquei feliz com o estado em que se encontra um espaço que é tão meu, que é tão nosso dos Elvenses.

A câmara do telemóvel filmou as imagens que vos deixo.   

Os meus olhos, da memória naturalmente, viram um jardim impecavelmente limpo. Vi as equipas de jardineiros, dos quais faziam parte o Sr Zé, o meu tio Lourenço, o meu tio Zé, o meu tio João e outros que já me esqueci o nome. Vi-os debruçados sobre os canteiros, canteiros que eram autênticas peças de arte.

Os da minha geração certamente lembram-se, todos os canteiro tinham uma moldura. Eram assim constituídos:

tinham uma moldura de areia, seguida de outra de relva e no centro as flores. Sempre havia flores, próprias de cada estação. Quem não se lembra da rua dos liláses e do seu cheiro inebriante.

O parque infantil, era cercado com uma sebe de bucho e a entrada era paga. Lembro-me dos cinco tostões. Havia um campo de patinagem, sempre cheio, um campo de barcos, as cadeiras de baloiço, a roda com os cavalos o escorrega, as argolas, a barra, o vai-e-vem, não sei se me esqueci de algum…

Hoje o parque infantil não é pago e é o que se vê. Não existe campo de patinagem. Na entrada norte, havia um imenso lago que deu lugar a um campo. O cinema ao ar livre deu, há já muitos anos, lugar aos campos de ténis. Junto à entrada sul onde eram os lavadouros, e que praticamente toda a cidade se deslocava para lavar a roupa, hoje, é o campo desportivo com um anfi-teatro.

Subi ao "pico", já fora do jardim, chamava-se assim porque nos picávamos devidos aos cardos e outras ervas, quando nos sentávamos no chão para ver os filmes de "cóbois" e os filmes melodramáticos indianos, num gigantesco "ecrám" por não queremos pagar bilhete. Mesmo neste local, imperava o respeito e o silêncio quando os filmes iniciavam. 

O gigantesco "ecrám" ficou lá, mesmo depois das alterações. Para memória futura... 

Não tenho nada contra estas alterações/melhorias, porque muitas das antes existente, por força dos modernismos, deixaram de fazer sentido. 

Já quanto ao estado de limpeza e conservação tenho muito a dizer. Os meus olhos, os da memória, nunca viram um jardim tão sujo e não me venham com a desculpa que as folhas caem, sempre caíram e nunca as vi no chão. Os canteiros tinham flores, sempre, em todas as estações. Hoje, as flores que os meus olhos viram foram as “azedas” e as ervas. Nem relva há, apenas erva.

Os lagos sempre tinham água, peixes e patos e eram limpos todas as semanas.

Quem não se lembra da rua das palmeiras? Hoje inexistentes, foi doença, certo, mas não podiam já terem sido substituídas?. O jardim municipal, o espaço que é tão meu, o espaço que é tão nosso, o espaço que é tão bonito merece um cuidado melhor.

O espaço envolvente do palácio da justiça que os meus olhos viram também era cuidado pelos mesmos jardineiros, Hoje, o que os meus olhos viram e a câmara regista para a posteridade é um espaço degradante, cheio de ervas.

Infelizmente, tenho de reconhecer que os espaços do jardim e do palácio da justiça, estão em pior estado de limpeza e conservação, comparados com os parques da corredoura e avenida da liberdade de Portalegre.

Tenho esperança que os burros de hoje, à semelhança dos burros de outrora, exijam a quem de direito, a dignificação de tão emblemáticos espaços numa cidade que é património mundial.

Desafio a quem tiver fotos dos tempos da memória que as publique seria “giro” todos recordarmos.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Pôs-se a jeito


Parece que ultimamente, bom não será tão ultimamente, mas de sempre…que o executivo camarário de Portalegre e mais concretamente a sua presidente se têm “posto a jeito” e vai daí é desancar nela…

A polémica mais recente é, ao que é dito, e comentado por estas páginas sociais e confirmado pelo próprio alvo da polémica, o facto da Sra presidente do executivo camarário, ter posto na rua um munícipe, aquando da sua interpelação, na reunião da câmara no dia 9 de dezembro e no tempo destinado aos munícipes.

Parece que a Sra presidente não gostou da interpelação e vai daí, chama de mentiroso o interpelante, pondo-o na rua, ou será que o convidou a sair? é que fará toda a diferença, digo eu, bom o certo é que o interpelante acatou a ordem ou aceitou o convite e saiu.

Esta história faz-me lembrar outras por mim vividas, quando a capacidade de argumentação do contraditório, ou a certeza da resposta, não é apanágio de certas mentes, o melhor mesmo, é mandar ou convidar, a calar e a sair. Já o rei dizia “por qué no te calhas?

Quero deixar claro que não concordo e censuro a atitude tida pela Sra presidente da câmara de Portalegre. Quero acreditar, e atrevo-me a afirmar que, tal atitude, não se deve de todo, a falta de educação e cultura democrática, mas sim a cansaço, por ser desancada a torto e a direito que o mesmo é dizer, por todos os que, quando lhes interessa e são atendidos nas suas solicitações, omitem e nada dizem, quando não são atendidos toca a desancar…coitada da Senhora nem sei como consegue andar e penso que já nem de muletas lá vai...

Ao que parece também, alguns membros do executivo que estiveram presentes, quer por direito próprio quer em representação de outros, insurgiram-se nas redes sociais do comportamento da Sra presidente. A minha pergunta é se na reunião disseram alguma coisa sobre este facto ou tomaram alguma atitude?

Após a notícia saída nas redes sociais, os comentadores do costume, nos quais me incluo, vão de tecer as suas opiniões, o que é legítimo, naturalmente.

Em alguma dessas opiniões, os opinantes, misturam a pessoa com os cargos que os alvos dos comentários desempenharam ou desempenham. Recuso-me terminantemente a misturar.

Se é certo que o interpelante na reunião da câmara é coronel da GNR, mesmo na reforma continua a sê-lo, foi comandante do Centro de Formação de Praças da GNR, o certo é que a sua interpelação à Sra presidente não foi enquanto coronel nem tão pouco enquanto comandante, mas sim enquanto dirigente associativo e cidadão.

Não concordo em nada que se façam deduções que envolvam a GNR.

Ao ler essa publicação, fico com o “sabor” que a justeza das interpelações tem a ver com a condição social, económica e corporativista e que se o interpelante tivesse sido um munícipe desconhecido e mandado sair ou convidado a sair não teria havido caso.

Para mim, o respeito é devido à pessoa enquanto cidadão, independentemente da sua condição social e económica.

Enquanto não conseguirmos ver o outro como pessoa, dificilmente conseguiremos mudar esta sociedade.   

Com estas opiniões e comentários todos nos “pomos a jeito”.