quinta-feira, 25 de março de 2021

Aceita que dói menos

Foto "furtada" de Portalegre à bruta
 Porque o tempo sobra, neste confinamento que não há meio de acabar, dou por mim sentado, à espera que o tempo se faça tempo e o confinamento se faça vida.

Nos entretanto, perco-me a navegar nas ondas do meu pensamento, cavalgando a crista ou submergindo-me nas suas brumas.

Hoje, estas ondas trazem-me à memória, uma expressão que ouvi há relativamente pouco tempo, proferida por um concorrente na altura do “Big Brother 2020”. Dizia ele: - Aceita que dói menos. Já deve ser velha como o tempo, mas nunca a tinha ouvido ou pelo menos prestado atenção.

“Aceita que dói menos” traz consigo a força do oceano indomável, que nos catapulta para a crista da onda e a tranquilidade e frescura da brisa que nos acaricia o corpo e o pensamento.

Porque rejeitamos aceitar, quando possuímos a chave que nos tranquiliza, acaricia os pensares e nos pode fazer feliz.

A luta da rejeição desgasta-nos, retira-nos a energia que tão necessária é.

Aceita que dói menos vem ainda a propósito do que nos foi dado assistir “on line” na última sessão pública da câmara municipal de Portalegre.

De entre os vários temas debatidos, vem o sempre repetitivamente “pau da bandeira” peço desculpa à Sra presidente “A rotunda de Portugal” ou “Rotunda da bandeira de Portugal”.

Já aqui manifestei a minha não concordância com a demolição do então monumento dos “dadores de sangue”.

Concordando ou não, a decisão foi tomada por quem tem competência para tal e a demolição foi efectuada. Em consequência foi requalificada a rotunda, outrora chamada de “Rotunda dos dadores de sangue”, hoje, designada popularmente, ou pelos críticos como eu de “Rotunda do pau da bandeira”, e o nome quer se queira ou não, quer se aceite ou não, já pegou… as “elites” nomeadamente a Sra presidente e eventualmente alguns dos seus vereadores/seguidores querem obrigar-nos a pensar pela sua cabeça e fazer-nos aceitar que de futuro a dita rotunda é chamada de “Rotunda de Portugal”.

Sra presidente Adelaide Teixeira, com toda a consideração e estima, lhe digo, eu já aceitei a demolição, também não tinha como não aceitar, já aceitei a nova requalificação, até aceito que está a ficar bonita, já aceitei o nome de “rotunda do pau da bandeira”. A Sra presidente, não tem como não aceitar, que eu e outros como eu, se refiram àquela rotunda como “A rotunda do pau da bandeira”. Aceite que dói menos, passará a ser conhecida com este nome e o seu, enquanto presidente de câmara, aceite ou não, estará sempre a ela ligado.

Para sua tranquilidade e concentração, empenhe-se no que é essencial, para a resolução dos verdadeiros problemas dos portalegrenses.

Ainda sobre este tema e quanto ao valor gasto com a totalidade da reformulação da rotunda não posso deixar de referir o meu sentimento de tristeza, de dor até, ao assistir à troca de argumentos entre dois Sr(s) vereadores sendo um deles vice-presidente da câmara Municipal de Portalegre. Foi deprimente, e custa-me dizê-lo, ouvir a argumentação do Sr vice-presidente, João Cardoso, esperava mais, muito mais deste senhor.

Com apoios destes, até compreendo o “desnorte”, por vezes manifestado, pela Sra presidente.

Sr. Vice-presidente e Sra presidente, aceitem que dói menos, que o custo (gastos) com a empreitada de remodelação da rotunda do pau da bandeira, foi o defendido, por defeito, como o Sr vereador da CDU esclareceu.

Tenho esperança que este assunto, seja aceite por todos por doer menos e que não venhamos a ouvir o mesmo que já nos cansa.         

quarta-feira, 24 de março de 2021

Aqui D'El Rei

A Câmara Municipal de Portalegre, tem-nos brindado e bem, assistir e participar, “on line”, os que estiverem interessados, nas duas últimas sessões públicas.

Pelo que me foi dado observar, pelo cantinho do olho, assistiram em média cerca de centena e meia de “curiosos”. Uma “multidão” comparando com os “curiosos” presentes, nas sessões presenciais. À Câmara Municipal de Portalegre, à Senhora presidente e aos Sr. Vereadores, sugiro que continuem com estas sessões, especialmente nesta fase de quase “campanha eleitoral” é uma forma simples, segura e barata de estarem mais perto de nós, cumprindo o distanciamento. Se, por outro motivo não for, agradeço à “pandemia” esta oportunidade de me ir inteirando do que se passa a nível governativo camarário e perceber que os Senhores vereadores ou alguns pouco mais sabem do que aquilo que é a voz corrente popular ou como o Sr vereador Artur Correia disse os “boatos” que correm, referindo-se à candidatura de aumento do canil/gatil de Portalegre que tenha ficado para trás, ao que parece nem a própria presidente sabe se houve alguma candidatura que não tenha andado….para além daquela que referiu. Aguardemos o desenrolar, prevejo que vão vir novos episódios.

Assistimos nestas últimas duas sessões à monopolização de praticamente todo o “tempo de antena” por parte de um Sr vereador, concretamente da CDU, o Sr vereador Luís Pargana. “Bate muito no ceguinho”, mas este, vá-se lá saber porquê, se por falta de conhecimento musical, falta de voz, ou de ouvido, não consegue cantar mais alto, e continua a fazer “ouvidos de mercador” aos seus “hinos de encantamento”.  

A determinado momento da sessão, à força de tanto bater no “ceguinho/a” este/a parece ter finalmente despertado e aí “cantou mais alto”. Tendo dito, mais ou menos, na minha interpretação:

“A rotunda dos dadores já foi

um monumento problemático,

retirava a visão aos automobilistas lunáticos.

O pau da bandeira?

Só pode ser brincadeira!

Tenha juízo e eleve o moral!

Hoje ela é, a rotunda de Portugal”.

Ah,Ah,Ah…

Nestas “batidelas” foi sugerido também que a câmara comprasse o palácio D. Nuno de Sousa, dado o valor arquitectónico das janelas manuelinas e do emblemático café alentejano. Não vou por em causa este valor, considerando até que terá um valor superior ao valor pedido pelo imóvel, pena eu ser um pé rapado, e não ter dinheiro para investir. Penso que não é necessário ser a câmara a comprá-lo para salvaguardar este valor arquitectónico. Qualquer investidor quererá salvaguardar esta “riqueza”. O problema poderá ser como o rentabilizar, já que cada vez mais é uma “cidade fantasma”. Ainda que assim não fosse caberá sempre à câmara salvaguardar esse património na aprovação das eventuais alterações a proceder na requalificação. A minha surpresa é, porque só agora o Sr vereador sugeriu esta compra, quando há já muito tempo ele está posto à venda. E depois a câmara vai comprar para fazer nele o quê? O Sr vereador que fez a “proposta de aquisição” devia também ter dito o que pensa fazer nele, já deve ter “uma ideia de investimento” sob pena de vir a ser mais um gasto sem aproveitamento. Mas quero acreditar que o Sr vereador Luís Pargana me/nos irá elucidar sobre o investimento na próxima sessão. Lembro-me que há uns tempos atrás, um ano ou mais, também houve um burburinho sobre um outro imóvel emblemático da cidade, concretamente o cine-teatro junto à igreja de S. Lourenço, o qual continua à venda.

Será que isto é demagogia?

 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Racista e Xenófobo! Eu?

 

Em que ficamos há raça ou não há raça? Confuso?

Os novos “modeladores” de pensamento

Nasci pobre e continuo pobre.

Nasci branco e de famílias brancas e continuo branco.

Frequentei escolas públicas de brancos, porque as frequentei em Portugal, onde a maioria da população era branca.

Casei com uma mulher branca e de famílias brancas e tive três filhos brancos. Um deles, já casou com uma mulher branca e de famílias brancas, embora não portuguesas. Ainda não tenho netos brancos, mas espero e desejo vir a tê-los.

Quando frequentei a escola pública de brancos, foi-me ensinado e assim aprendi, que os nativos de áfrica eram pretos e tinham o cabelo encaracolado, assim sem mais. Que os nativos da américa do sul, Brasil, por ter sido uma colónia portuguesa eram os índios e eram vermelhos. Os nativos da ásia eram amarelos. Os nativos da europa eram brancos. 

Não vou discutir se os brancos são mesmo brancos ou se são rosa. Se os pretos são mesmo pretos ou se são castanhos. Se os índios são mesmo vermelhos ou… a mim nunca me pareceram vermelhos, talvez porque nunca tenha visto um verdadeiro índio ao vivo e a cores. Se os asiáticos são mesmo amarelos ou…

O que sei é que assim nos era ensinado, hoje não sei como se ensina, e não havia discussão, talvez porque a palavra do professor era lei, talvez porque não havia pretos, não havia vermelhos, não havia amarelos nas salas de aula.

Quer queiramos ou não, a cor da pele é uma característica física que nos distingue, entra pelos olhos adentro de qualquer um de nós.

Porque é que eu sou racista e xenófobo só porque sendo branco digo ele(a) é preta, vermelha ou amarela. Não consigo entender.

Porque é que eu sou racista e xenófobo só porque sendo inteligente digo ele(a) é burra. Não consigo entender.

Porque é que sou racista e xenófobo só porque sendo bonito digo ele(a) é feia. Não consigo entender.

Porque é que sou racista e xenófobo só porque sendo magro digo ele(a) é gorda. Não consigo entender.

E podia continuar a lista seria interminável.

Ah! Pois claro! Porque o eu ser inteligente, ser bonito, ser magro é uma característica minha e eu sou livre de me caracterizar como bem entender. Já não sou livre para caracterizar os outros, isso já é ser racista e xenófobo. Pois claro.

Para lembrar ou fazer aprender os burros de hoje que se acham sabedores, os verdadeiros racistas e xenófobos e os actuais moldadores de consciências e fazedores de alteração da história fiquem sabendo, que o ser humano é o único ser vivo na terra que classifica tudo. Para os distinguir, no que são distintos e para os igualar no que são iguais. É racista e xenófobo por natureza e inteligência. Eu e tu, branco, preto, vermelho, ou amarelo somos racistas e xenófobos.

Assim, criou aquilo a que chamou classificações taxonómicas da vida.

Claro que não vou entrar numa “aula” de ciências porque para além de extensa, esse não é o objectivo e porque não tenho gabarito para tal. Apenas lembrar os que se esqueceram ou nunca chegaram a aprender.

Reino: a mais ampla das classificações taxonómicas tradicionais. Separa os seres vivos em categorias mais gerais e inclusivas – Amimalia, Platae, Bacteria.

Filo: Agrupamento amplo que divide os membros de um reino em categorias de acordo com certas semelhanças estruturais e genéticas mais gerais. – Chordata, Magnoliophyta, Proteobacteria.

Classe: Agrupamento médio que divide os membros de um filo em categorias mais específicas de acordo com plano corporal, ancestralidade comum etc. – Mammalia, Magnoliopsida, Gamma, Proteobacteria.

Ordem: Agrupamento que divide os membros de uma classe em subgrupos, cujos integrantes apresentam características específicas e definitivas e têm ancestrais em comum. O nome geral de um grupo de animais vem da sua ordem. Por exemplo: os membros da ordem dos Primatas são conhecidos como “macacos” – Primates, Rosales, Enterobacteriales.

Família: Agrupamento relativamente específico que divide os membros de uma ordem em conjuntos lógicos de organismos relacionados uns aos outros. Na nomenclatura em latim, os nomes das famílias costumam terminar em “ae” – Hominidae, Rosaceae, Enterobacteriaceae.

Género: Agrupamento específico que divide os membros de uma família em subgrupos compactos de organismos bem parecidos. Quase todos os membros de um género são descendentes directos de um único ancestral comum. O nome deles compõe a primeira parte do nome científico de um organismo e sempre é escrito em itálico e com a inicial maiúscula. – Homo, Rubus, Escherichia.

Espécie: A classificação mais específica de todas. Refere-se a um grupo delimitado e exacto de organismos, que são idênticos em termos de morfologia. Somente membros de uma mesma espécie são capazes de procriarem. O nome deles compõe a segunda parte do nome científico de um organismo e sempre é escrito em itálico e com inicial minúscula – sapiens, rosifolius, coli

Perante esta extensa exposição, o ser humano é um animal como todos sabemos, logo pertence ao reino Amimalia. Ao filo Chordata. À classe Mammalia (mamífero). À ordem Primates (Primatas). À família Hominidae. Ao género Homo. À espécie sapiens.

Diz-nos a ciência que os indivíduos da mesma espécie têm aparência semelhante e podem cruzar e procriar somente com indivíduos da mesma espécie. A ciência diz-nos mais, diz-nos que mesmo pertencendo à mesma espécie, dois animais podem ter aparências distintas e dão como exemplo: o Chihuahua e o golden retriever são bem diferentes um do outro, mas ainda pertencentes à mesma espécie.

As espécies ainda podem ser divididas em sub-espécies ou raças e por isso os Chihuahua e os golden retriever são de raças diferentes. O sapiens que tudo classifica, não teve a coragem de se “raçar” a si próprio, mal a meu ver, mas quem sou eu para fazer tal afirmação. É por demais evidente que o sapiens também tem raça, goste-se ou não. Queira aceitar-se ou não. Porque o sapiens não teve essa coragem logo cientificamente a raça não existe, vou centrar-me apenas na espécie. Diz-nos a ciência que mesmo pertencendo à mesma espécie dois animais podem ter aparências distintas.

É disto mesmo que se trata, dois animais pertencendo à mesma espécie “sapienspodem ter e têm aparências diferentes. Uns são brancos com olhos azuis e cabelos loiros. Outros são brancos com olhos castanhos, pretos ou o que seja. Outros são pretos com olhos azuis e cabelo em carapinha. Outos são pretos com olhos castanhos e cabelo em carapinha, Outros são vermelhos com cabelo preto luzidio. Outros são amarelos com os olhos em bico.

Só porque eu faço salientar uma destas aparências quando me refiro a um individuo desta espécie e refiro preto estou a ser racista e xenófobo. Um preto referir-se a mim como branco já não é racista nem xenófobo, está a lutar pelos seus direitos. Se eu disser que um Islandês é branco de olhos azuis já não sou nem racista nem xenófobo. 

Com tudo isto, há uma dúvida que me assalta o pensamento. Se a classificação taxonómicas do sapiens (seres humanos) termina na espécie não a levando até à sub-espécie ou raça porque é que eu sou racista se me fico na espécie.

(vou voltar a este assunto na próxima publicação)


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

A minha ignorância


Santa ignorância a minha
 Não sou letrado, tampouco, ou será tão pouco, ou tão-pouco, literato, mas sempre gostei de escrever. A revelação da minha ignorância nem sequer se ia referir a esta ou outras palavras/expressões. Ela apenas surgiu, porque ao escrevê-la, deparei-me com estas três formas e fiquei na dúvida/ignorância de qual deveria utilizar.

A ignorância de que quero falar é bem mais simples, ou não e que supostamente deveria estar aprendida, refiro-me à pontuação e mais concretamente à (,) – vírgula.

Todos sabemos a importância que a vírgula tem num texto ou numa frase. A sua colocação modifica por completo o sentido dessa frase.

Em tempos “remotos”, aprendi ou foi sempre esta a ideia com que fiquei que a (,) é para ser utilizada para fazer uma ”paragem”. Para respirarmos. Sempre que parar utilize uma (,). Mas será mesmo assim? Talvez não, já que cada um de nós fala de maneira diferente, usa pausas diferentes e basicamente decide como falar. Apesar disso, devemos ter cuidado, pois somos julgados pelo modo de falar e sobretudo escrever.

Mas não podemos simplesmente decidir onde tem e onde não tem (,). Ela tem poder demais para ser arbitrária.

Talvez por isso, não encontramos na obra de José Saramago uma (,) assim, deixa-nos o livre arbítrio de a colocarmos onde entendermos.

Apendi, ou assim penso, que numa frase há a oração principal, não tem a ver com reza, e as orações subordinadas.

A oração principal é composta pelo sujeito, pelo predicado e pelo complemento directo. Mais tarde mercê da modernidade, estes vocábulos passaram a chamar-se de sintagma nominal, sintagma verbal e sintagmas adverbiais, corrijam-me se estiver a induzir os incautos em erro.

Uma oração principal seria do tipo – O João comeu o bolo. A(o) professora(r) diria: João classifique sintaticamente esta oração. O João que dominava esta matéria a cem por cento, sem hesitar e com a certeza de exitar, respondia:

- O João é o sujeito (sintagma nominal).  Predicado comeu (sintagma verbal).

 Depois, interiormente, fazia a pergunta aos seus botões, comeu o quê? E respondia. Comeu o bolo. Concluía então o bolo é o complemento directo.

Com ar de superioridade respondia perante o ar incrédulo dos companheiros:

- “O bolo” complemento directo.

Até aqui parece-me que está tudo bem ou será que não? Começa a minha ignorância. Onde deveria ter colocado as (,)?

Refiro-me não só à frase “ o João comeu o bolo” mas a todos os períodos atrás escritos.

Sempre aprendi que o sujeito não se separa por (,) do predicado nem do complemento directo.

A verdade é que já vi por estas “paginas” do facebook e escritas por professores(as), de português,  e estes que me desculpem, frases deste tipo (oração principal) “o João, comeu o bolo” “ o João, comeu, o bolo”.

Apendi, ou assim penso que o “e” – i substitui a virgula e que regra geral, não se coloca uma (,) antes a um “e” e depois do “e” coloca-se?, como vejo com muita frequência a (,) antes e depois de um “e” fico na ignorância. Ao que aprendi a (,) só se utiliza antes de um “e” –i,  quando a frase depois do "e" fala de uma pessoa, coisa, ou objecto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Exemplo “o Sol já ia fraco, e a tarde era amena”.

E quanto à colocação da (,) antes e depois da palavra “que” é de colocar ou não? Antes ou depois?

Já vi de todas as maneira, sem nenhuma (,) antes da palavra “que” com (,) antes e depois da palavra. O “que” é apenas um exemplo, podíamos falar também das palavras “mas”, “porém”, “contudo” etc.

A minha ignorância leva-me a questionar se coloquei todas as (,) no lugar certo. Se coloquei demais ou de menos.

A ignorância leva-me a pensar e talvez decidir que daqui para diante passarei a escrever todos os meus textos sem (,) à semelhança do galardoado com o prémio Nobel - José Saramago. Se ele pode porque não poderei eu? Assim tudo ficará mais simples.

 

Santa ignorância a minha

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Onde está a voz de S. Exa o Presidente da República

 

Será também ele, um taliban? 

Em 2001, há uma “eternidade”, o mundo assistia à destruição, por parte dos talibans, das estátuas budistas pré-islâmicas, algumas com mais de dois mil anos.

O decreto do “mullah” Omar, líder dos talibans, explicava que a sua decisão era uma “ordem do islão”, porque as estátuas podem tornar-se objecto de culto e a lei islâmica não permite a adoração de imagens. O líder taliban esclareceu depois que se não forem objecto de culto, então as estátuas não passam de pedras e podem ser destruídas. “Nada me importa a não ser o “islão”, frisou o “mullah” Omar.

O director geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, pediu "encarecidamente" aos taliban que não destruam os monumentos pré-islâmicos e que façam tudo para proteger este "património cultural único". "Os autores deste acto irremediável assumem uma terrível responsabilidade perante o povo afegão e perante a História", avisou Marsuura.

Narro este pequeno lapso de tempo, da história mundial recente, porque infelizmente, os “taliban” não existem apenas no Afeganistão ou nos países árabes. Estão entre nós, cruzamos com eles diariamente e têm nomes. Eu chamo-lhes escumalha. Esta escumalha apenas quer que “adoremos” o seu próprio “culto”.

Nestes dias, temos ouvido umas vozes, desta escumalha, que avogam a destruição dos símbolos da nossa história, sejam eles os brasões das ex províncias ultramarinas e pasme-se o Padrão dos descobrimentos. As pessoas sábias, na sua impotência de compreensão, provocam estes talibans a destruírem também, o mosteiro dos jerónimos, a praça do império, o mosteiro da batalha e sei lá, digo eu, destruam todos os monumentos nacionais, que alguns pela sua dimensão histórica são mundiais. Eu porque sou alentejano de Elvas e só conheço o meu “quadrado”, provoco que se proceda à destruição das muralhas de Elvas, do aqueduto da amoreira, do forte da Graça, dos fortins, das igrejas. Em Portalegre, cidade onde resido, arrasem-se os conventos, os solares, as fábricas. Ah! Pois, já se começou a arrasar, as fábricas, o jardim da Corredoura e o monumento de homenagem aos dadores de sangue já foram o que se vai seguir?… Para que é que queremos tudo isso em pé se só nos lembra uma história de desgraça, de escravidão e de guerras. Pensam estes talibans do nosso Portugal que, ao destruírem-se os monumentos, porque são pedras, destrói-se a memória. A memória e a história vivem na nossa mente e a menos que se destruam todas as mentes a memória e a história permanecerão.

À parte isto, estes taliban portugueses, até podem ser presidentes de câmara, vereadores, ex-governantes, deputados na assembleia da república que não passam de criminosos, repito criminosos e políticos de merda, repito, políticos de merda. Se eu ou tu simples cidadãos, destruirmos um banco de jardim público, somos considerados e bem, criminosos e seremos julgados por isso. Porque é que esta escumalha/talibans são considerados heróis ao destruírem a nossa memória histórica.

Onde está a voz do Sr presidente da república? Este Sr, habituou-nos a ouvir os seus comentários sobre tudo e nada e muitas vezes é mesmo nada. Porque é que ele ainda não levantou a sua voz e diz de uma forma clara “porque não se calam com essas bacoradas”.

Será também ele, um taliban?     


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Dona Sebastiana "A desejada"

A Lenda irá rezar assim:

Decorria o final do ano, Setembro/Outubro, de 2021. O concelho de Portalegre vinha definhando há já várias décadas, acentuando-se o seu declínio nos últimos dez anos. A vice-presidente, Adelaide Teixeira, assumia, a meados de 2011, o destino de “afundanço” do concelho e em especial o da cidade de Portalegre e dos que nela habitam, por renúncia, do até esta data timoneiro, Mata Cáceres. Ainda estão por desvendar os motivos desta renúncia, apenas se sabendo que foram “motivos pessoais”.

A nova timoneira, sentido a falta de lastro, lá foi equilibrando a embarcação, embora nunca a tenha conseguido fazer mexer.

Timoneira que se preze nunca abandona a embarcação, nem que esta afunde. Decorria o final do ano de 2013, altura em que as timoneiras(os) fazeram novas promessas que, desta vez é que iam fazer andar o navio. Os “escravos” da embarcação, acorrentados, mãos nos remos, remavam, remavam, rematavam, mas infelizmente, quanto mais remavam mais se afundavam.

A timoneira sabia da continuação da falta de lastro e sabia que não podia “assaltar” outras embarcações, bancos, por um lado, porque não se conseguia mexer, nem tinha quem a ajudasse, e por outro, enquanto não se visse livre do peso excessivo, dívidas, que tinha herdado. Não há embarcação que aguente os temporais e cada vez mais se afunda.

Como marinheira que é, tudo fez para se manter à tona, mesmo que a embarcação se despregue e arraste para o fundo do mar muitos dos seus marinheiros, haverá sempre uma tábua a que se poderá agarrar e mantê-la com o nariz de fora. E foi assim, em 2017 nova tábua surgiu, prometeu que a embarcação já se tinha desprendido do peso excessivo e que já podia adquirir lastro. Desta é que a embarcação iria navegar.

Dada a sua dimensão, a embarcação foi cobiçada por outros marinheiros, vindos até de outras naus, que já não podiam timonear. Os “escravos”, como servos que são e por acreditarem em falsas promessas, deram de novo o leme à timoneira.   

Quatro anos decorreram no afundanço do navio, mas eis que, quando só já se via a ponta do mastro, a timoneira coloca lá a bandeira. Os “escravos” regozijaram acreditando na salvação da embarcação.

Fevereiro de 2021, alguns “escravos” são acordados, através de uma moda em voga na altura, “redes sociais” que uma nova timoneira “Dona Sebastiana”, Fermelinda Carvalho, "A desejada" vinda de outra nau, a navegar na proximidade das mesmas águas, vai querer ser a nova “Comandante” desta embarcação.

Os escravos ficaram eufóricos com tal notícia. Era vê-los a babarem-se nas redes sociais da altura.

Dona Sebastiana a “desejada” está a chegar.

Porque as regras de timonear este tipo de embarcação, proíbem que os timoneiros(as) o façam por mais de quatro “timonereiros”, palavra inventada agora, para dizer mandatos seguidos, como “bons” timoneiros que são, logo inventam forma de contornar tão grande obstáculo surgido no meio do mar e vai daí dizem que a regra que os proíbe se cinge à mesma nau, não se aplicando a outras. Pérfidas mentes que assim pensam. Só revelam que o que lhes interessa é a sua própria salvação e não a da embarcação.

Setembro/Outubro de 2021 foi desencadeada a “batalha”. Apresentaram-se vários timoneiro e timoneiras para a naufragada embarcação. Foi uma batalha de “Titãs” onde apenas um sobreviveu. Do “galeão” já não há vestígios, afundou-se completamente.

As “naus” que navegavam nas mesmas águas, catorze no total, apoderaram-se dos despojos daquele que pretendeu ser um “galeão” mas que nunca foi, juntaram os lastros e deram início à construção de uma super embarcação que designaram “Juntos temos mais poder”.  

 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Passeio do Covid 19

 

Apesar do número de infectado com o covid 19, eu diria covid 21, dadas as muitas “camuflagens” que já adoptou, estar a diminuir por força deste aprisionamento a que somos sujeitos, o número de internamentos em cuidados intensivos, mantém-se ou está ligeiramente acima da média dos piores dias.

Com receio que este número venha a aumentar, e colapsar o serviço nacional de saúde, o governo contactou, a Comissão Europeia, ou eles se disponibilizaram nem sei bem, a pedir colaboração para o internamento e tratamento de infectados de covid 19 nesses países.  

O Luxemburgo a Áustria e a Alemanha prontificaram-se a ajudar Portugal na pior fase da pandemia. A Alemanha juntou a acção à palavra e enviou no dia três de fevereiro uma equipa militar de saúde constituída por médicos, enfermeiros e material diverso.

Naturalmente que, como cidadão europeu, fico muito satisfeito por ver esta empatia, ou seja, que haja “união europeia” na Comunidade Europeia.

Ao constatar este facto, ajuda europeia, atravessa-se no meu pensamento uma dúvida.

O nosso sistema de saúde é constituído pelo serviço público/Serviço Nacional de Saúde (SNS) e serviço privado de saúde. O serviço privado de saúde é uma concessão dada pelo estado/governo, que somos nós, aos investidores na doença. Investidores! ok, logo querem o maior ganho possível.

A minha dúvida reside exactamente aqui, no ganho. Porque é que o serviço privado de saúde não se disponibilizou a ajudar o serviço nacional de saúde. Dito de outra forma porque é que o estado/governo não contactou os hospitais privados antes de ter contactado e pedido ajuda ao estrangeiro? Se contactou porque não obteve essa disponibilidade? Por uma questão de ganho, dirão alguns. A minha dúvida persiste, se o estado/governo pagasse o mesmo valor do tratamento de um doente do SNS ao serviço privado este perdia ou ganhava dinheiro?

Sendo o vencimento dos médicos, dos enfermeiros e outros profissionais nestes países, superiores aos dos portugueses, é certo que se forem doentes para o estrangeiro o custo da hospitalização/tratamento terá de ser pago a esses países, para além do transporte. A dúvida persiste, todo este custo não é muito superior ao que viesse a ser pago no serviço privado? E se um doente morrer nesse país quem paga a transladação do corpo, os familiares ou o estado?

Nestes custos já nem estou a avaliar os custos “não patrimoniais”. Os custos de se sentirem abandonados ao “seu destino”.

Dentro da mesma política assistimos já ao transporte de doentes do continente para as ilhas. Já esgotámos toda a capacidade hospitalar no continente? Mas que raio, só gente idiota, se não há vaga nos cuidados intensivos do SNS requisite-se/obrigue-se o serviço privado a disponibilizar vagas, esse serviço apesar de privado é nosso, funcionam por concessão nossa.

Se podemos pagar menos porque pagamos mais? Não devemos ser convenientemente informados da política destas opções?

Sei que a minha voz não vai chegar aos locais próprios, ainda assim, não deixo de exigir essa explicação.

Há por aí alguém que me explique?

A única explicação que vejo, para além de todos estes negócios escuros à semelhança das PPP é dar lucro à TAP, se outras transportadoras aéreas não se adiantarem…

Ai país país, em que mãos foste calhar...


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Plátano sempre Plátano

(foto Rádio Portalegre)

Tenho o maior respeito, pelos mais velhos, sempre tive, foi assim que fui educado. Naturalmente que a boa educação, a consideração e o respeito não se esgotam nos mais velhos. Todos e tudo deve ser respeitado e aqui se incluem as pessoas, os animais e a natureza. E a fé de cada um.

No final do ano passado (novembro 2020) decorreu uma votação para eleger a árvore portuguesa de 2021. Foi “eleita” como árvore do ano o Plátano do Rossio. Já no ano anterior, a mesma árvore tinha ido a votos, tendo sido preterida em relação a outra.  

Este ano está a decorrer até ao dia 28 de fevereiro a votação para ser “eleita” como a árvore europeia do ano de 2021. “Tree of the Year 2021”.

Tem sido feita uma boa campanha a favor “desta causa” inclusive pelo Município de Portalegre, outra coisa não seria de esperar.

Tendo já o Plátano do Rossio, sido eleito como a árvore portuguesa de 2021, tem direito a letras maiúsculas, pela sua longevidade, estranho que a sua “eleição” ainda não tenha trazido nada de novo de benefício à vida dos portalegrenses, tão pouco à sua envolvência física, já que constitui um perigo andar naquelas “ondulações de terreno”.

Claro que tenho a esperança e o desejo de a ver eleita como “Tree of the Year 2021”.

Com esta eleição, tenho a certeza, senão não desejava tanto, que a vida dos portalegrenses vai rodar 180 graus e vai melhorar. O próprio executivo municipal aposta todos os seus trunfos, já prevendo a sua substituição.

Também não é de ficar indiferente, vamos ter nos “comandos do município” uma Senhora de cento e oitenta e três anos, felizmente continuamos com uma senhora, ao que dizem são mais sensíveis a avaliarem a natureza humana, detentora dos maiores segredos de Portalegre, imagino os desabafos que já ouviu, por isso conhecedora das necessidade e anseios dos portalegrenses.

Desta é que Portalegre vai sair do mapa dos pequeninos e entrar no mapa dos grandes, mapa mundial entenda-se.

E porque desejo muito esta eleição vota.

https://www.treeoftheyear.org/vote

  

domingo, 31 de janeiro de 2021

Quem parte e reparte...

“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é burro ou não tem arte”.

Sendo o povo sábio, porque se comporta como burro? teimoso em não ver ou não querer ver.

Os meios de comunicação social, atiram-nos diariamente pelos olhos e ouvidos adentro, as falcatruas e faltas de carácter dos que nos (des)governam.

Sou do tempo em que fui ensinado que, o crime não compensa. Isso fazia-nos acreditar, que mais tarde ou mais cedo seríamos apanhados e punidos.

Tenho de admitir que fui mal ensinado, pai, mãe, família, professores, amigos, vizinhos, ensinaram-me mal, deviam pedir-me desculpa. Infelizmente muitos de vós, a maioria, já não poderão fazê-lo, por já terem partido para um lugar, onde, ainda quero acreditar isso seja possível.

Todos vós já não poderão pedir-me desculpa, mas eu, ainda vou a tempo de pedir desculpa e perdão aos meus filhos, por também os ter enganado e tê-los feito acreditar na justeza dos homens e que o crime não compensa. Filhos, compensa sim.

Foram estabelecidos critérios para a vacinação do covid 19, poderemos não estar todos de acordo, mas sendo estes os estabelecidos, eram para ser respeitados por quem tem em primeira linha obrigação de cumprir. Pois são estes mesmos os primeiros a prevaricar e a escolher para si a vantagem, os outros que se f….

Quando pretendemos desejar algum mal a alguém e com medo de que esse mesmo mal nos caia em cima, dizemos: - “que Deus me perdoe”.

Eu não vou pedir o perdão de Deus e vou mesmo desejar, com toda a minha convicção e força mental que, todos os que furaram as regras repartindo para si o melhor ou primeiro quinhão, que o mesmo é dizer tomaram a vacina antes do que deviam sejam os primeiros a morrer, não tenho medo das palavras, morram imbecis, não fazem cá falta nenhuma, são só mais um número a aumentar aos infortunados que já partiram e esses sim, sem culpa nenhuma.

Já que não posso fazer justiça de outra forma que a força do meu pensamento e desejo se concretize.

É triste ter que reconhecer que o crime compensa de tal modo que não bastou terem levado a primeira dose por intermédio de falcatrua estejam já preparados para levarem a segunda.

Se não morreram na primeira toma que morram na segunda.

Talvez esta seja a forma de aprendermos a respeitar o outro.

O quanto eu gostava de vir a saber que, nem que fosse apenas um, dos que tomaram a vacina “indevidamente” tivesse morrido.

Passava a acreditar em Deus novamente.

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

A Minha primeira vez ( parte II)


(continuação do "blog" anterior) 

Sempre fui tímido e introvertido, mas, ao mesmo tempo, com muita vontade de me desafiar e experimentar o “desconhecido”.

Nunca me considerei um aluno cábula, porque nunca o tinha sido até então, por medo, mas sentia uma vontade “ENNOORMME” de experimentar.

Por esta altura, 1971, havia um “expert” na matéria, ou pelo menos eu assim o considerava. Não havia teste em que o meu amigo António Pinto não “cabulasse”, desculpa Pinto a confissão, mas prometi contar. Normalmente o Pinto ficava na ala à minha direita e mais ou menos ao meu lado, embora com distância. Assim que os professores distribuíam os enunciados dos testes, era vê-lo a puxar da(s) cábula(s) e pô-las em cima da mesa. Eu tremia cada vez que via aquilo. Ele impávido e sereno. Copiava o que tinha a copiar, não era o único, mas é dele que eu me lembro porque foi ele o “culpado” da minha primeira vez.

Quando terminavam os teste e já fora da sala, perguntava-lhe como é que ele tinha coragem de puxar pela cábulas e coloca-las em cima da mesa. Ele, como ainda hoje é, calmo, sereno e bem disposto, dizia-me: - Isidro, ao contrário do que os professores dizem, nós podemos copiar, eles é que não podem ver. Assim de simples.

Tantas vezes vi aquela destreza que, um dia decidi experimentar também a “ minha primeira vez”.

Também eu fiz uma cábula, não foi a primeira, mas foi a primeira que utilizei.

Uma pequena folha de bloco do tamanho da palma da minha mão, escrita a lápis, com letra muito pequenina, como deve ser uma boa cábula, para caber o máximo possível. Matéria: lei de Ohm, Lavoisier e outras que na altura se estudavam. Sabíamos que estas leis viriam no teste, propositadamente não as “encornei”, termo por nós utilizado e penso que ainda em utilização pelos estudantes de hoje. Queria ter a coragem de me inaugurar na “minha primeira vez” e sabia que esta seria a única maneira, tinha consciência que se não conseguisse era “nega” no teste.

A sala do “teste” para além da descrição feita anteriormente, tinha um enorme estrado junto do quadro onde se situava a secretária do(a) professor(a). Dessa secretária era visível toda a movimentação da sala por mais imperceptível que parecesse ser.

A professora Elvira Barroso, como sempre, percorreu a sala distribuindo os enunciados do teste. Logo que recebi o meu, estando ela de costa para mim, e na distribuição do enunciado seguinte, enchi-me de coragem, meti a mão no bolso do casaco e tirei a cábula. Ela continuou na distribuição dos restantes. Logo que terminou a distribuição, como era seu hábito, sentou-se à sua secretária a corrigir os testes da turma anterior. Normalmente os testes eram os mesmos, porque eram feitos a seguir umas turmas às outras, sem qualquer hipótese de conversarmos antes sobre o que vinha no teste.

À minha frente estava um colega que vestia capote, braços abertos a escrever, o que significava, encobrir-me de alguma forma, da visibilidade da professora.

Fiz o que sabia fazer, os problemas especialmente, tendo deixado para o fim as definições, o mesmo é dizer as “leis”.

Com a cabeça inclinada sobre o teste, olhei de soslaio, para aferir a posição da professora. Continuava sentada à secretária a corrigir testes.

A cábula que já estava na mão desde o início, coloquei-a no tampo da mesa, junto ao teste e do lado esquerdo. Copiei todas as definições. Estava tão “seguro de mim” que até me esqueci da professora, quando de repente, me apercebi que ela estava a caminhar em direcção a mim.

O medo foi tanto que o “climax” foi atingido. Não, não aconteceu o que estão a pensar, mas podia ter acontecido…

Assim que me apercebi que a professora estava a um passo de mim, coloquei a mão em cima do papel e fechei-a. O papel cantou: - rahahrahh!

Pensei, já foste apanhado, com o barulho que o papel fez. Atingi o “climax” as minhas pernas tremiam, que nem varas verdes. Os pés estavam assentes nas travessas da mesa, não chegavam ao chão, olhei para os meus joelhos e só os via subir e descer, a minha mão direita tremia visivelmente. Concentrei-me, implorando calma a mim mesmo. Deixei de escrever, fingindo que estava a ler o que acabara de escrever, finquei o bico da caneta na folha do teste, com toda a minha força a fim de parar de tremer, fiz mesmo um buraco na folha de teste. Finquei os pés na trave da mesa quase pondo-me de pé para que os joelhos parassem de subir e descer. Não conseguia parar de tremer. Como já tinha terminado o teste, decidi entregá-lo de imediato e sair da sala. Felizmente não fui “apanhado”, a professora não percebeu nada, não percebeu mesmo, porque se tivesse visto o mais leve indício de copianço, imediatamente me tinha retirado o teste, anulando-o e mandando-me sair da sala. Já tinha assistido a expulsões em outros testes.

Não se brincava com a professora Elvira Barroso nem com qualquer dos outros.

E pronto esta foi a “minha primeira vez”, estavam à espera que vos contasse o quê?
Aguardo a vossa primeira vez