terça-feira, 28 de março de 2023

O Foco Cega-nos

foto público.pt

"Em terra de cegos, quem tem um olho é rei" 

A saga do NRP Mondego da marinha portuguesa continua.

Quando da “insubordinação” dos treze militares, tive a oportunidade de nestas páginas, à semelhança de outros, nas suas, militares ou não, de dar a minha opinião sobre o acontecimento.  

Para uns, há/houve insubordinação e indisciplina por parte dos treze militares, para outros, um “acto heróico”. Situo-me mais nesta posição, embora possa admitir, eventualmente, alguma infracção disciplinar e criminal.

Mas, não me cabe a mim, como não cabe a nenhum dos “opinadores”, avaliar se há/houve estas infracções. Essa competência pertence aos tribunais e à estrutura de comando da marinha. Aos presumíveis infractores e aos seus advogados cabes-lhes proceder à sua defesa. O certo é que os recursos hierárquicos, dentro da estrutura, dos processos disciplinares, estão feridos antes de nascerem, o mesmo é dizer, nascem mortos, quando as entidades de recurso e neste caso, o Chefe do Estado Maior da Armada, já proferiu publicamente a sua decisão, mesmo antes de se ter dado inicio aos respectivos processos. Caberá apenas, o recurso ao tribunal administrativo, para que se profira JUSTIÇA.

No entanto, à semelhança do que outros já expressaram e concretamente os advogados dos “infractores” não posso deixar de realçar que a atitude/comportamento do Chefe do Estado Maior da Marinha não foi de todo isenta, de ter havido também, para além de eventuais crimes, eventuais infracções disciplinares. Todo o militar sabe que um superior hierárquico não pode punir um inferior na presença de subordinados seus. O que o Sr Almirante Gouveia e Melo fez, por mais que depois o negue, foi no mínimo uma repreensão agravada em público e na presença de subordinados dos infractores. Hoje, direi mesmo, enquanto proferia a “repreensão agravada” o Sr Almirante Gouveia e Melo tem/teve a consciência que, estaria a cometer ele próprio uma infracção, só que, a ânsia que o foco incida sobre ele “cega-o”.        

A comunicação social e a maioria dos “opinadores”, centraram o seu foco nas eventuais infracções dos treze militares, como se estas infracções fossem inéditas nas forças armadas e nas forças policiais, lamento desiludi-los, mas não são inéditas, Em muitos casos, como será o deste, felizmente que não são.

Preferi incidir o foco, e continuo a preferir, em salientar a coragem, destes trezes militares, sabendo os riscos e eventuais consequências que corriam, em expor situações que em nada dignificam as forças armadas e neste caso particular a marinha portuguesa.

Tiveram a coragem de denunciarem situações, que cabiam aos comandantes e mais concretamente ao comandante da embarcação, mas que este, por falta de coragem não o fez. Talvez porque, ao que dizem, é preciso coragem, eu diria, “tomates”, para enfrentarem e contradizer o “todo poderoso” almirante Gouveia e Melo.

À data de hoje (28/03/2023) sabemos que o NRP Mondego não completou “a missão” de substituição de pessoal nas ilhas desertas, tendo sido rebocado de regresso à Madeira, mesmo depois de algumas reparações de emergência, para dar “ares” de que estaria em condições de navegabilidade aquando da “insurreição”.

Na marinha, e em especial o Chefe do Estado Maior da Armada, pode tapar o sol com a peneira de que nunca mandariam o navio para uma “missão impossível”, fica claro que os trezes “revoltosos” tinham mais que razão.

Hoje estamos a falar da marinha, mas, podemos perguntar como está a "sucata" nos outros ramos da forças armada? 

Não, não vou falar nos "Leopard 2". 

São estas as forças armadas que o país quer? 

Já sei que "muitos", não querem militares, afinal para que servem? só para dispêndio,  que pelo que se vê, não tem sido assim tanto, dado o estado calamitoso em que se encontram as forças armadas. Os "muitos" não foram assim tantos, foram os que detinham o poder suficiente, para quase acabarem com eles. Só que, como diz o povo, em altura de trovoada, lembram-se de Santa Bárbara.

Perante esta incapacidade de cumprimento de missão, por inoperacionalidade do NRP Mondego o que nos tem a dizer o Comandante do navio e o Chefe do Estado Maior da Armada?

O Sr almirante Gouveia e Melo, neste momento, deve estar sem chão…AFUNDOU-SE nas suas próprias palavras.

Em situações “análogas” a comunicação social, os “opinadores” e o governo, por esta altura, já teriam “decepado” a cabeça do Sr Almirante Gouveia e Melo. Veja-se o caso da TAP, não hesitaram em fazer rolar as cabeças dos CEO(s).

Sempre que há situações que de forma directa e indirecta, envolvem o governo e o estado, não se ouve uma palavra do Sr primeiro ministro. Este, para além de cego, fica surdo e mudo. É o deixa andar que, logo, logo, todos esquecem…

Nestas circunstâncias, o Sr almirante Gouveia e melo, não deveria ou deverá já ter posto o lugar à disposição? O que o faz continuar?

Será que o foco numa hipotética candidatura à presidência da república lhe tira a visão?

O actual presidente da república já lançou a “candidatura” de quatro eventuais interessados, porque ainda não lançou a candidatura do Sr. Gouveia e Melo? Quando já é conhecido o interesse deste nesse cargo. Será que não confia nele, tanto quanto diz?

Aguardemos os próximos episódios.          

 

quinta-feira, 16 de março de 2023

E "Bota Abaixo"

Foto dnoticias.pt

Como militar que fui, sou, embora já afastado à cerca de treze anos, xiiiii! Como o tempo passa…não posso deixar de manifestar o meu “sentimento” sobre o “acontecimento” do NRP Mondego da Marinha Portuguesa.

A história, conhecemo-la, por ter sido amplamente divulgada na comunicação social do “Reino”, perdão da república. Resume-se essencialmente à “insubordinação por desobediência” de quatro SARGENTOS e nove PRAÇAS, as maiúsculas não são por lapso nem por acaso.

Sargentos e Praças que dão o corpo “às balas”. Já que os comandantes, não souberam ou quiseram dar o “murro na mesa”, fizeram-no eles. O meu respeito a estes homens.

Infelizmente vão ser “cravejados”, têm de servir de exemplo que, na marinha, não há insubordinados nem “usurpadores de funções”.  

Esta insubordinação por desobediência, deve-se, nos argumentos dos insubordinados, entre outros, aos factos de:

- O NRP Mondego apresentar limitações técnicas graves que comprometem a segurança do pessoal e do material e o compromisso da respectiva missão;

- Em formatura na ponte, o próprio comandante, assumiu perante a guarnição que não se sentia confortável em largar com as condições técnicas que o navio apresenta;

- As previsões meteorológicas apontavam para ondulação de 2,5mt a 3mt, com período de 7 segundos;  

- O navio possui dois (2) motores estando um (1) deles, o de Bombordo, INOP. Este motor necessita de uma manutenção W4 há cerca de 2000 horas de funcionamento;

- O motor de Estibordo com fugas diversas, em tudo idênticas às fugas identificadas no motor de Bombordo, com consumo de óleo. Este motor necessita de uma manutenção W4 há cerca de 2000 horas de funcionamento;

Duas mil horas correspondem a oitenta e três dias de funcionamento como eles dizem, mas certamente representam muitíssimos mais dias. Ou seja, neste lapso de tempo o que é que o comandante, as minúsculas não são lapso nem erro, fez para resolver este problema e salvaguardar as vidas dos tripulantes, inclusive a sua? 

O que é que o Sr Almirante Gouveia e Melo fez? Não tinha conhecimento destas anomalias? E nos outros equipamentos da marinha?

O que é que o governo fez? Não tem conhecimento do estado em que se encontram as Forças Armadas? Ou melhor dito, serão Forças Desarmadas?

Naturalmente isto é apenas uma gota de água num imenso oceano.

Quase aposto que, o Sr Almirante Gouveia e Melo estava “deserto” que algo acontecesse na “sua” marinha, para aparecer de novo na “ribalta nacional” e assim fazer que não se esqueçam d’ele. Afinal o homem tem de estar sempre na ribalta se quer ser presidente da república, não vão outros ultrapassá-lo, como ele, eventualmente, fez com outros do seu ramo, tendo inclusive, mandando o seu antecessor embora antes de ter terminado a missão para que fora nomeado. Fazer frente e exigências ao governo, nunca!

A ser verdade, e não me custa mesmo nada em acreditar que seja, que o comandante assumiu em formatura perante a guarnição que não se “sentia confortável” em largar, porque LARGOU ao infortúnio, de um processo disciplinar e criminal trezes militares seus?

Se é verdade que o comandante falou perante a guarnição, "não me sinto confortável", será que os restantes militares têm a coragem de confirmar em inquérito tais palavras. Não me parece...teriam de ser homens...

As razões estão bem de ver “falta de tomates” e carreirísmo, agora cada um que se desenrasque é o que a “tropa” manda fazer…

O que menos importa aqui não é o crime de insubordinação, embora seja por este e outros que eles vão pagar. O que importa é o dislate de terem metido a “boca no trombone”, ainda por cima, não sendo músicos…

Como pessoa, desde criança, ensinaram-.me e aprendi que, “Quem quer ser respeitado, tem de se dar ao respeito”. Como militar apenas vim a reforçar este aprendizado, tendo-o praticado sempre. Sempre respeitei e sempre fui respeitado. Bom, quase sempre, infelizmente na fase final da minha carreira, e no topo desta, senti que não fui respeitado.

Tinha como adquirido, sendo “garantia” que palavra de Comandante era “escritura” “assinada” e “autenticada”. Infelizmente nem todos os Comandantes, hoje para mim, comandantes assim o entendem.

Há comandantes pequenos.

Há comandantes políticos no ativo.

Passei por uma experiência, que ainda hoje, já passaram dezasseis anos, ainda me é “traumatizante” pela falta de caracter, honradez e assunção de palavra dada de um comandante.

Uma história entre muitas que poderia contar e que talvez um dia escreva nas minhas “memórias”.  

 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

A violência

Há uns dias atrás, a 19/01/2023, foi notícia a invasão do palco do teatro São Luiz em Lisboa por uma “atriz” travesti “Keyla Brasil” onde se representava a peça “Tudo sobre a minha mãe”.

Cada um tem direito a ter as suas opiniões e manifestá-las como entender. Não tem é o direito de estragar a “cena” do outro/a e invadir o espaço e local de trabalho daqueles que o fazem com amor.

Pelas imagens que vi na televisão a “cena” na invasão do palco, foi grotesca e deplorável. A mim feriu-me os olhos e os ouvidos.

Mas, o que a mim me preocupa, embora “condene” naturalmente, não é propriamente a cena da invasão do palco, é o facto de o encenador/produtor da companhia “Teatro do Vão” ter assumido a “falha” e ter substituído, no imediato, o actor André Patrício.

Qual “falha”? a personagem “Lola” estava a ser mal representada?

- Não, não é isso, é que a Lola não estava a ser representada por um/a “trans” ou travesti

- Ah! Ok, então todas e quaisquer personagens de uma qualquer peça de teatro, cinema ou televisão têm de ser representadas por “originais”. É isso?

- Pois! Se calhar sim.

- Ah, Ok! Então já estou a ver, que numa próxima peça sobre políticos, estes vão ser representados por ladrões, mentirosos e corruptos. Já estou a imaginar um político, por exemplo, ministros das infraestruturas, da agricultura, da defesa, ou um presidente de câmara a invadir o palco D. Maria e exigir substituir o actor que representa o papel. Quero ver qual é o primeiro político a dar o passo em frente, já que tantos defendem estes desideratos sociais. Esta peça não vou perder, nem que para isso me tenha que deslocar propositadamente a Lisboa.   

Fico perplexo:

-  como é que um profissional, encenador/produtor, se deixa intimidar desta maneira;

- como é que uma dita “acriz” trans ou o que for, se sente em condições de substituir um actor que ensaiou o papel por algum tempo;

Como é que o restante elenco aceitou de “bom grado” esta substituição.

Esta é a opinião de uma “cambada” de seguidores. Hoje somos todos “seguidores” uns dos outros, especialmente nas redes sociais…Há os que se julgam influenciadores, “influencer(s)”, para ser mais chique, e a cambada de ovelhas que acham, já que não pensam, que tudo o que estes “influencer(s)” fazem ou dizem é que está na moda e mais perigoso ainda, está correto.

Fico preocupado que, numa época em que nos dizemos “livres”, libertos, nos sintamos mais prisioneiros do que no tempo da “Outra Senhora”.

Hoje, é pior do que no tempo da outra senhora, não se pode pensar fora da “caixa” muito menos ainda, agir ou manifestar-se, contra os conceitos dos inúmeros lóbis que hoje infestam a sociedade.

Tudo o que possas pensar e manifestar de alguma forma, vai cair no:

- racismo;

- xenofobismo;

- pragmatismo;

- assédio.

Ai daqueles que ousem manifestarem-se, por pensamentos, palavras ou obras, contra o “Status Quo” instalado.

Irra que é demais.

Eu, como diz a canção “cantarei” até que a voz me doa.      

 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Eu sou do tempo de...


Foto Digital Luso
 Não é de agora. Este mal, infelizmente, já vem de  alguns anos. Ao ouvirem-se e lerem-se determinadas notícias, a minha memória transporta-me ao “tempo de…”

Hoje, é lido na comunicação social que um homem bêbado arranca o nariz à dentada de um militar da GNR em Beja e agride mais dois.

Seria um caso de “NOTÍCIA” se fosse um “caso” inédito. Infelizmente, assim não é. São casos que se repetem com demasiada frequência, logo, não deviam constituir notícia.

Não é de estranhar que os polícias/GNR sejam agredidos com esta frequência, quando uma “fulana”, porque outro nome não tem, mas para os mais curiosos ou menos acompanhantes destes casos, sempre direi que, no seu cartão de cidadão, consta o nome de Inês Pedrosa, se dá ao desplante de, num órgão de comunicação social pago por todos nós, na RTP 3, afirmar, passo a citar, “um polícia tem de saber que ser agredido faz parte da profissão”.

Não! Sra “fulana”, os polícias não têm de saber que ser agredido faz parte da profissão. Porque a profissão, não é ser agredido, é garantir precisamente o contrário que não hajam agressões.

Sinto pena que a Sra “fulana” incida o foco, no é legítimo, o uso da violência e da agressão contra os polícias.

Mas, tenho a certeza que a Sra “fulana” não pensa o mesmo, se o polícia usar de violência e agressão, contra o cidadão comum, mesmo que esse cidadão, seja um criminoso.

São os tempos que correm.  

Não vi reacções públicas por parte dos órgãos de estado, particularmente do “comentador oficial do estado”, que tudo comenta, insurgir-se contra estas opiniões que incitam à violência contra os polícias.

Mas, não perderam tempo em comentar e insurgirem-se quanto às opiniões manifestadas, há poucas semanas atrás, por um punhado de polícias e GNR(s) nuns grupos privado e fechado das redes sociais.   

Aqui D’el Rei!, como se os polícias e os GNR não fossem cidadãos com direito a ter opiniões e expressar os seus sentimentos e o que sentem na pele.

Confessem. Ficaram com medo que os polícias começassem aos tiros a tudo que mexesse…e bem que mereciam. Porque sou cidadão em plenos uso dos meus direitos e deveres, à semelhança da Sra “fulana” atrás mencionada, e outros iguais, tenho o direito constitucional, a pensar e a escrever, que uma bala, bem direccionada, não seria bala perdida.

UFF! Desabafei, é que me estava aqui atravessado, e não me deixava engolir.    

Sou do tempo de, quando ainda havia respeito, repito, respeito, pelos polícias, pelos GNR(s), pelos militares, pelos médicos, pelos enfermeiros, pelos professores, pelos magistrados, numa palavra pelos servidores públicos.

Quando entrei para a GNR, já lá vão quase quarenta e dois anos, era hábito, que associações recreativas, por não terem disponibilidades financeiras, para contratarem os chamados “serviços gratificados”, a fim de garantirem a segurança dos espaços privados, pedirem emprestados aos comandantes dos postos locais da GNR o famoso “decalitro” e o capote de Guarda. Estas peças de fardamento eram penduradas num cabide bem visível, à entrada dos recintos.

Esta “artimanha” fazia acreditar que a GNR estava no local, desincentivando, por respeito à autoridade, quaisquer tentativas de conflito.  

Outros tempos. O tempo da ética, dos valores e da moral.

Hoje a violência e a corrupção expande-se por toda a sociedade, imperando nos titulares do governo/estado, quase fazendo-nos acreditar que ser corrupto é o comportamento acertado sendo impune.

Estes mesmos titulares do governo, têm o descaramento de nos virem dizer que estes comportamentos, podem não serem ilegais, porque cumpriram a lei.

Qual lei? A que eles mesmos fizeram para poderem abotoar-se com o que não lhes pertence.

Temos como ciente que a lei é o topo que “rege” os nossos comportamentos.

Por isso se cumpriu a lei está “TOP”.

Naturalmente, estão “TOP”, porque nunca tiveram noção do que é a ética, dos que são os valores do que é a moral.

Acima da lei estão estas noções:

- Ética;

- Valores;

- Princípios;

- E, a moral.   

A violência e a agressão aos servidores públicos, é uma agressão ao estado e o estado somos todos nós.    

O estado que se permite estes comportamentos, é um estado falido, sem ética, sem valores, sem princípios, sem moral.

É um estado indigno.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Desfiando memórias

 

Elvas, cidade que me viu nascer e onde fui criado até aos vinte e três anos, altura em que “emigrei”, embora internamente, para dar início à minha vida profissional que abracei por mais de trinta anos.

Em vinte e três anos criam-se inúmeras memórias, felizmente todas boas. Sinceramente, fiz um esforço de memória, nessa mesma memória, e não encontrei uma que pudesse classificar de má memória.

Sorte a minha, dirão uns. Certamente devo ter tido não sorte, mas muita sorte. Sempre fui agradecido à vida e continuo a sê-lo. Ela devolve-nos sempre, muito mais do que aquilo que lhe damos e eu tenho recebido muito.

Mas, não é sobre o que tenho dado e recebido que quero falar.

Vou falar/contar uma dessas muito boas memórias.

Nasci e fui criado numa casa ínfima, mas onde sempre cabia mais um e éramos muitos, muitos mesmo, especialmente por alturas do Natal.

A minha mãe adorava ter a casa cheia e como não cabíamos todos dentro, ocupávamos o quintal. Era uma cozinheira de “mão cheia” e os seus cozinhados eram apreciados por todos e por isso, quando se falava em Natal a “escolha” recaia sempre na casa da Josefa.

O dia e a noite de consoada eram passados no quintal à volta de um grande lume, com grandes troncos de azinho que o meu cunhado Carlos se encarregava de trazer previamente. A mim, cabia-me acender a fogueira e estender um toldo a fazer de tecto, para evitar a cacimba e a geada que nesta época era muita.   

Antes destes dias, e porque também havia um canavial no ribeiro próximo da casa, também me cabia ir apanhar umas canas, o mais finas e resistentes possível, para se fazerem as roncas. Havia roncas para toda a gente, e se não havia manilhas de barro e peles ou papos de perú suficientes, faziam-se roncas com latas voltadas ao contrário ou seja o fundo da lata servia de “pele” e “roncavam” ui se roncavam…

Não havia trocas de presentes, estes eram só para os mais novos da família, uma “lembrancinha”. Eu, e penso que os meus sobrinhos de então, por sermos os mais novos, não guardamos na memória nenhuma lembrancinha, mas tenho a certeza que eles, como eu, guardamos as maiores lembranças destes tempos vividos em família.

Passaram-se muitos Natais assim, harmoniosos e felizes.

Por nos últimos anos de vida da minha mãe já não haver condições para estas reuniões familiares na sua casa, passou-se a comemorar em casa da Rita, a minha irmã mais velha.

Depois, bom depois… em maio 1987, dá-se o maior desgosto da minha vida até hoje.

Aquela que reunia e congregava toda a família e amigos deixa-nos órfãos.

Nesse ano, ainda nos reunimos em casa da minha irmã Rita. Mas, para mim, já não era o mesmo Natal.

Deixei de “comemorar” natais.

Entretanto casei, tive filhos e os Natais são passados em minha casa com pouca gente.

Os meus filhos não sabem o que é “cantar ao menino” à volta de uma enorme fogueira.

Os meus filhos não sabem o que é percorrer as ruas da cidade de Elvas, pela madrugada fora, na noite de 24 de dezembro a cantar ao menino e a bater às portas.

Tenho saudade, muitas saudades desse tempo…sinais de velhice por ventura, e sinto muita pena, alguns remorsos, e talvez alguma culpa de não ter criado nos meus filhos as memórias que os meus pais criaram em mim.
Sejam felizes 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

O abreviar da vida versus O acelerar da morte

 

Uma vez mais, estamos a ser confrontados com a aprovação na assembleia da república da “lei da eutanásia”.

Constituição da República Portuguesa

 Artigo 24.º – Direito à vida

1 - A vida humana é inviolável.

2 - Em caso algum haverá pena de morte. 

Não sendo jurista ou formado em leis, parece-me claro que, antes de haver quaisquer discussões e aprovações no parlamento sobre a eutanásia, deveria proceder-se à revisão constitucional de entre outros, este artigo em concreto, sob pena de qualquer legislação sobre este assunto, à semelhança de muita outra vir a ser “inconstitucional”, mas para isso, temos os “experts”, na assembleia da república, a serem pagos a peso de ouro.

Preferem, à semelhança de muitas outras, começar a “casa pelo telhado” em vez de, primeiro, lançarem os alicerces.

O presidente da república já vetou por duas vezes esta mesma lei, será que vai haver uma terceira? Não faço prognósticos, mas quase que aposto que desta é que vai…já diz o povo “à terceira é de vez”…

Cada um terá o seu argumento, quer seja religioso, e este talvez o mais forte, político, humanista, o que for, para defender ou não a prática da eutanásia.  

Mas, o que é isto da eutanásia? Eutanásia consiste na conduta de abreviar a vida de um paciente em estado terminal ou que esteja sujeito a dores e intoleráveis sofrimentos físicos ou psíquicos. https://www.significados.com.br/eutanasia/ 

Etimologicamente, este termo se originou a partir do grego eu + thanatos, que pode ser traduzido como “boa morte” ou “morte sem dor”.

Ainda,

A eutanásia é a acção ou omissão que acelera a morte de um paciente condenado com o intuito de evitar e prolongar o seu sofrimento. O conceito está associado à morte sem sofrimento físico. https://conceito.de/eutanasia

Historiadores apontam que a eutanásia é um tema bem antigo, já discutido entre os filósofos gregos Platão e Sócrates, de maneira que os povos primitivos já a praticavam no caso de doenças incuráveis, por exemplo, os celtas, os indianos, dentre outros.

Postos estes conceitos, podemos dizer ou concluir de uma forma resumida e simplista que a eutanásia não é mais que, o “abreviar a vida” ou o “acelerar a morte” para evitar o sofrimento quer físico quer psíquico.

É claro que, quando se pensa no “abreviar a vida” ou no “acelerar a morte” há gostos para todos, quer dizer, há os que defendem e os que atacam. Para já, e neste momento, para que não restem dúvidas a quem quer que seja, quero deixar declarado que sou a favor do abreviar da minha vida ou seja, no acelerar da minha morte, se chegado esse momento.

O que esta lei põe em discussão, é se cada um de nós, em caso de sofrimento atroz, quer físico quer psíquico e esgotadas à luz da ciência actual, todas as possibilidades de melhoria e qualidade de vida, tem ou não, em consciência, o direito de livremente pedir que abreviem a sua vida ou acelerem a sua morte.

Ah! sim, tem os cuidados paliativos, esta deve ser a aposta….bla…bla…bla…eu cago nos serviços paliativos, se chegado o momento, isso significar continuar a sofrer, física, emocional ou psiquicamente. Quero ter o direito de pedir que me abreviem a vida e se eu não o conseguir exprimir de uma forma perceptível quero deixar essa opção às pessoas que me querem bem e que sabem que eu nunca aceitarei viver nessas condições.

Se todos temos garantida a morte, com esta possibilidade de opção, eu não estou a escolher a morte, estou a abreviar a vida. É tão simples quanto isso.

E depois, para os mais crentes, e que têm a promessa e a convicção da chegada ao paraíso e à vida eterna, não sentem ansiedade de chegarem o mais breve possível? E desfrutar de todo esse REINO.

A hipocrisia dos moralistas políticos e de alguns seres “humanos” é tão grande e repugnante que, com a capa de cristãos e católicos apostólicos romanos, rejeitaram e votaram contra esta lei, mas não se envergonham de defender a castração química, a prisão perpétua, quando sabem que cientificamente estas soluções não evitam que os mesmos abusadores/criminosos continuem a abusar. Se nós lhes dermos palco, tempo e votos brevemente irão defender a pena de morte, porque para este já é possível, são escória, não são seres humanos.

A mim repugna-me muito mais, a aprovação de uma lei de inseminação pós morte, do que esta que, como se diz atrás, mais não é que o abreviar da vida, mediante determinadas circunstâncias.

Não, esta lei não é um salvo conduto para o homicídio, não deve, nem tem de ser.

Não é o “assassinato” dos velhinhos.  

Não pensem que esta minha defesa, pelo abreviar da vida ou acelerar a morte, que, a acontecer, são opções e decisões fáceis, não, não são. São bem difíceis, mas, para que se torne mais fácil é preciso pensar nela e saber que essa opção existe.

Actualmente existem três países onde a eutanásia é legal.

Holanda desde abril de 2002;

A Bélgica no mesmo ano, incluive desde 2014 com a eutanásia a menores

Luxemburgo 2009

Na Suiça, país erradamente associado à eutanásia, a prática é punível com prisão.

O que a lei Suíça permite desde 1940 é o suicídio assistido. 

Para terminar,

que este texto já vai longo e não costumo escrever tanto, porque sei que poucos ou quase ninguém o lê até ao fim,

Termino por hoje,

Tenho muita vontade de viver neste “paraíso” terreno que é o que conheço, com qualidade de vida, sem sofrimento físico nem psíquico nem emocional, com a convicção que, “antes dos cem ninguém me leva, nem morto” e como eu gosto de acrescentar nem “Lá” o de cima me leva.  

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Para que a culpa não morra solteira

 

Já vai longa esta guerra entre a Rússia e a Ucrânia, versus Putin/Zelenskyy, que nos envolve a todos, e que infelizmente, está aí para durar.

Ontem, dia 15/11/2022, ao fim do dia, princípio da noite, enquanto decorria na Indonésia o encontro dos G20, éramos surpreendidos pelo “ataque” da Rússia a um país da Nato, Polónia.

Este “ataque”, provocou a consternação mundial, reuniões urgentes dos “governos” apelos à calma por parte da China o escalar da ameaça e do medo de uma provável retaliação, instalou-se entre nós, dando origem à provável 3ª guerra mundial

A Rússia veio logo dizer que não tinha nada a ver com este “ataque” e que esta “noticia” era uma “provocação”. Uns acreditaram, outros negaram e outros duvidaram. Incluo-me no terceiro grupo, embora mais inclinado para os que não acreditavam neste ataque por parte da Rússia.

Já aqui manifestei a minha opinião sobre o “Sr.” Putin, não é de todo um “santo”, bem pelo contrário, é um diabo, um megalómano, um louco, e a prová-lo estão os contínuos ataques com misseis à Ucrânia.

Mas, todo o louco tem momentos de lucidez, e, apesar de toda a sua retórica de ameaças com armas nucleares, não ia considerar ser este o momento, para provocar uma ataque/retaliação por parte da Nato às suas forças, sabe que neste momento está em desvantagem.

Porque é que o míssil caiu na Polónia?

Quem o lançou/mandou lançar, e o fez cair na Polónia, o que esperava que acontecesse no imediato?

Já se sabe, passadas menos de vinte e quatro horas que o míssil foi lançado da Ucrânia e a sua queda na Polónia foi devido a “erro” não tendo havido intenção de “ataque”.

Erro?, foi mesmo erro, ou houve intenção de provocar uma reacção imediata por parte da Nato, quando a Ucrânia estava a ser fustigada por ataques maciços de misseis e decorria o encontro dos G20?

Zelenskyy veio logo “defender” que este “ataque” por parte da Rússia, na versão dele, era um ataque e uma ameaça aos países “irmãos” da Nato. Fica claro que ele pretendia no imediato uma resposta/retaliação da Nato. No fundo queria a “internacionalização” da guerra, como sempre defendeu e quis, tendo visto nesta brecha a “oportunidade”. Nunca lhe bastou a ajuda em armamento e dinheiro, por parte do ocidente. Ele quer o total envolvimento.

De salientar que a Rússia veio no imediato dizer que o míssil não tinha sido lançado por eles, tentando deste modo “apaziguar” um pouco a situação. Claro que houve conversas diretas ente Putin e Biden, só assim se compreende a “passividade” e o não acreditar por parte do Biden de que a Rússia tivesse a intenção de escalar a este nível a guerra.

Zelenskyy, já veio admitir o “erro” e pedir desculpa pelo “incomodo” que provocou?

Já pediu desculpas aos familiares dos polacos mortos?

O governo polaco já exigiu um pedido de desculpas ao Zelenskyy?

O Zelenskyy já nos pediu desculpa a todos nós? Eu quero no mínimo um pedido de desculpa.

À hora que escrevo este artigo de opinião ainda não o tinham feito.

Compreendo que ele, Zelenskyy, e os ucranianos estejam cansados e fartos desta guerra, como aliás todos nós estamos.

Compreendo que ele não esteja satisfeito com a destruição do seu país, das suas cidades. Como nós não estamos.

Compreendo que ele lamente as inúmeras perdas de vida de militares e civis. Como nós lamentamos.

Mas, o nós sermos solidários com a “sua dor” não lhe dá o direito de iniciar a 3ª guerra mundial, e provocar a destruição de todos nós.

Não se “inventem” desculpas de erros. Aqui houve uma intenção clara de “alastrar” a guerra no imediato aos países da Nato e em consequência mundial.

Já diz o povo os erros pagam-se caros. Se houve erro tem de ser “pago” e bem caro.

Esta intenção ou erro, tem de obrigatoriamente ser sancionada. Como? – Não sei! O que sei é que não pode haver uma segunda tentativa, para que a “culpa não morra solteira”.

Defendo que a Rússia nunca devia ter iniciado esta guerra.

Defendo que a Rússia não pode ganhar esta guerra.

Com a mesma convicção defendo que esta guerra tem de parar e já, antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Porque desacredito?

 

A decepção é o desacreditar mais trágico que um coração pode sentir

(desconhecido)

Desde o meu nascimento, fui envolvido na fé cristã, católica apostólica e romana. Fui baptizado ainda não tinha três meses. Frequentei a catequese até aos meus dozes/treze anos. Fiz a primeira comunhão aos sete. A profissão de fé por volta dos nove/dez. O crisma aos doze. Fui “sacristão”, ajudava nas missas. Casei na igreja católica, Sé de Elvas, ou melhor dito, igreja de Nossa Senhora da Assunção.

Eduquei os meus filhos nesta mesma fé. Todos eles e são três, receberam os sacramentos da religião católica. À minha semelhança, foram baptizados bebés, frequentaram a catequese, receberam o “pai nosso”, fizeram a primeira comunhão, a profissão de fé e o crisma, foram “sacristães”, ajudaram à missa na igreja de S. Lourenço em Portalegre. O mais velho também já casado pela igreja católica, em Bruxelas.

Antes de acreditar em Deus, em Cristo e no Espírito Santos, acreditei nos homens e nas mulheres.

Comecei por acreditar na minha mãe. Foi ela que me quis baptizado. Foi ela que quis que frequentasse a igreja. Ah! Já me esquecia, e porque estamos muito perto dos “santinhos” lembrei de repente, que no dia um e dois de novembro, normalmente prolongava-se por mais uns dias, de todos os anos e durante muitos anos, mesmo depois de ter deixado de frequentar a catequese, percorria as ruas da cidade, dos bairros de Santa Luzia, das Caixas, da Piedade e da Boa Fé, a pedir os “santinhos” que naquele tempo não era pedir para “proveito” próprio.

Tinham-me ensinado que deveria bater às portas e, com uma bolsa de pano aberta e de braços esticados dizer “uma esmola para as almas do outro mundo”, rara era a vez, que nessa mesma bolsa, não caia uma moeda. Conseguia angariar uma boa “porção de dinheiro”. Pertencendo a uma família humilde e pobre, esse dinheiro ou parte dele, podia vir “facilitar” as dificuldades do dia-a-dia, durante alguns dias, mas nunca, nunca mesmo, foi retirado um centavo que fosse. Todo ele, sempre, foi entregue a uma “tia”, tia Rita, que o entregava ao padre numa paróquia na cidade. Este, certamente entregava-o a Deus, já que as “almas do outro mundo” coabitavam com Ele.

Mas, ao que ia, antes deste descaminho, qual é o filho que não acredita na mãe? Eu sempre acreditei na minha, mesmo quando às vezes lhe dizia ou achava que não tinha razão. As mães têm sempre razão. Com essa certeza, passei a acreditar também nas outras mulheres, catequistas, umas freiras e outras laicas, porque elas também são mães, mesmo as freiras, porque sempre diziam “meu filho” não digas isso… não faças assim… ou seja uma mãe que quer o melhor para o seu “filho”.

Depois das mulheres, passei a creditar nos homens, nos padres, no que diziam na missa e fora dela. Acreditava que ali não havia desvios, não havia pecado, eram homens virtuosos e “santos” como Jesus Cristo. Embora acreditasse? ou quisesse acreditar, muito novo, ainda na frequência da catequese, apercebi-me que afinal, os padres não são assim tão virtuosos e tão “santos” quanto isso, também tinham e cometiam os seus “pecados”. Estes comportamentos de “pecado” não me fizeram desacreditar na fé de Deus, mas fizeram-me desacreditar na “fé” do homem.

Como é possível que estes homens/padres, incutam no espírito de um jovem que se tem de confessar a ele, para poder comungar, por ter pregado uma mentirinha ao pai, à mãe ou a um amigo, quando ele, para além da mentira, comete o crime de abuso sexual a uma criança.

Como é possível que um dignatário, bispo, da igreja católica, oculte estas monstruosidades? E se ache no direito de não as denunciar.

Como é possível que o mais alto dignatário da nação, presidente da república, considere que trezentos ou quatrocentos casos, não são assim tantos quanto isso?

Como é possível que um primeiro ministro, venha publicamente defender esta posição e querer fazer-nos pedir desculpa ao presidente da república.

O comentador/presidente da república, depois de ter levado tantos “puxões de orelhas” e não aguentando mais, vem dizer hoje, mas não convencido, só o faz porque já não aguentava tantos “puxões” - peço desculpa…não devia pedir desculpa, devia fechar a “matraca” e falar só quando os assuntos têm a ver com os soberanos interesses do estado. Devia ter observado e aprendido com o comportamento da rainha inglesa recentemente falecida, que apenas uma vez deu uma entrevista e nunca comentava publicamente o quer que fosse, certamente não era porque não tivesse opinião, mas sim, porque o sentido de estado assim obrigava.  

Por tudo isto, há muito tempo que desacredito, na fé em Deus e na fé nos homens.   



quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Até quando?

 

Já não é a primeira vez que ao aceder às estatísticas do meu blog, este do qual vos escrevo, reparo que tenho “leitores” de vários pontos do mundo terrestre. Portugal, naturalmente, Estados Unidos da América, Brasil, Espanha, Suíça, Reino Unido, Alemanha, França, mas há um em particular, A Rússia, que me deixa mais curioso, pela quantidade desses mesmos leitores, nesta semana cinco (5), quando eu não tenho “amigos” russos, nem reais nem virtuais. Será que tenho “inimigos” virtuais, por uma ou outra opinião que já aqui manifestei? Será que devo ficar para além de curioso, preocupado? Não me considero “medricas”, mas confesso que tenho pensado seriamente sobre este assunto. A quem poderá interessar o sentir de um anónimo mortal.

Mas, como parece que na Rússia há quem goste particularmente de me “ler”, este “post” é especialmente escrito a pensar neles, uma dedicação especial a uns “amigos” ou “inimigos”, sei lá...

Como todos infelizmente sabemos, um “amigo” russo, considerado por muitos, inclusive eu, como um criminoso, decidiu há quase oito meses, fará no dia vinte e quarto de outubro, invadir um país independente e soberano, não tendo a coragem de lhe declarar “guerra” chamando-lhe “Uma operação Especial”.   

Esperava ganhar esta “Operação Especial” em três dias…para tal, uns dias antes da invasão, fez deslocar para junto da fronteira com a Ucrânia, um imenso “poderio” militar, constituindo quilómetros de viaturas. Com este poderio tinha a intenção de para além da ameaça, amedrontar os ucranianos bem como todos os outros países especialmente da europa. Este criminoso pensou que ainda estava em 2014.

Não contou com o sentir de um povo e em especial com o presidente líder, que sempre esteve lá.  

Sempre desejei que os ucranianos ganhassem esta guerra, embora a meio da mesma, infelizmente, estivesse quase convencido que não iria ser assim.

Talvez a única pessoa que sempre acreditou que irá vencer esta guerra seja o presidente líder Volodymyr Zelenskyy. Pediu e insistiu que lhe dessem armas capazes de neutralizar o “poderio” do inimigo. Foram-lhes “dadas” essas armas e com elas tem conseguido desocupar as terras “conquistadas”.

Não satisfeito com este “reverse” O meu “amigo” russo, mandou detonar os gasodutos Nord Stream 1 e 2. Pura intentona para amedrontar os países europeus para que deixem de fornecer armas à Ucrânia.

A “reconquista” dos seus territórios por parte da Ucrânia, continua, tendo como objectivo final a Crimeia.

O Sr criminoso russo, já não sabe o que fazer, a não ser promover e nomear outros criminosos para destruírem e assassinarem populações indefesas.

A “cereja no topo do bolo” foi a destruição de parte da ponte que liga a Crimeia à Rússia. Vem dizer que a destruição se deveu a um camião.

Ao que nos é dito, pela comunicação social, a ponte é superprotegida por várias formas, como é que um camião entra na ponte com explosivos e não é detectado? História tão mal contada. Pela imagem de satélite vemos que a ponte, na verdade são duas paralelas e ambas foram destruídas, a minha pergunta é, como é que a explosão do camião danifica as “duas pontes”?

Por ventura o camião explodiu sim, mas porque a mando de criminosos, alguém colocou explosivos nos “sítios convenientes”.

Esta explosão da ponte, não é mais que o pretexto, para mandar lançar misseis para aniquilar a vontade de um povo. Conseguir por este processo o que não tem conseguido numa “luta” leia-se guerra convencional.    

Tenho fé e, hoje com convicção absoluta, que os heróis ucranianos vão vencer esta guerra. No fundo somos todos nós que vencemos os que acreditamos na liberdade e na justiça.

Só hei-de lamentar que este “criminoso” não venha a “pagar”, sendo julgado e condenado em tribunal internacional, acabando os seus dias numa masmorra. Infelizmente, há-de acontecer-lhe, o mesmo que aconteceu a um outro criminoso alemão, ou se suicida ou é morto por algum compatriota…

É urgente. Haja alguém que o consiga.  

Foto globo.com



quarta-feira, 21 de setembro de 2022

O São Mateus - Elvas

  

Hoje, o meu pensamento, ou memória, fugiu-me para Elvas, mais precisamente para o São Mateus. Não vou falar do porquê desta romaria. Todo o Elvense que se preze, sabe da sua história, os que não sabem, pesquisem. O tio Google sabe tudo.  

Sempre vivi a “escassos” metros do S. Mateus. Bom! O sempre é relativo, há já muitos anos que assim não é.

O “sempre”, foi desde que nasci até aos 23 anos, depois, houve umas idas e vindas, uma permanência de mais uma meia dúzia de anos e o “quase” afastamento.

O São Mateus de Elvas era considerado, não sei se ainda é, a maior romaria do Alentejo, vinham pessoas de todos os cantos do Alentejo, especialmente do Alto Alentejo.

Nunca fui muito de romarias, muita gente junta, embora num espaço enorme, causa.me alguma claustrofobia.

Mas, sempre adorei a procissão dos pendões, em honra do Sr Jesus da Piedade, era, penso que ainda é enorme, as alas da procissão eram de quilómetros, não estou a exagerar, os que nela participam e conhecem, sabem que é verdade.

É uma procissão sentida e vivida por todos os elvenses. Fiz parte dela durante anos a fio. Gostava do ritual, vela acesa, protegida por uma cápsula de papel, na mão. Do para, arranca, do cheiro a incenso, do barulho das matracas, das rezas, do ajoelhar das pessoas que assistiam à sua passagem, dos foguetes, das cabeças no ar a ver se alguma cana caía em cima, às vezes caíam muito perto, das bandas filármonicas e sobretudo do Hino do Sr Jesus da Piedade, que ainda hoje me arrepia cada vez que o oiço. Muitos, fazem nesta procissão o “pagamento” das suas promessas, percorrendo-a descalços. Hoje já nem tanto.

No meu tempo…de criança e jovem adolescente, era a altura de se estrear roupa nova. Lembro-me de uns dias antes, irmos às lojas, escolher e comprar a roupa a estrear no “O Bravinho”, “ A Casa Rente”, “A Gioconda”, esta memória.. já não sei se era assim o nome, “ A Gazela”, “ A Paloram” e outras que já não lembro com exactidão os nomes, mas que eram grandes casas de moda em Elvas, ainda hoje guardo memória de muita dessa roupa. Não havia São Mateus, em que rico, remediado ou pobre não estreasse roupa nova.

Nem no Natal se estrava roupa nova. Não havia presentes nessa época, pelos menos, os menos afortunados como era o meu caso, pelo que todos ansiávamos a chegada do São Mateus, era o nosso “menino Jesus” antecipado. Roupa nova que depois da estreia no São Mateus era guardada e novamente “estreada” no primeiro dia de escola, que normalmente decorria depois do dia sete de outubro. Tempos felizes, sim, tempos felizes, apesar da escassez material.

Há já uns anos que não vou ao São Mateus, ontem ainda pensei em ir ver a procissão, quiçá ajoelhar-me à passagem do andor, mas, talvez por não ter roupa nova para estrear, desisti de ir.   

Um Bom São Mateus para todos.